• Carlos Catito

Intimidade sexual no casamento



Quando o tema é sexo, muitos cristãos se contorcem em suas cadeiras, pois acreditam estar entrando em um campo que pertence ao diabo e ao pecado. Não há nada mais equivocado do que isso!

Mas por que essa mentalidade se desenvolveu dentro da igreja cristã? O tabu sobre o tema “sexo” provém das distorções culturais que foram se implantando em nosso meio ao longo dos séculos. Em primeiro lugar, houve na cultura ocidental cristã um contrabando da ideologia grega, que separa o corpo do espírito, atribuindo ao espírito todas as virtudes e ao corpo todas as maldades. Desta forma, o que é do corpo ou está ligado a ele (como o prazer sexual) é visto como algo mal, sujo, pecaminoso. Veja que este não é um princípio bíblico, pois o sexo é parte da criação de Deus e, portanto, muito bom (Gênesis 1.31). Outro elemento que acentuou esse tabu foi exatamente a má interpretação da Bíblia por teólogos cristãos na Idade Média. Agostinho afirmava que o sexo é um mal necessário para a reprodução. Assim, criaram-se matizes negativos sobre o sexo, e tudo isso contribuiu para uma interpretação distorcida e negativa da beleza do sexo criado por Deus.

A verdadeira intimidade conjugal deve ir MUITO ALÉM da dimensão da genitalidade. É preciso desenvolver o entendimento de que o nosso principal órgão sexual é nossa mente e não nosso genital. Também precisamos estar cientes de que para um verdadeiro desfrute é preciso um conhecimento profundo do outro, em que os temores se dissipem e a entrega se faça de forma tranquila e relaxada, sem tensões. Quanto maior a confiança no outro, maior o relaxamento e maior o desfrutar no ato. Entretanto, esse não é um conhecimento que se adquire automaticamente ou em dois ou três momentos de convívio. Leva-se muito tempo para conhecer plenamente o outro, e isso com um diálogo profícuo – por isso o casamento deve ser até que a morte os separe!

Uma verdadeira intimidade se estabelece a partir da ternura e do respeito ao outro como criatura feita à imagem e semelhança de Deus (Gênesis 1.27-28). Nossa sociedade tenta reduzir a sexualidade à questão genital e enfoca o individualismo, em que o outro é apenas um objeto para desfrute pessoal (a maior expressão disso é o ‘ficar’, no qual o outro é mero acessório para os estímulos sensoriais). Assim, creio que um verdadeiro “leito sem mácula” (Hebreus 13.4) é aquele no qual o outro é profundamente respeitado como PESSOA e não usado como objeto de prazer. Por isso, não importa se o casal tem sua intimidade sexual nos padrões mais tradicionais possíveis: se uma das partes não está tratando a outra com ternura, respeito, carinho e consideração, amando-o como a si mesmo (Lucas 10.27), este leito já está maculado!

Muitos moralistas se fixam nas normas e regras para viver uma “pureza” na sexualidade matrimonial e esquecem que sem considerar o outro como PESSOA qualquer regra já é pecaminosa!

Costumo afirmar em minhas palestras que existem em nosso corpo muitos outros “orifícios de interpenetração” que devem ser atingidos pelo casal ANTES da interpenetração genital: as pupilas – com a interpenetração do olhar de afeto; os ouvidos – com a interpenetração das palavras carinhosas; a boca – com a interpenetração da suavidade do encontro dos lábios que expressam ternura. Tudo isso tendo a convicção de que tenho em meus braços não um objeto qualquer, mas uma joia preciosa lapidada por Deus, sua mais perfeita criação: o ser humano, que porta a imagem e semelhança do Criador! Com esta mentalidade poderei desfrutar de uma profunda intimidade emocional com meu cônjuge e um profundo prazer decorrente disto!

#Família #Casamento #Sexo

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