• Adriel de Souza Maia

Quando a corrupção atinge diretamente a família

O cenário presente aponta que a bactéria da corrupção atinge as instituições, organizações, governos, segmentos religiosos, família etc. Dizem os estudiosos que a corrupção está impregnada na vida e ela passou a ser sistêmica e, lamentavelmente, “cultural”.

O Dicionário Priberam oferece uma boa interpretação sobre o conceito de corrupção.

1. Ato ou efeito de corromper ou de se corromper;

2. Alteração do estado ou das características originais que implica em troca de algo.

(Adulteração);

3. Comportamento desonesto, fraudulento ou ilegal que implica a troca de dinheiro, valores ou serviços em proveito próprio;

4. [Figurado] Degradação moral. ( Depravação, perversão);

5. Sedução.

6. Ação de corromper também pode ser entendida como o resultado de subornar, dando dinheiro ou presentes para alguém em troca de benefícios especiais de interesse próprio.

Se analisássemos cada conceito de corrupção apresentado pelo dicionário poderíamos aplicar para diversas situações do nosso dia a dia.

Constantemente, estamos sendo desafiados e seduzidos para o caminho da corrupção com os seus múltiplos desdobramentos e encantamentos.

Assim, ela chega com um ar de embelezamento oferecendo-nos vantagens, privilégios, oportunidades, bem como a sedução pelo poder. No entanto, os seus efeitos são enganosos e destruidores e, consequentemente, corroendo os alicerces fundamentais da sociedade, por exemplo - justiça, paz, solidariedade e, desembocando no desafio da dignidade à vida. Os efeitos da corrupção estão estampados nos diversos níveis da sociedade, especialmente, a violência, a miséria, desigualdades.

Nessa altura deste artigo fica uma questão importante: quando a corrupção atinge diretamente a família?

Precisamos reconhecer que a família não está blindada da corrupção. A Bíblia mostra que o vírus do pecado alcança a totalidade da vida. Fico impressionado quando leio alguns relatos bíblicos indicativos de famílias que foram atingidas pela corrupção, violência, depravação, egoísmo e disputa de poder, por exemplo, Caim eliminou Abel (Gn 4.5), Jacó engana Esaú (Gn 27, os filhos de Jacó odeiam José que o vendem aos mercadores (Gn 37).

Os meios de comunicação diariamente noticiam a violência, a corrupção, os homicídios etc., no interior da vivência familiar. As novelas, os filmes as peças teatrais muitas vezes são organizadas dentro de um contexto que estimula a corrupção e a trapaça e, dessa forma, comprometendo com o veneno do ódio e da ganância a célula mater da sociedade. Não há dúvida que a chamada pós-modernidade com seus avanços tecnológicos e com o seu paradigma de competição, uso inadequado da autoridade, privatização da vida, individualismo, consumismo etc., têm contribuído, decisivamente para o avanço da corrupção nas relações familiares. Do mesmo modo, esse retrato mostra que no interior da família as primeiras letras são ensinadas práticas contrárias à vida, por exemplo - levar vantagem, mentir, violentar, agredir, competir. Sendo assim, o ambiente familiar constitui um espaço de insegurança.

No entanto, esse cenário dramático e sombrio não pode retirar de nós a reafirmação que família constitui o espaço educativo dentro da realidade social, mas especialmente dentro do projeto transfomador da graça de Deus. Precisamos revistar as orientações de Jesus contidas nas bem-aventuranças (Mt 5. 3-10). Nessa seção encontramos uma pauta de vida para a familia, Igreja e sociedade.

O espaço educativo da família, à luz dos valores do evangelho, é intransferível. No ambiente familiar aprendemos corretamente as primeiras letras. O ensino do apóstolo Paulo é balizador : “ e que, desde a infância você conhece as sagradas letras, que podem torná-lo sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus. Toda a escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino , para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça” ( 2 Tm 3. 15-16).

Sendo assim, precisamos reafirmar a relevância dos valores do evangelho no habitat familiar que, na verdade, implica, na valorização do outro ou da outra, respeito, tolerância, honestidade, graça perdoador, prática da justiça, reconhecimento do valor supremo da vida, reconhecimento dos limites, viver a experiência da prática do amor e, com certeza, buscar na fonte do evangelho, Jesus Cristo, os exemplos para que a vivência familiar seja um espaço de compartilhar os movimentos da vida.

A corrupção campeia nas diversas esferas da vida. Diante desta realidade não podemos buscar atalhos, justificativas e uma atitude de passividade. A corrupção não pode ter a última palavra.

A família pode e deve ser uma agência da graça divina para proteger-nos contra as ameaças contrárias à vida. Da mesma maneira, um célula mater da sociedade com saúde física, emocional,espiritual relacional e promotora dos valores éticos e morais advindos do poder transformador do Evangelho de Jesus Cristo. O caminho da vida cristã é o caminho da integridade da vida.

Para refletir

1. Análise o Salmo 53. O salmista registra o desastre da corrupção. Quais lições que podemos retirar para a nossa realidade?

2. Quando a corrupção atinge diretamente a família?

3. Vocês concordam que o espaço educativo da família é instranferivel?

4. Quais as lições que podemos extrair do ensino do apóstolo Pedro em sua segunda epístola capítulo um versículos quatro a oito.

5. De que maneira os valores do Evangelho podem enriquecer a vida familiar construindo pontes de integridade da vida, perdão, reconciliação, etc?

ADRIEL DE SOUSA MAIA

#Perdão #Prainiciodecomversa

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