Educação da liberdade – desafio para a autoridade dos pais



Educar faz parte do compromisso que os pais assumem compulsoriamente quando resolvem ter um filho. Não há como fugir desta responsabilidade: ser pai ou mãe é muito mais que ter um filho. Ser pai ou mãe é exercer autoridade para formar cidadãos capazes de dar continuidade à história da Terra. A educação é a ferramenta de que dispomos para formar esses cidadãos. Bem usada, essa ferramenta permite que formemos seres humanos para agir como humanos. Isso faz toda a diferença num mundo em que as pessoas são embrutecidas, “coisificadas”, destruídas em sua essência e por vezes “animalizadas”. Ser humano e agir como humano é o resultado de um processo de gestação familiar focado na educação. Educar é o objeto da autoridade. Desprovida da educação, a autoridade corrompe seu papel e oprime, cerceia, impõe, adoece e mata. A autoridade que se vale da educação instrumental é a mais bem sucedida, bela e honrosa. A educação sociabiliza o indivíduo. Permite seu desenvolvimento intelectual e emocional. A educação envolve as tarefas de ensinar e aprender. E essas tarefas não se limitam ao contexto escolar; começa, efetivamente, em casa. A maneira mais eficaz de estabelecer os limites da liberdade é pela educação. E os pais são a primeira autoridade nesse assunto, pois a eles cabe o dever de mentorear e disciplinar o comportamento dos filhos. Lamentavelmente, muitos pais terceirizam essa responsabilidade para se dedicarem ao trabalho, e os filhos são instruídos pelas creches, escolas e babás. Isso é muito grave, pois a tarefa de educar a liberdade é um aspecto da educação que pertence aos pais. Sabemos que a liberdade é um patrimônio do indivíduo que deve ser garantido e protegido pela família. A liberdade é a capacidade de transitar, de ir e vir, de tomar decisões baseadas na vontade própria, de ter autonomia para agir, de fazer, de criar, de construir, etc. Tal liberdade dá ao indivíduo o direito de ser gente e exercer todas as suas faculdades. Mas a liberdade precisa ser educada. A educação agrega os conceitos morais e os princípios de convivência, de modo que o indivíduo desenvolve o entendimento de como usar a sua liberdade. Os princípios e valores aplicados pela educação é que norteiam as inclinações morais da pessoa no usufruto da liberdade. Pais que não cuidam da educação da liberdade acabam gerando filhos despreparados para a vida. Muito dos comportamentos inadequados que ferem a boa convivência poderia ser evitado se os pais tivessem educado a liberdade dos filhos. Filhos que desrespeitam o espaço, o tempo, as pessoas e vivem em torno de si mesmos têm um comportamento que acusa a ausência de autoridade e, consequentemente, de educação. De modo prático, educar a liberdade é estabelecer filtros para a autonomia. Tais filtros são construídos com a aplicação de princípios, regras e instruções. O uso da autoridade para isso é fundamental. Não é o autoritarismo – cuja ação é impositiva e altamente dominante. É a autoridade em seu aspecto mais inspirador, a que atrai os filhos pelo poder referencial: quando os filhos enxergam os pais como referência e os tem como modelo de comportamento a ser seguido, aí se configura a autoridade parental. Os filhos carecem da supervisão dos pais para que sua liberdade seja plenamente educada. Não é uma tarefa única, pontual e isolada. Antes, é uma tarefa que dura anos. Os pais precisam de paciência e disposição para repetir incontáveis vezes as mesmas regras e acompanhar o desempenho dos filhos. Os principais filtros que os pais devem estabelecer para educar a liberdade dos filhos são: amor, respeito, honestidade, reciprocidade e humildade. A partir desses filtros, os pais convidam os filhos para avaliar suas próprias ações e julgar se elas estão condizentes com esses princípios. Fazendo isso sempre que for necessário, os pais ajudarão seus filhos a entenderem os limites de sua liberdade e formarão o caráter deles firmados nesses valores basais. Os princípios incutidos pela educação darão segurança aos filhos quando da tomada de decisões. Eles saberão que um comportamento que fere seus valores nunca será celebrado. Nem alimentarão os desejos escusos que comprometem a vida em comunidade. A liberdade controlada pelos princípios será muito mais desfrutável e resultará na felicidade dos filhos e das pessoas com as quais eles convivem.

#Criaçãodefilhos

  • Twitter Clean
  • w-facebook
This site was designed with the
.com
website builder. Create your website today.
Start Now