• Patricia Bezerra

Depressão pós-parto: você é capaz de vencer!



Imagine uma mulher que se depara com uma notícia tão incrível quanto aterrorizante: você será mãe! Um simples exame de farmácia ou o resultado de uma análise do sangue confirma uma suspeita ou surpreende você com essa novidade que irá transformá-la definitivamente. Quando a revelação se dá, as células já estão se multiplicando, os hormônios em picos e as emoções à flor da pele. Características muito particulares dividem os três trimestres de uma gestação sem intercorrências. E, gradativamente, as alterações no corpo da mulher vão se tornando visíveis, alterando os contornos e dando espaço a um novo ser. Incrível! Nesse momento, a mulher é elevada a um patamar quase sagrado, atrai os olhares e a atenção de todos. Observar uma gestante é contemplar o ciclo da vida, os processos, as gerações, os legados… Desse modo, durante essas 40 semanas, internamente existe uma vinculação profunda. Cada movimento é uma interação e gera a expectativa do grande encontro. Externamente, há toda essa atmosfera do divino que envolve o gerar uma vida, e a mulher passa a conter algo que tem um imenso valor. O estar gestante a eleva. Chega o grande dia. Ela dará à luz. Nesse exato momento, o protagonismo da mulher encontra o ápice. A vida que estava contida dentro dela passa a respirar sozinha. O cordão é rompido, e os holofotes se voltam para aquele ser encantador que arrebata a todos com qualquer gesto (exceto com a fralda suja!). Os sentimentos que envolvem esse momento são extremamente complexos e, do ponto de vista emocional, controversos. Independentemente de ser ou não uma primeira gestação, os hormônios têm alterações abruptas e extremamente significativas. Adaptar-se à nova rotina não é tão poético, tampouco simples. As alterações sofridas no corpo não se restabelecem com tanta facilidade – a não ser para uma pequena parcela de afortunadas ou atletas. Todas as atenções se voltam para o bebê, e aquela sensação da ligação umbilical se rompe. É nessa hora que é preciso se atentar aos indícios de uma depressão pós-parto, que é muito diferente do conhecido “Baby Blues”, que é o medo e a insegurança desse novo momento, que envolve todas essas emoções e sentimentos descritos anteriormente. Na depressão pós-parto, podemos observar uma rejeição pelo papel a cumprir ou pela própria criança. Inconscientemente, a mãe tem sentimentos contraditórios em relação àquele momento. Há uma ambivalência que fragiliza a mulher, que não se sente apta para cumprir seu papel. Existe uma apatia provocada por uma profunda tristeza. Essa depressão pós-parto está muito relacionada às vivências anteriores dos afetos dessa mulher, o medo de não ser suficientemente boa, e as inseguranças afloram de forma paralisante. Falta de fome, de sono ou sono excessivo, falta de interesse pelo bebê ou por convívio social, a introspecção exacerbada são preocupantes. Qualquer mãe no pós-parto que sinta essa angústia a ponto de não ter prazer naquele momento deve procurar ajuda profissional. A depressão pós-parto é plenamente sanada com um acompanhamento multidisciplinar e apoio do marido, familiares e amigos. Amparar a mãe sem pressões ou cobranças e cooperar no cuidado com o bebê nessa fase mais exigente são de fundamental importância para que essa mãe consiga trabalhar internamente as suas emoções e pouco a pouco recuperar a confiança em suas habilidades e instintos. Uma observação importante a ser feita por alguém que sofreu na pele uma pseudodepressão pós-parto: faça um exame de tireoide assim que deixar a maternidade. Por exatos nove meses eu sofri com sintomas idênticos aos da depressão, mas era um hipotireoidismo autoimune. Mais de 85% dos casos de depressão pós-parto são hipotireoidismo não identificado. Mas saiba, mulher, mãe, filha, irmã, você é perfeitamente capaz de desempenhar esse papel de ser mãe e qualquer outro que você desejar, porque Deus a criou com essa propriedade. Pode até bater aquele vento da dúvida, mas é só para você lembrar que o seu redentor vive e que Ele é – sempre! – o nosso socorro no dia da angústia, no dia da depressão, no dia em que estivermos precisando daquele colo do Pai. Para você, meu abraço!

#Depressão

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