Como lidar com os eventos doloridos e a tristeza que contribuem para a doença



A grande verdade é que passamos uma boa parte de nosso tempo lutando contra a ansiedade, que está impregnada em nosso coração. Muitas vezes acordamos pensando no que acontecerá no dia e nem falamos com Deus sobre as necessidades da alma, e uma delas é depender da graça, como Paulo aprendeu a fazer, por isso pôde dizer: posso todas as coisas naquele que me fortalece. A ansiedade nos tira o chão e nos faz viver dependentes do agora, das soluções imediatas da vida. Ansiedade é a preocupação demasiada com as necessidades primárias e as secundárias, as necessidades básicas e as supérfluas, as necessidades reais e as imaginárias. A ansiedade é tão complicada na nossa vida que ela pode causar úlcera, colite, asma, doenças do coração e outros distúrbios orgânicos. Resumindo, a ansiedade surge em nosso ser para tirar a paz do nosso coração. Vivemos um processo delicado na vida quanto à tristeza e aos momentos doloridos. Perdemos o chão facilmente diante dessas situações. Algumas vezes, até nos rebelamos diante de Deus. Passamos a questioná-lo, achando que Ele se esqueceu de nós porque passamos por lutas, dores e tristezas profundas na alma. Precisamos aprender a dar um tempo nas nossas relações (feridas, dores) para experimentarmos a transformação vinda do Eterno Deus. Quando cremos nisso, temos descanso e perseverança diante do Pai nas nossas orações e assim encontramos forças no meio das fraquezas e angústias da alma. Paulo é um grande exemplo de alguém que teve forças na fraqueza, e a oração foi um ponto fundamental para isso. No capítulo 12 de 2 Coríntios, ele diz: “… acerca do qual três vezes roguei ao Senhor que o afastasse de mim; e ele me disse: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (vv. 8-9a). Na vida cristã, vivemos momentos de imediatismo. Não queremos que uma resposta demore mais que uma semana, não temos paciência para esperar as respostas de Deus no tempo d’Ele. Só que essa não é a perspectiva dada pela Palavra de Deus, pois ela nos ensina a viver em função da graça de Deus. Paulo está numa crise, tem um espinho na carne, está sofrendo e está triste demais. Ele pede por três vezes para que esse espinho saia da sua vida, e qual é a resposta do Pai? A minha graça te basta. A resposta é essa mesma. Deus mostra que ele não era filho da desgraça, ao contrário, era revestido de uma graça radiante dentro do seu coração que o faria viver com tranquilidade, mesmo com aquele espinho na carne que tanto afligia sua alma. É bom pararmos um pouco e refletirmos sobre a ideia de vivermos pela graça de Deus, pois ela é absolutamente suficiente e eficiente para tudo o que fazemos e passamos na vida. A graça de Deus se multiplica quando cremos que os espaços vazios da nossa vida são preenchidos pela ação de Deus ou quando entendemos que o nada é a substância essencial para Deus fazer algo de especial na nossa vida. Vivendo sob a graça de Deus, passamos a compreender que o pouco é necessário para Deus fazer muito na nossa vida. Que os espinhos na carne são importantes para vermos a graça d’Ele sendo derramada em nosso coração. A graça de Deus recolhe todos os cacos da nossa vida. Deus os ajunta de modo que nos pareçamos mais com Jesus. Sofremos, choramos, perdemos e temos inúmeras lutas na vida, mas no meio de tudo isso vemos a graça que nos sustenta. Paulo diz que a graça de Deus nos sustenta. Ela nos dá confiança. Na hora da dor, a graça de Deus dará à luz algo bom e precioso para o nosso crescimento espiritual. A graça divina ajudou Paulo a celebrar Deus no meio da fraqueza. Essa atitude de Paulo fez com que as comportas da graça fossem abertas na sua vida. Aquele espinho tão difícil na vida dele o ajudou a ver mais da graça e do cuidado divino na sua jornada terrena. Nessa história da graça divina vemos o poder de Deus atraído pela fraqueza. A graça divina sempre olha para os necessitados e fracos. A graça sustenta, alimenta e fortalece os fracos na vida. Não é por acaso que o texto afirma: “A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo”. Não nos esqueçamos: a graça de Deus nos sustenta em todos os momentos da nossa vida! Ela nos ajuda a prosseguir em lutas e necessidades. Davi diz que a graça de Deus é melhor do que a sua própria vida (Salmos 63.3). A graça de Deus nos mantém no foco, n’Ele, na vontade d’Ele, na providência eterna d’Ele. O recado de Deus para nós diante do nosso problema, da nossa dor, da nossa angústia e da depressão é: a minha graça te basta. Os espinhos na carne vêm de Deus para mostrar a nossa fraqueza e necessidade de dependência d’Ele por meio da oração. O resultado do espinho na carne para Paulo é que ele aprendeu a se gloriar nas fraquezas, e o poder de Deus fez sentido em sua vida. Ele aprendeu a descansar em Deus Pai. Na hora da fraqueza, pôde dizer que era forte por amor a Cristo, para que repousasse nele o poder de Cristo e não dele mesmo. Paulo teve boa vontade e prazer nos momentos difíceis como resultado de um lapidar do seu caráter formado em Cristo, no poder de Cristo, por amor a Cristo. Diante dessa realidade de dor, angústia, sofrimento, tristeza e problemas diversos da vida, o que podemos fazer?

Aprendamos a ser tratados por Deus na dor Glenio Fonseca Paranaguá fala sobre as aflições como bênçãos da dependência do Pai. No seu livro As bênçãos na aflição, ele diz algo extremamente profundo e relevante: “O vale da sombra da morte se constitui num campo de tratamento de Deus para o nosso aperfeiçoamento espiritual”. Essa afirmação é uma verdade profunda e importante para nós, pois nas horas escuras e sombrias da nossa vida é que percebemos o tratamento de Deus e o quanto precisamos descansar inteiramente n’Ele por meio da oração. É interessante que as almas mais nobres e as vidas mais sublimes são exatamente as mais tentadas. Só quando percebemos que somos fracos é que realmente podemos recorrer àquele que é forte. As provas, os espinhos na carne e as tentações da vida não nos enfraquecem, mas apontam os nossos pontos fracos, de sorte que apelamos para a suficiência da graça e, desse modo, somos fortalecidos pelo Pai e aprendemos a descansar sempre n’Ele. A fraqueza é o único meio de sermos conscientizados da necessidade de dependência do Senhor, da necessidade de irmos descansar nos braços eternos do Pai. A fraqueza sempre abre portas para a nossa dependência de Deus e nos mantém submissos à sua vontade e graça. Os espinhos na carne não são manifestações de tortura divina, mas bênçãos especiais enviadas para o desenvolvimento da experiência cristã autêntica, para que aprendamos o que significa descansar na graça do Pai e assim nos tornarmos fortes no meio das fraquezas, a ponto de dizermos as mesmas palavras de Paulo: “Porque quando estou fraco, então é que sou forte”. John MacArthur, em seu livro Nossa suficiência em Cristo. Três influências letais que minam a sua vida espiritual, diz algo muito precioso para o nosso coração: “Problemas, tentações e dor são inevitáveis na vida. Mas lembre-se de que Deus os usa para produzir os preciosos frutos da humildade, comunhão e glória. Ele poderá não removê-los da nossa vida, mas promete graça suficiente para nos capacitar a suportá-los com alegria por causa da submissão que temos da vontade dele para nós”.

É exatamente nas lacunas da fraqueza que encontramos forças para viver na graça de Deus Pai por meio da oração.

Aprendamos a ser tratados por Deus orando Acredito que o belo e santo remédio para a nossa ansiedade, angústia, sofrimento, tristeza e problemas diversos da vida é a oração. Karl Barth disse que “entrelaçar as mãos em oração é o começo de uma revolução contra a desordem do mundo”. Eugene Peterson disse: “Uma vida de oração nos obriga a lidar com a realidade do mundo e da nossa própria vida a uma profundidade e a um nível de honestidade raramente experimentados pelos que não oram”. O mestre Jesus disse: “Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário?”. Não andar ansioso é colocar os desejos, angústias, sofrimentos, tristezas e ansiedades diante do Eterno Deus. É abrir, é rasgar a alma perante o dono da nossa vida e dizer tudo o que se passa lá dentro. Precisamos abrir as janelas da nossa alma diante d’Aquele que nos sonda e sabe do que precisamos. Como diz Eugene Peterson na obra A oração que Deus ouve: Os salmos como guia básico de oração: “Oração é a linguagem utilizada no relacionamento pessoal com Deus. Ela expressa profundamente o que sentimos, ansiamos ou respondemos diante de Deus. Ele fala conosco e nossas respostas são as nossas orações. Essas respostas nem sempre são articuladas: silêncio, suspiros e grunhidos também constituem respostas. Elas nem sempre são positivas: ira, ceticismo e blasfêmias também são respostas. Porém, sempre Deus está envolvido, quer na escuridão, quer na luz, em fé ou desespero. É difícil nos acostumarmos com isso, pois temos o hábito de falar sobre Deus, não com Ele. Amamos discutir sobre Deus, porém os Salmos resistem a esta tendência. Eles não nos foram concedidos para ensinar coisas sobre Deus, mas para nos treinar em responder a Ele. Não aprendemos os Salmos até que os estejamos orando”. E ele diz mais: “Tais texturas, a poesia e a oração, são responsáveis tanto pelo entusiasmo quanto pela dificuldade em lidar com este texto. A poesia requer que lidemos com nossa verdadeira humanidade, pois as palavras mergulham abaixo da superfície de prosa e pretensão, indo direto às profundezas. Nós nos sentimos mais confortáveis com a prosa, a linguagem passiva de nosso discurso de distanciamento. A oração exige que lidemos com o próprio Deus, que está determinado a realizar nada menos que a total renovação de nossa vida”. Queremos tratamento divino para a tristeza, ansiedade, dor e depressão? Entremos no quarto e abramos o coração perante o médico da alma para qualquer crise que vivamos e aprendamos a depender d’Ele sempre.

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