• Jaime Kemp

Planejar também é amar


Há uma magia que ilumina o amor de um jovem casal. O brilho no olhar, os constantes gestos de afeto, o desejo de agradar o parceiro envolvem também quem está por perto. Na verdade, nossa alma não foi criada para viver sozinha. Nós, seres humanos, ansiamos por amar e sermos amados. No entanto, fico muito surpreso ao ver jovens resolvendo se casar e imaginando que, se deixarem a coisa correr como está tudo dará certo. Mas devo contrariar quem pensa assim, pois isso não é verdade. É muito importante haver um planejamento prévio em todas as áreas de nossa vida. Como a família é uma das áreas mais importantes, devemos encarar seriamente que tudo sobre ela deve ser criteriosamente planejado.

Temos a tendência de orientar nossas vidas de forma a contentar a nós mesmos, porém é muito difícil encontrar alguém que concorde com isso sem discussão. Em Filipenses 2.3,4, o apóstolo Paulo apresenta argumentos que se contrapõem a essa tendência humana: “Não façam nada por interesse pessoal ou por desejos tolos de receber elogios; mas sejam humildes e considerem os outros superiores a vocês mesmos. Que ninguém procure somente os seus próprios interesses, mas também os dos outros.” E em Efésios 4.2 vemos o seguinte: “Sejam sempre humildes, bem educados e pacientes, suportando uns aos outros com amor.” (versão NTLH)

Você que está lendo este artigo há de concordar comigo que os conselhos citados no primeiro versículo podem causar enormes conflitos quando não são aceitos e ignorados. E quanto maior for a proximidade serão maiores as possibilidades de atritos. E, ainda, quanto mais entrarmos em conflitos, mais nos justificaremos, rejeitando repetidamente o ponto de vista da outra pessoa.

Todo casal enfrenta problemas. A convivência traz à tona as diferenças de personalidade, temperamento e origem. Alguns conseguem se adaptar e se ajustar mais facilmente do que outros. Portanto, é essencial e inadiável aprender a lidar com nossas diferenças, trabalhando as idiossincrasias e manias pessoais para que, durante os anos, elas nos conduzam a caminhos abertos e não a becos sem saída.

Ao planejar nossas vidas precisamos nos orientar pela realidade. Muitas vezes nos guiamos por fantasias que se desfazem como uma nuvem de poeira diante das circunstâncias e do que é real. Gostaria de chamar sua atenção a algumas características que podem ajudar a evitar esse tipo de equívoco.

Expectativas reais

É espantoso como são poucos os casais que conversam sobre o que esperam receber no casamento. Menos ainda aqueles que falam sobre como gostariam de contribuir para que o relacionamento seja bem-sucedido. Um bom exercício para os casais já casados é perguntar um ao outro: “Nosso casamento está sendo o que você esperava?” ou “Suas expectativas estão sendo alcançadas?” As respostas a estas perguntas podem ser o ponto de partida para planejar um reajuste na relação porque expectativas não atingidas podem tornar-se frustrações, as quais podem se transformar em amargura. Feliz é o casal que percebe e aceita, ainda a tempo, a importância de planejar melhorar o relacionamento. A Bíblia fala sobre as consequências desastrosas que, praticamente, arruínam a vida de uma pessoa amargurada: “... Cuidado, para que ninguém se torne como uma planta amarga que cresce e prejudica muita gente com o seu veneno.” (Hebreus 12.15- NTLH) Por isso, deve-se traçar planos tendo em vista cortar a raiz dessa planta, começando com um pedido de perdão e passos em direção à restauração.

Aceitação

O fato de sabermos que Deus nos aceita como somos e que ele nos ama, apesar das coisas erradas que fazemos, nos dá senso de segurança, valor e bem-estar. O mesmo acontece no casamento. Uma das maneiras de nos sentirmos aceitos é ouvir nosso cônjuge dizer que nos ama e nos aceita como somos. Esta é uma decisão pessoal e racional que ocorre quando planejamos desenvolver um relacionamento sólido e realizador.

Abertura para mudanças

A vida muda continuadamente e precisamos mudar com ela. Um jovem casal se casa e começa a se adaptar e a superar as dificuldades aprendendo a se ajustar. Então nasce o primeiro filho e a vida de ambos muda totalmente. Depois que se adaptam a esta nova vida, agora a três, nasce o segundo filho. Novamente tudo passa por uma sensível mudança. E assim a vida continua: as crianças na escola, na faculdade, algumas mudanças na vida do marido e da esposa. Então os filhos crescem, deixam o lar e o casal, agora com o ninho vazio, precisam se readaptar. Este é, na maioria dos casos, um pequeno resumo da vida e que exige, sem sombra de dúvida, um grande planejamento.

Uma boa comunicação

Repare que todo bom casamento possui uma boa comunicação. E uma boa comunicação é resultado de planejar como aproveitamos nosso tempo. Um casal precisa priorizar a comunicação entre si, mas também ficar atento a este sábio conselho: “É formidável poder dizer a coisa certa na hora certa.” (Provérbios 15.23b) Tanto a palavra certa quanto o silêncio na hora certa podem ser uma bênção. Algumas coisas não devem ser ditas por amor, porque, muitas vezes, o cônjuge pode não ter maturidade suficiente para lidar com o que for dito. O amor age assim.

A Bíblia também incentiva a resolvermos nossos conflitos logo: “Se vocês ficarem com raiva, não deixem que isso faça com que pequem e não fiquem o dia inteiro com raiva. Não deem ao Diabo oportunidade para tentar vocês.” (Efésios 4.26,27 NTLH) Assumir essa postura requer decisão e um planejamento de vida. Jesus disse em Mateus 5.23,24 que devemos tomar a iniciativa de perdoar e pedir perdão antes de adorá-lo em oração. “Vá logo fazer as pazes...” Mas ele também avisou que não que seria fácil. É sempre difícil reconhecer a própria culpa e pedir perdão.

Também é importante a forma como nos comunicamos. A Bíblia alerta: “Não digam palavras que fazem mal aos outros, mas usem palavras boas, que ajudam os outros a crescer na fé e a conseguir o que necessitam, para que as coisas que vocês dizem façam bem aos que ouvem.” (Efésios 4.29 NTLH).

A preocupação de Paulo é que a comunicação entre os casais, as famílias e amigos seja utilizada para construir, não para destruir relacionamentos.

Um coração gentil

Ao ser interrogado por fariseus sobre o divórcio, Jesus respondeu mencionando o Velho Testamento: “... que ninguém separa o que Deus uniu.” (Mateus 19.6b –NTLH) Mais adiante, ele diz: “Moisés permitiu que vocês se divorciassem de suas mulheres por causa da dureza do coração de vocês Mas não foi assim desde o princípio.” (Mateus 19.8 – versão Almeida Revista e Atualizada). A dureza vai tomando conta do coração da pessoa aos poucos por várias causas, principalmente devido à autojustificação e à recusa em perdoar. O plano de Deus nesse sentido está revelado em Efésios 4.32: “... sejam bons e atenciosos uns para com os outros. E perdoem uns aos outros, assim como Deus, por meio de Cristo, perdoou vocês.” (Efésios 4.32 – NTLH)

Uma vida sexual realizada

Quando examinamos as Escrituras nos certificamos de que o sexo foi criado para ser desfrutado no contexto do casamento e visando o bem-estar e o prazer do casal. Deus nos deixou o livro de Cântico dos Cânticos para descrever esta importante área do casamento.

Os casais deveriam encará-la com muita seriedade. Também se inclui na área sexual o planejamento familiar, como quanto filhos pretendem ter e a melhor época do casamento para tê-los.

Em 1 Coríntios 7.3-5, o apóstolo Paulo deixa claro que os casais devem promover prazeres sexuais um para com o outro. Há casais que são naturalmente românticos; outros, entretanto, precisam aprender a desenvolver essa área.

Feliz Ano Novo

Se você leu este artigo até aqui, provavelmente observou que precisamos urgentemente programar e organizar nossa vida pessoal e familiar. Para que os tópicos deste estudo – posturas pessoais e atitudes-chave para os casais – funcionem no contexto familiar é preciso:

- planejar introduzi-los em suas vidas;

- dedicação para cumprir essa decisão.

Que a chegada de mais um ano nos motive e desafie a planejar mais nossas vidas, a submetermos esses planos ao Senhor e dar o melhor de nós para alcançar os alvos propostos.

#Planejamento

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