• Iara Vasconcelos

Bênçãos por tabela


Ao ler os artigos da Internet acima tomamos conhecimento de que apesar de a Bíblia não ser um compêndio de Psicologia, o que ela fala sobre perdão e sua importância nos relacionamentos está sendo utilizado por profissionais da área médica, psicológica e científica.


É aquela história de os cientistas galgarem o alto monte do conhecimento e, ao chegarem ao topo, encontrarem ali os teólogos já estabelecidos, sentados e conversando sobre as diversas formas da escalada.


Perdão é um dos maiores tópicos da Bíblia. Porém, muitas vezes nós cristãos não os praticamos por desconhecimento ou por encaixarmos seus ensinos somente em nível espiritual e até transcendental.


Há muitos que se consideram cristãos, mas não perdoam nem pedem perdão. Estão desobedecendo ao princípio bíblico encontrado em vários trechos da Bíblia, como em Efésios 4.32: “Sejam bondosos e compassivos uns para com os outros, perdoando-se mutuamente, assim como Deus os perdoou em Cristo”.


Não há como tratar relacionamentos de forma superficial. Há dores atrozes, casos de extrema complexidade, como abusos físicos e emocionais, assassinatos de familiares, golpes financeiros e toda sorte de maldades cometidas que marcam e afetam vidas.


Mas o que fazer? Além de sofrer com a crueldade de terceiros, a vítima ainda precisa perdoar? Isso é justo?


A Bíblia diz que “abismo chama abismo ao rugir das tuas cachoeiras; todas as tuas ondas e vagalhões se abateram sobre mim” (Salmos 42.7). E é assim que muitas vezes nos sentimos perante as injustiças e atrocidades contra nós praticadas. Como se estivéssemos sendo levados pelas ondas do mar, tentando em vão nos equilibrar e respirar.


Se fosse possível fazer um mapeamento do sentimento predominante no mundo, constataríamos que o ódio se encontra em primeiríssimo lugar. Pessoas odeiam pessoas, que odeiam outras pessoas, que odeiam povos, que odeiam etnias e assim por diante. O ódio tem sido cultivado, ensinado, disseminado muito mais do que o amor.


De forma prática, podemos olhar o que tem sido dito tanto pelos estudiosos e praticantes da Palavra quanto pelos profissionais da saúde: “Esforcem-se para viver em paz com todos... Cuidem que... nenhuma raiz de amargura brote e cause perturbação, contaminando muitos” (Hebreus 12.14-15).


A falta de perdão – tenha a pessoa motivos e justificativas suficientes para tal – faz da própria vítima sua maior vítima. Ou seja, a recusa em perdoar resulta em maior sofrimento àquele que não perdoa, pois a amargura, como uma raiz, vai se espalhando e contaminando. Já o ofensor muitas vezes desconhece que machucou alguém e está muito confortável consigo mesmo! Que ironia!


E foi em meio a essa situação que o psicólogo americano Fred Luskin, após ter sido profundamente magoado por um amigo, conseguiu enfim perdoá-lo. Passou, então, a fazer pesquisas com grupos de pessoas vítimas do ódio e violência. Após semanas de aulas com as técnicas de perdão do Dr. Luskin, a primeira reação verificada foi uma redução do nível de estresse e uma grande melhora em sintomas físicos como dores de cabeça, dores no peito, na coluna, náuseas, insônia e perda de apetite. A técnica do Dr. Fred Luskin pode ser resumida em nove passos:

  1. Saiba exatamente como você se sente sobre o que ocorreu e seja capaz de expressar o que há de errado na situação. Então, relate a sua experiência a umas duas pessoas de confiança.

  2. Comprometa-se consigo mesmo a fazer o que for preciso para se sentir melhor. O ato de perdoar é pessoal.

  3. Entenda seu objetivo. Perdoar não significa necessariamente reconciliar-se com a pessoa que o agrediu, nem se tornar cúmplice dela. O que você procura é paz.

  4. Tenha uma perspectiva correta dos acontecimentos. Reconheça que o seu aborrecimento vem dos sentimentos negativos e do desconforto físico que você sofre agora, e não daquilo que o agrediu há dois minutos ou dez anos atrás.

  5. No momento em que você se sentir aflito, pratique técnicas de controle de estresse para atenuar os mecanismos de seu corpo.

  6. Desista de esperar de outras pessoas ou de sua vida, coisa que elas não lhe darão. Saúde, amizade e prosperidade são alvos possíveis e devem ser trabalhados para serem atingidos. Porém, você sofrerá se exigir que eles aconteçam quando não há em suas mãos poder para tal.

  7. Coloque sua energia em alcançar objetivos positivos. Em vez de reprisar mentalmente sua mágoa, procure outros caminhos.

  8. Lembre-se de que uma vida bem vivida é “a sua melhor vingança”. Em vez de se concentrar nas mágoas – o que atingiria os objetivos da pessoa que o magoou – aprenda a buscar o amor, a beleza e a bondade ao seu redor.

  9. Modifique a sua história de ressentimento de forma que ela reflita sua escolha por perdoar. Passe de vítima a herói na história que for contar.

É preciso lembrar algumas características do perdão: perdão não é sentimento. É obediência e decisão. É um processo com progressos e retrocessos, e não uma ocorrência única e imediata. Com isso em mente, podemos fazer nossa parte e correr ao Pai em busca de forças, quando estivermos para fraquejar.


Outro detalhe curioso é a constatação de que o perdoador desfruta de paz interior e bem-estar. Dessa forma, seguindo as orientações bíblicas, mesmo quem não é cristão acaba sendo abençoado. Só que o outro lado do perdão, ou seja, a paz com Deus, só experimenta quem é filho! E é aí que está o nosso diferencial!


“Esforcem-se para viver em paz com todos e para serem santos; sem santidade ninguém verá o Senhor” (Hebreus 12.14).


“Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o coração e a mente de vocês em Cristo Jesus” (Filipenses 4.6-7).

#Perdão

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