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O que os jovens e adolescentes esperam de seu pai



No livro de Provérbios há um texto que me chama atenção: “Seis coisas o Senhor aborrece, e a sétima a sua alma abomina: olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que trama projetos iníquos, pés que se apressam a correr para o mal, testemunha falsa que profere mentiras e o que semeia contendas entre irmãos” (6.16-19). É importante perceber que dessas sete coisas, três são pecados da língua. Deus odeia a mentira, e todo mentiroso será castigado, conforme lemos em Salmos 7.12-16. Agostinho de Hipona disse, no quinto século, que um pai deve começar a educar seus filhos vinte anos antes de eles nascerem. A semeadura que um adolescente faz em seu relacionamento com seus pais será colhida no futuro em relação aos seus próprios filhos. A paternidade é, portanto, uma das mais nobres missões que Deus concedeu ao homem e também uma das mais árduas. É mais fácil ter sucesso fora dos portões do que dentro do lar. É mais fácil ser reconhecido no relacionamento com os amigos do que no relacionamento com os filhos. Muitos homens foram verdadeiros heróis fora de casa e ao mesmo tempo colheram derrotas amargas dentro do lar. Homens como o sacerdote Eli e o rei Davi tiveram importantes vitórias como sacerdote e rei de Israel respectivamente, mas sofreram acachapantes derrotas dentro do lar, como pais. Lideraram com sucesso os de fora e fracassaram com os de dentro de casa. Foram gigantes para os filhos dos outros, mas pigmeus para seus próprios filhos. A missão de educar os filhos é uma responsabilidade precípua dos pais (homens). Cabe a eles o elevado privilégio e a imensa responsabilidade de criar os filhos na disciplina e na admoestação do Senhor (Efésios 6.4). A palavra grega em Efésios 6.4 refere-se a pais homens. Sobretudo, numa conjuntura em que muitos fatores influenciam a vida dos jovens e adolescentes, como as redes sociais, a escola e os amigos, agiganta-se ainda mais o cuidado que os pais devem ter em relação aos seus filhos. O que os jovens e adolescentes esperam de seu pai nessa sociedade tão secularizada e tão bombardeada por tantas influências? Em primeiro lugar, os jovens e adolescentes esperam que seus pais não os provoquem à ira. O apóstolo Paulo ordenou aos pais a não provocarem seus filhos à ira nem a tratá-los com amargura, a fim de não ficarem desanimados. Um pai provoca seus filhos à ira quando exige deles aquilo que ele mesmo não pratica. De igual forma, quando compara um filho com outro, para enaltecer um e diminuir o outro. Também, quando trata os filhos com rigor desmesurado ou com proteção exagerada. O rigor exagerado produz filhos revoltados e a proteção excessiva produz filhos mimados. Os pais precisam ser consistentes. Sua vida precisa ser avalista de seus ensinos. Os filhos veem mais a vida dos pais do que escutam seus ensinos. O exemplo não é apenas uma forma de ensinar, mas a única forma eficaz de fazê-lo. Em segundo lugar, os jovens e adolescentes esperam que seus pais estabeleçam-lhes limites. Filhos sem limites são filhos expostos a imensos perigos. Os pais precisam saber aonde os filhos vão, com quem vão e o que fazem. Os pais precisam definir para os filhos a hora de sair de casa e a hora de chegar em casa. Pais permissivos demais, em nome da confiança, expõem os filhos a riscos desnecessários. A disciplina dos filhos, portanto, inclui limites. Os pais precisam aprender a dizer não para os filhos. Mesmo que isso no momento os desagrade, poupá-los-á de grande tragédias no futuro. Os pais precisam, como a águia, colocar o ninho de seus filhos em lugares altos e seguros, longe dos predadores. Estes estão por toda parte espreitando nossos filhos. Cabe aos pais proteger seus filhos! Em terceiro lugar, os jovens e adolescentes esperam que seus pais tenham um canal de comunicação aberto com eles. Os pais devem criar os filhos não apenas na disciplina, mas também na admoestação do Senhor. A palavra “admoestação” está relacionada ao diálogo, à comunicação, à exortação. Os pais precisam construir pontes de contato com os filhos em vez de cavar abismos nos relacionamentos. Precisam ter avenidas abertas de comunicação com os filhos, a fim de que eles tenham liberdade de repartir com os pais suas alegrias e seus dramas. Em quarto lugar, os jovens e adolescentes esperam que seus pais tenham tempo para eles. Muitos pais vivem ocupados demais para se ocuparem com seus filhos. Há pais que colocam o trabalho ou mesmo outros relacionamentos no lugar dos filhos. Muitos pais lutam para deixar um belo patrimônio material para os filhos, mas perdem os filhos nessa empreitada. Alguns alcançam o topo da pirâmide social, mas constroem esse sucesso profissional e financeiro sobre os escombros da família. Os nossos filhos são o nosso maior tesouro. Eles são herança de Deus e devemos dar a eles prioridade. Nossos filhos não precisam tanto de presentes, mas de presença! Em quinto lugar, os jovens e adolescentes esperam que seus pais sejam seus intercessores. Os filhos precisam mais do que de casa, roupa, comida, escola e proteção. Eles precisam, sobretudo, da graça de Deus. Os pais precisam se colocar na brecha em favor dos filhos. Precisam falar mais de seus filhos para Deus do que de Deus para seus filhos. Os pais não podem desistir de ver seus filhos sendo levantados por Deus como reparadores de brechas em nossa geração. Os pais precisam orar pelos filhos, chorar por eles, lutar por eles e não descansar até vê-los salvos e cheios do Espírito Santo. Em sexto lugar, os jovens e adolescentes esperam que seus pais sejam cheios de misericórdia e tenham disposição de perdoá-los em suas fraquezas. Há muitos pais que são duros demais, severos demais, e tratam os filhos com tamanho rigor, que os filhos não veem neles nenhum sinal de tolerância e misericórdia. Os pais precisam perdoar seus filhos em suas fraquezas. Precisam dar a eles uma nova chance de recomeçar. Como o pai do filho pródigo, precisam correr para abraçar os pródigos que voltam para o lar, celebrando com alegria essa volta. Onde a graça de Deus governa, há flexibilidade e doçura. Onde o amor de Deus prevalece, a família é lugar de cura. Onde a misericórdia divina está presente, o lar torna-se o lugar mais saudável para viver. Onde a família é forte, a igreja é forte. Onde a família é a base da sociedade, a nação é bem-aventurada.

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