• Jaime Kemp

Casamento sem compromisso não dá certo



O compromisso matrimonial não é algo apenas emocional e romântico ou uma simples atração que faz com que um deseje o outro ardentemente. É um compromisso de vida que leva duas pessoas a se amarem profundamente, conforme está descrito em 1 Coríntios 13. Não é somente um sentimento falado e cantado, mas um amor que se firma no cotidiano. É uma escolha mútua e de renovação constante. Um compromisso verbalizado e praticado diariamente.

O amor compromissado rejeita o medo e o fracasso e constrói um ambiente seguro para o desenvolvimento e o crescimento dos cônjuges como pessoas e casal. Quando um cônjuge se utiliza da fraqueza do outro para controlar uma situação, é porque o descuido quanto às necessidades mútuas já começou a destruir a relação.


É importante saber Há muitos casais que, quando expressam suas mútuas promessas no altar, parecem que, na verdade, encaram tudo como um simples ritual, parte da cerimônia. Porém, para honrar os compromissos assumidos no altar é preciso investir no relacionamento dia após dia, com perseverança. Sei que um casal determinado a cumprir os votos matrimoniais saberá encontrar várias formas de fazê-lo, mas eu gostaria de compartilhar algumas sugestões que, se ainda não foram cogitadas, podem ajudar.


Sempre construir, nunca destruir Elogie seu cônjuge. Observe suas áreas fortes, acentue suas características positivas. Provérbios 25.11 diz que: “Como maçãs de ouro em bandejas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo”. Alguns casais nunca elogiam um ao outro, só criticam, mas torno a enfatizar o alerta de Deus: “O que você diz pode salvar ou destruir uma vida; portanto, use bem as suas palavras e você será recompensado” (Provérbios 18.21 - BLH).


Intimidade A intimidade é uma das melhores coisas do casamento. Não me refiro somente à intimidade física, mas àqueles sentimentos que fazem com que o cônjuge se sinta totalmente à vontade e aceito, sem medo de ser rejeitado pela pessoa amada. É quando a alma se aquieta e se sente em casa. E o contexto do casamento é o mais propício para desenvolver esse tipo de sentimento. Às vezes, para alguns casais, o medo de ser ferido impede o desarme necessário para que a intimidade cresça.


Falar, mas também ouvir – e com atenção Ouvir é uma prática que precisa ser desenvolvida, e isso não é nada fácil para as pessoas que só querem falar de si. É preciso haver altruísmo para ouvir os outros. Ouvir é uma maneira de demonstrar amor e também interesse pelo que se ouviu. Muitos respondem sem ouvir, e esse diálogo se torna uma conversa entre surdos.


Diferenças fortalecem, quando bem compreendidas Opiniões diferentes podem dar mais colorido à relação. O casamento representa a união de duas vidas distintas. O tornar-se um, do ponto de vista bíblico, não significa anulação ou domínio, mas um compromisso mútuo que tem como objetivo respeito e consideração.

Os conflitos fazem parte da vida, por isso é normal enfrentá-los no casamento. Eles se tornam ameaçadores quando, por não saber como lidar com eles, casais começam a considerar um divórcio.

Uma das evidências da maturidade no casamento é a forma como os cônjuges trabalham seus conflitos, que, é preciso esclarecer, é exatamente o oposto de fingir que eles não existem. Lemos em Provérbios 20.3: “Qualquer tolo pode começar uma briga; quem fica fora dela é que merece elogios” (BLH).

Com o passar do tempo, um casal sábio vai acertando suas diferenças, negociando e, assim, diminuindo o impacto negativo de seus conflitos. Quando um casal resolve enfrentar junto seus problemas, a tendência é que as diferenças contribuam com mais opções de soluções.


Perdoar e pedir perdão Perdão não é um sentimento, mas uma decisão. Quem fica remoendo o passado e continua acusando o cônjuge não perdoou sinceramente. Somente a graça de Deus nos capacita a perdoar e a aceitar nosso cônjuge. Se esse conceito é assimilado e aceito antes do casamento ou ainda no início, aumenta a possibilidade de ele ser bem sucedido.


Ciúme – um inimigo cruel Há casais que consideram uma prioridade no casamento, talvez sua maior função, esforçar-se para que seu cônjuge possa se desenvolver como pessoa e se tornar quem Deus idealizou que ele fosse. Mas quando o marido ou a esposa cai nas garras do ciúme, não consegue libertar o outro para ser a pessoa que poderia ser. As exigências, o controle, a necessidade de ser o centro de toda a atenção impedem que a vida do cônjuge seja vivida com liberdade e amplitude.


Diversão também faz parte Em um bom relacionamento, os cônjuges costumam se divertir juntos, pois também estão investindo no casamento baseando-se na amizade e camaradagem. É lamentável, mas a amizade estimulante que existe na época do namoro e nos primeiros anos de casamento murcha com o passar do tempo. Deixamos de investir em nossos relacionamentos e agimos como se somente o fato de estar casado já assegurasse a amizade. Mas não é assim que funciona. Precisamos continuar a regar nossos relacionamentos para que eles não murchem e sequem.

Os cônjuges precisam aprender a curtir um ao outro. É importante descobrir preferências e aptidões em comum e investir nelas. Faz bem ao casamento o casal descontrair, deixar o senso de humor vir à tona, divertir-se e aproveitar ao máximo a companhia um do outro. A vida tende a ser mais leve quando se age assim.

Os filhos também aproveitarão muito mais a vida familiar se o ambiente for divertido e tranquilo. Acredito que principalmente os lares cristãos deveriam desenvolver essa característica mais lúdica e descontraída. Pais sisudos, rígidos e tristes, em vez de atrair, espantam não somente os de fora, mas também os familiares. O próprio Senhor diz em sua Palavra: “O coração alegre é bom remédio, mas o espírito abatido faz secar os ossos” (Provérbios 17.22).


Orar juntos Conforme nos aproximamos de Deus, ele nos aproxima mais de nosso cônjuge. Não existe nada mais compensador do que um compromisso com o Senhor Jesus e o seu Reino.

No decorrer de todos esses anos de ministério, no convívio com casais em seminários e aconselhamento, constatei que poucos casais oram juntos algumas vezes por semana. Quero esclarecer que não estou dizendo que o casal que ora junto não tem problemas. Entretanto, o fato de orar mostra que ambos sabem que há soluções e que Deus é soberano sobre toda e qualquer situação. Além disso, o exercício da oração nos dispõe:


  • a Palavra de Deus, que orienta;

  • o Espírito Santo, que intercede a nosso favor diante de Deus;

  • a graça de Deus, que move o seu poder;

  • o Corpo de Cristo, que é nossa família de apoio.

Uma engrenagem não funciona sem lubrificação. Da mesma maneira, um casamento sem compromisso não vai para frente. O compromisso é absolutamente fundamental para um casamento ser bem sucedido. É muito triste que nos dias de hoje, em uma sociedade como a nossa – permissiva e descompromissada, em que cada um está concentrado no ideal de “ser feliz” de qualquer jeito –, o conceito dos laços permanentes no casamento seja desprezado. O casal que aposta em uma relação profunda e sólida não vive pensando “O que eu quero?”, mas sim “O que queremos?”.

Na opinião de Deus, nosso Pai, o compromisso que uma pessoa assume com a outra no casamento precisa ser consistente e imutável. Nunca é tarde para um casal reavaliar sua relação, decidir desenvolver as atitudes ideais que podem, sob a graça do Senhor, resgatá-la, tomando para si o compromisso expressado no altar e a responsabilidade de uma postura madura, que agrada a Deus.

Quando sentimos no coração o desejo sincero e verdadeiro de realizar a vontade de Deus no que se refere ao casamento, precisamos entender que sua determinação primordial é que o casal permaneça junto “até que a morte os separe”. Para isso, os cônjuges devem dedicar-se à relação, investir em seu desenvolvimento e crescimento sob a orientação amorosa do Pai, que é generoso em nos oferecer seu apoio e bênçãos.

#Família

1 visualização0 comentário
  • Twitter Clean
  • w-facebook