• Jaime Kemp

A escada do sucesso



O ministro da economia, os chefes de família, as donas de casa enfrentam, diariamente, o mesmo problema: saber usar o dinheiro e evitar que ele escape rapidamente de suas mãos.

Você já ouviu alguém dizendo: “O quê? Não chegamos ao meio de mês e meu dinheiro já acabou?” – É... a maioria de nós tem mais dias do que dinheiro no mês!

Vivemos em uma sociedade que tem sido sufocada pela paixão e pela obsessão de possuir. Isto se torna mais evidente em datas comemorativas, quando o amor, a gratidão e a afetividade deveriam sobressair, mas infelizmente, é o material que comanda. Dia das Mães. Dia dos Pais, Dia dos Namorados, Dia da Criança e até o Natal têm sido celebrações do material e não da sensibilidade. Prova disso são os abarrotados estacionamentos dos Shoppings Centers, onde se desencadeiam verdadeiras disputas por uma vaga.

A luta incessante por possuir, por atingir o status, a posição tão sonhada provoca e aprofunda rachaduras em nossos relacionamentos. A cruel e complexa competividade torna-se um peso pesado demais a ser carregado, ao ponto de, muitas vezes, esmagar nosso equilíbrio. Às vezes nos sentimos presos na armadilha da correria, não somente para satisfazer nossos sonhos de consumo, mas também atingir as expectativas da família, da igreja e da sociedade.

No mundo em que vivemos é fácil nos tornarmos confusos, desconfiados, amargos, desencorajados e, o que tem sido cada vez mais comum, deprimidos. E pensamentos pessimistas acabam se confundindo com os realistas, muitas vezes desestruturando a pessoa.

Mas como podemos colocar os bens materiais na perspectiva correta, quando estamos inseridos em um mundo dominado por um espírito exageradamente competitivo, por prioridades invertidas? Como encontrar equilíbrio perante um marketing declarada e implacavelmente manipulador?

Para permanecermos estáveis precisamos conhecer as prioridades de Deus, que sempre devem ser nossas prioridades também.


Pessoas antes das coisas materiais – principalmente a família

Espírito antes da matéria – somos impelidos sutilmente pelos clamores desta vida a possuir bens materiais e competir quase sem freios e confundimos o material com aquilo que é essencialmente do espírito. A alma, o galardão celestial, a fé, a esperança e o amor não podem ser vistos, mas são os mais importantes elementos do tempo e da eternidade.

Sendo assim, pergunto: suas prioridades estão compatíveis com as prioridades de Deus?

Gostaria de sugerir duas palavras encontradas na Bíblia para ajudá-lo a equilibrar sua perspectiva com relação às suas prioridades:


Simplicidade

No estilo de vida simples o cristão pode encontrar a liberdade da obsessão pelo material. A simplicidade oferece sanidade à nossa extravagância compulsiva e paz ao nosso frenético espírito. Ela nos ajuda a ver o que é material como realmente é: um meio para facilitar e melhorar nossa vida e não complicá-la e oprimi-la.

A simplicidade cristã não é somente uma tentativa de responder ao desrespeito ecológico que ameaça nos destruir. É um chamado a todo cristão. A simplicidade tem raízes profundas na Bíblia, “materializou-se” na vida de Jesus Cristo e é uma das disciplinas da vida cristã.

O apóstolo Pedro aconselhou que os cristãos vivessem livres da ansiedade (1Pedro 5.7). Jesus nos exortou a viver livres da avareza e João advertiu que nos livrássemos dos ídolos.


Contentamento

Vários livros foram escritos sobre contentamento: “Como ser feliz...” e vendidos aos milhões. Mas o contentamento não deveria ocorrer naturalmente em nossa vida? Na verdade fomos programados, diante das exigências da sociedade, para competir, realizar, acumular, brigar e lutar para galgar cada degrau da escada do sucesso.

Subindo e descendo degraus nessa escada, uma parte considerável de nossa sociedade é composta de pessoas descontentes, frustradas, manipuladas e manipuladoras.

O que Jesus tem a dizer sobre isso? Em Lucas 3.14b Ele diz: “... contentem-se com o seu salário.” Paulo também afirma: “... regozijo-me nas fraquezas...” (2Coríntios 12.10a), e “por isso, tendo o que comer e com que vestir-nos, estejamos com isso satisfeitos.” (1Timóteo 6.8). E na mesma linha, nos fala o autor de Hebreus: “Conservem-se livres do amor ao dinheiro e contentem-se com o que vocês têm...” (Hebreus 13.5a). Paulo disse que havia aprendido a estar feliz, independentemente da situação em que estivesse. (Filipenses 4.11)

Tenho aprendido que simplicidade e contentamento são adquiridos por meio de um processo nem sempre rápido. Conforme formos vislumbrando além do material, passaremos a descobrir que aumentar a qualidade de vida de nossa família significa diminuir o apego às coisas materiais e não o inverso.

A paz de espírito de colocar nossa segurança em Deus, e não em bens materiais, é indescritível. Porém, dizendo isso, não estou desestimulando o progresso, o desenvolvimento. Creio que haja o lugar certo para o esforço, para o suor, para a garra. A diferença é onde colocamos esse empenho: na areia ou na rocha?

O importante é estar dentro da vontade de Deus e não focando todo empenho em subir degrau por degrau na escalada do sucesso que não conduz a lugar nenhum!

Qual tem sido o maior objetivo de sua vida e de sua família? Agradar o Senhor Deus de todo o coração, de toda alma e de todo entendimento? Que a resposta a esta pergunta traga conscientização e percepção, para que o alvo focalizado seja uma vida que valha a pena viver, com contentamento e simplicidade.

E quando nossa vida estiver chegando ao fim, ao olharmos para trás, não daremos tanto valor a tudo o que adquirimos. O que nos deixará imensamente felizes e realizados será constatar que procuramos agradar a Deus subindo degrau por degrau, que formamos uma família estável, unida e envolvida pelo amor de uns pelos outros. Isso nos dará certeza de que nossa vida realmente valeu a pena.

#Natal

10 visualizações0 comentário
  • Twitter Clean
  • w-facebook
This site was designed with the
.com
website builder. Create your website today.
Start Now