• Marcos Garcia

Ponha sua família nas mãos de Deus



A depressão tem sido considerada o mal do século e deve ser tratada como enfermidade, que abrange o espiritual, o emocional e o químico. Durante muitos anos, foi tratada como “frescura” por alguns e “possessão demoníaca” ou falta de fé por outros. Ela pode ser definida como “distúrbio mental caracterizado por depressão persistente ou perda de interesse em atividades, prejudicando significativamente o dia a dia. A pessoa perde o interesse e o prazer pela vida, gerando angústia e prostração, algumas vezes sem um motivo evidente”. Mas dentre as muitas definições que ouvi sobre o que é depressão, uma das que mais me marcaram foi esta: “não achar o caminho de volta”. Já acompanhei e tenho acompanhado muitas famílias que sofrem com esse mal. E por que estou usando a expressão “muitas famílias”? Porque não é só o “paciente” que fica enfermo, mas toda a família é atingida. E quando isso acontece? Não há uma idade definida. A depressão afeta tanto uma criança, um adolescente, um jovem como um idoso. É uma enfermidade capaz de abalar os pilares dos relacionamentos mais profundos, de tirar o prazer pela vida, desde o simples ato de se levantar da cama até se relacionar com a família ou pessoas, de romper com os votos mais profundos feitos por um casal ou com a disposição de amar de pais ou filhos. Quando uma família se depara com essa enfermidade, é preciso ajudar a pessoa enferma a encontrar o caminho de volta. Certa ocasião, li sobre uma pessoa que estava num estado de depressão profunda, e ao ser restaurada contou que só conseguia ouvir alguém dizendo: “Volta, nós amamos você”. Assim, precisamos, como casal e como família, estar preparados caso essa enfermidade chegue ao nosso lar. Em primeiro lugar, deve-se prestar atenção aos sinais. Não julgue uma pessoa como se ela estivesse com moleza, sem vontade de nada. Às vezes esse é um primeiro sinal. Em segundo lugar, não se trata simplesmente de um mal, uma ação maligna, mas muitas vezes é de fato uma questão química, emocional. A pessoa que você ama precisa do seu cuidado, da sua atenção. Conheci uma senhora, com mais de 70 anos, que sofreu a vida inteira de depressão. Como sua família é simples, sem muitas informações, ela sofreu todo tipo de violência, tanto verbal como física. Diziam que ela nunca queria ajudar em nada, que era tudo um teatro, e apenas na terceira idade ela foi diagnosticada de forma correta, tratada e agora leva uma vida quase normal. Mas a cura completa das marcas das agressões que ela sofreu durante toda a sua vida vai demorar muito mais. Nossos adolescentes estão vivendo isso de forma cada vez maior. Não são raras as mutilações e até mesmo o suicídio. Por quê? Eles não entenderam os sinais da enfermidade nem pediram ajuda a seus pais, ou seus pais não perceberam. Quero desafiar você a estudar o tema, a prestar atenção aos sintomas, às ações, reações ou falta delas. Não transfira essa questão só para a área espiritual, pois pode ser um problema químico ou emocional. Procure ajuda, tratamento, cura. Não espere o pior, não espere um suicídio chegar à sua família ou à família da fé. O melhor remédio é atenção. Não podemos simplesmente esperar, achar que vai melhorar. A melhora virá com um tratamento completo, espiritual, emocional, químico, mas em especial com todo o compromisso da família. Sua família está nas mãos de Deus. Então, cuide bem dela, mas cuide também da sua saúde.

#AfamílianasmãosdeDeus

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