• Marcos Quaresma

Namore com sua melhor amizade



“O amor... sempre procura o melhor.” – 1 Coríntios 13.7

Boa parte dos namoros começa pela atração física, um bom papo ou uma paixão incontrolável. Namorar com um(a) amigo(a) não é algo comum. Alguns dizem que se é boa amizade, não serve para namorar, o que é um engano, pois o namoro, para durar, precisa acontecer entre dois amigos de verdade, porque a beleza muda, o papo do Dom Juan perde o encanto e a paixão tem vida curta. E como conhecer um amigo de verdade, quem sabe namorar? Simples: alguém é seu amigo se você desejar estar com ele por nada, só porque ele é ele e você é você. Claro que amigos fazem coisas juntos, mas não é o primeiro motivo de uma amizade. Rubem Alves diz no seu livro Retrato de amor que antes de casar devemos perguntar se seremos capazes de conversar com o outro até o fim da vida sem enjoar, porque “erótica é a alma”, arremata, citando Adélia Prado. Sim, uma boa amizade pode se transformar em um amor verdadeiro e duradouro. O bispo Robinson Cavalcanti dizia, em tom de humor, que muitos namoros evangélicos são “pentecostais”, pois possuem “mistura de línguas, imposição de mãos e o fogo queimando”. Conquanto isso seja verdade em alguns casos, o Bureau de Pesquisa e Estatística Cristã (Bepec) entrevistou 4,2 mil jovens evangélicos brasileiros e constatou que “quase 60% disseram nunca ter praticado sexo”, contrariando o que muitos imaginam. Sim, é mais fácil adicionar o sexo a uma relação de amizade do que desenvolver a amizade entre um casal que já possui uma vida sexual ativa. Muitos jovens cristãos brasileiros estão descobrindo isso. Amém! Como posso saber se meu namoro é bom ou não? Dorothy F. de Quijada diz que um namoro possui amor e pode evoluir para um casamento sadio se o casal souber dividir, estimular um ao outro, respeitar, aceitar os costumes diferentes, resolver as brigas e esperar o tempo certo. Vejamos cada uma dessas características: O dividir – Sou capaz de dividir com o outro o que tenho, até mesmo minhas decisões? Nós fazemos planos, decidimos juntos ou eu decido o que vou fazer e depois informo? A força – Há relações amorosas que estimulam a criatividade e outras que tiram a energia. Conversamos e nos estimulamos sobre os projetos pessoais e os sonhos futuros de cada um ou coloco obstáculos cada vez que o outro compartilha seus desejos? O respeito – Sinto verdadeiro respeito e tenho orgulho do meu(minha) companheiro(a) a quem admiro e em quem confio? Só há amor com respeito e valorização, pois respeitar é considerar a opinião e sentimentos do outro mesmo quando diferentes dos meus. Os costumes e hábitos – Quem ama aceita o outro como é. Tenho acompanhado pessoas que estão tristes há anos porque tentam mudar o marido ou a esposa e não conseguem. Tentar mudar alguém é uma tarefa desgastante. Há, entretanto, formas de ajudar a pessoa a melhorar, especialmente quanto à comunicação, mas se os costumes do outro são um grande obstáculo para uma boa relação, é melhor repensar a continuidade dela. Os choques ou brigas – Se um espera que o outro ceda sempre ou que todas as vezes tome a iniciativa quando há problemas, se não há pedidos de perdão ou um sempre deseja ter razão, os choques aparecem. Conflitos são inevitáveis, mas o importante é desenvolver a habilidade de solucioná-los com respeito e usá-los para o amadurecimento da relação. Um casamento só deve acontecer se os namorados já brigaram e conseguiram se perdoar. O tempo – Dizem que o tempo resolve tudo, mas nem sempre é assim. Ele é apenas o espaço no qual pessoa e personagem se encontram. No namoro, conhecemos a personagem, que é arrumada e perfumada, mas é preciso conhecer também os segredos da pessoa que habita na personagem. Um casal amadurece para o casamento quando nesse tempo pode criar ambientes de revelações de pensamentos e sentimentos expostos um ao outro: “Não case até passar um verão e um inverno com quem ama”. Finalmente, uma recomendação aos jovens cristãos que estão namorando e pensando em casar: não case para ser feliz ou para fazer o outro feliz, case quando você for feliz. Só Jesus pode fazer uma pessoa feliz. É possível ajudar, mas a expectativa de que o outro promova sua felicidade vai gerar queixas e frustrações futuras por sonhos depositados nas mãos do outro, que, por mais que se esforce, não conseguirá promover a felicidade de alguém. Precisamos primeiro nos encontrar com Deus e depois dar as mãos a alguém que também já se encontrou com Ele e com essa pessoa construir uma família. Resumindo, primeiro é preciso encontrar a felicidade em Jesus, então apenas namorar alguém com quem tenhamos uma boa amizade, o que poderá se tornar num verdadeiro amor maduro. Que o Senhor abençoe os namoros cristãos para que se tornem bons casamentos cristãos.

#NamoroCristão

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