A construção da comunicação



Como anda sua comunicação em seu lar? Quando você fala, há um entendimento por parte da outra pessoa? Sua comunicação é boa? Que ações têm sido praticadas para melhorá-la? Aos dez anos de casados, minha esposa e eu desejamos ter nosso primeiro filho. Durante os meses de gravidez, conversamos sobre os mais variados aspectos da sua educação, fosse ela de berço, cristã ou escolar. Após observar (reparar mesmo) os erros dos outros na criação de seus filhos, combinamos como seria a nossa ação e reação diante das várias situações observadas. Pusemos o plano em prática. Passados quatro anos, temos satisfação por um filho que nos orgulha. Mais que isso, a criação de nosso filho é até aqui um dos projetos mais bem sucedidos em nosso casamento; diria mesmo que é o nosso projeto conjunto com maior número de acertos. Há um segredo para isso? Sim, há. E não é a comunicação em si. Sabemos que é preciso comunicar, que a comunicação é a área mais complexa nos relacionamentos e a que mais afeta casais e famílias. O segredo, então, é praticar aquilo que sabemos ser necessário. Conhecemos os benefícios da comunicação, mas usufruímos pouco do que ela pode dar. “Quem não se comunica se trumbica”, dizia o famoso apresentador – e é verdade! Há livros e mais livros sobre o tema; nós os compramos, lemos, ouvimos seus autores. Mas é preciso realizar a comunicação e não apenas elaborá-la ou aprender sobre ela. É preciso ter vontade e disposição de exercer a comunicação no lar e em outros ambientes.

Entende o que eu digo? Surgem, então, duas questões: o que é comunicar? E como comunicar-se? Comunicar é tornar comum, partilhar uma informação, uma mensagem, uma ideia ou mesmo um desejo. Gary Collins diz que a comunicação envolve o envio de mensagens verbais e não verbais. “Quando a mensagem verbal e a não verbal se contradizem (...) isso causa confusão e interrupção da comunicação” (Aconselhamento cristão, Ed. Vida Nova). E acrescenta que “a boa comunicação requer que a mensagem enviada seja idêntica à mensagem recebida”. Se um marido compra um presente porque ama a sua esposa, mas ela acha que ele não a ama porque nunca diz “eu te amo”, então ela começa a imaginar que ele comprou o presente porque se sente culpado de alguma coisa. Está havendo má comunicação aqui, porque a mensagem enviada não é a mensagem que é recebida. É preciso saber como as pessoas nos compreendem (o que os psicólogos chamam de comunicação ativa). Os profissionais da comunicação sempre querem saber qual é o público a quem dirigem sua mensagem. Essa informação determinará a linguagem, os símbolos, o vocabulário e as expressões usadas para que a comunicação seja recebida adequadamente e faça sentido. Se a mensagem não fizer sentido, não haverá comunicação.

Prova de amor Dessa forma, a exigência vai além de simplesmente falar. Comunicar-se satisfatoriamente envolve o amor à pessoa com quem nos comunicamos, porque exige de nós a preocupação com o modo como seremos entendidos e o esforço de averiguar se fomos compreendidos. Não basta despejar palavras e transferir a responsabilidade à outra pessoa; isso pode dar a falsa sensação de aliviar a consciência por haver dito algo, mas não é comunicação. Às vezes é provocação! Essa questão é especialmente grave quando envolve pais de adolescentes, pois estes nutrem códigos de linguagem diferentes daqueles utilizados pelos pais. Assim, há instruções e informações que precisam ser detalhadas, dadas as razões e simplificadas para que seja estabelecido um contato frutífero entre pais e filhos, e assim traumas serão evitados. O Dr. Everett Worthington associa a comunicação com a necessidade de dar e receber amor, portanto comunicar é manifestar amor. Ele afirma que a boa comunicação deve “comunicar amor diretamente; positivamente; prestando atenção; compartilhando informações, experiências, sentimentos e valores; assegurando tempo para se comunicar; e evitando desvalorizar a comunicação” (Casamento, ainda resta uma esperança, Ed. Palavra). Parceiros com padrões saudáveis de relacionamento “comunicam seu amor um pelo outro diretamente através de modos que cada parceiro consegue entender; comunicam os aspectos dos relacionamentos deles que eles valorizam – as partes positivas; escutam um ao outro com respeito; compartilham experiências, incluindo (a) informações importantes, (b) seus pensamentos, necessidades percebidas e desejos, (c) seus sentimentos e (d) seus valores e disponibilizam tempo e oportunidade para uma boa comunicação”.

Brainstorm Em uma reunião para elaboração de uma peça publicitária, os participantes têm um momento de criatividade em estado bruto chamado brainstorm (tempestade de ideias). É quando dizemos e anotamos qualquer ideia, expressão ou dado. Depois, essas informações são elaboradas até tomar a forma de um anúncio ou uma peça. Em nossos relacionamentos, temos os momentos de brainstorm, só que esses não são momentos criativos, mas momentos perigosos, pois eventualmente “entregamos” a mensagem da forma como surge em nossa mente. A boa comunicação deve ser elaborada, trabalhada, refinada. Isso exigirá um tempo de depuração, quando aquilo que não serve dará lugar a palavras e expressões que edificam, que constroem, que curam e expressam amor. A má elaboração do modo como nos comunicamos dará lugar a relacionamentos infrutíferos, doentios e amargos. Por isso, valem algumas dicas que ajudam a evitar desgastes e promover uma relação saudável com pessoas do nosso convívio: 1. Gaste tempo meditando na maneira como irá transmitir uma informação. Veja a questão por ângulos distintos, pelo ponto de vista da outra parte, e avalie se o que você pensa contempla todos os aspectos da questão. 2. Escolha o momento adequado para falar. Quando o cônjuge chega cansado do trabalho, não é a melhor hora para falar de problemas cotidianos. 3. Escolha palavras certas e precisas. Seja econômico, sem omitir informações. Algumas palavras, dependendo da situação, podem parecer ofensivas ou provocantes. 4. Convide a pessoa (cônjuge ou filho) para a conversa. Pergunte se está disposta a tratar de determinado assunto naquela hora e sentem-se para conversar. Faça daquele momento a prioridade, deixando de lado outras atividades que estiverem fazendo. Valorize aquele momento. 5. Certifique-se de que foi compreendido(a). Depois de falar, pergunte se a pessoa entendeu e se é assim que ela pensa. 6. Saiba ouvir. Dê oportunidade para a outra pessoa expressar suas impressões e argumentar. Muitas vezes não vemos todos os elementos que envolvem determinada questão e podemos ser surpreendidos com uma melhor abordagem de um problema. 7. Faça follow up. Quando aquilo que foi conversado e combinado acontecer, recorde seu cônjuge ou seu filho de quando elaboraram aquela estratégia, de quando planejaram fazer determinada coisa e vivam a alegria de ter alcançado os objetivos propostos. Isso fortalecerá e dará mais espaço para que a comunicação seja mais valorizada no relacionamento diário.

#Comunicaçãoação

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