O tênis de Natal



Daniel é um adolescente de classe média “vidrado” em esporte, que vive em meio a uma turma muito exigente: para entrar no grupo é preciso ter o tênis oficial da NBA! O único problema: ele ainda não havia conseguido comprar o bendito tênis!

Seu pai não aguentava mais ouvir o filho pedindo, e até exigindo, o tênis como presente de Natal. O detalhe é que o preço é uma fortuna! “Como vou dar esse tênis a ele se estou correndo o risco de ser demitido no próximo mês? Será que esse garoto só enxerga a si mesmo e não quer saber o que se passa com a família?”

Dani era especialista em perturbar os pais para conseguir o que queria. Usava desde o “choro malandro”, dizendo-se vítima da família, até bilhetes nos bolsos dos pais, debaixo da xícara de café, no porta-guardanapo, etc.

Chegou o Natal, e os pais de Dani, pressionados por sua chantagem emocional, fazem o que não deveriam e entram em dívidas para satisfazer o desejo do filho – e compram o tênis oficial da NBA!

“Não estou nem aí! O que importa é eu ter conseguido o que queria! Os fins justificam os meios”, pensou Daniel, sem saber que a última frase foi inventada por um indivíduo chamado Maquiavel! “Agora vou poder entrar para a turma! Serei especial, serei da turma que usa o tênis da NBA! Todos vão olhar para mim e dizer: esse cara é demais; olha só o tênis dele!”

Quando Daniel chega à rua, indo ao encontro de sua nova turma, é abordado por um homem de vestimentas um tanto quanto diferentes (visual agradável a um adolescente!).

– Oi, Dani, bonito seu tênis novo!

– Obrigado! Você me conhece?

– Claro que sim. Conheço tantas pessoas nesta região que você nem imagina!

– Você é traficante ou contrabandista?

– Nem um, nem outro, muito pelo contrário. Batalho pelo que é honesto e correto. Alguns chegam a pensar que sou mágico.

– E você é?

– Tenho poderes que você chamaria de sobrenaturais, mas não sou mágico, não!

Daniel fica muito interessado no novo amigo e continua a fazer perguntas:

– O que você disse? Tem poderes sobrenaturais, como o Super-homem?

– Não, o Super-homem é só uma invenção, eu existo de verdade.

– Se você tem mesmo poderes sobrenaturais, quero que me prove.

– Tudo bem, vou levá-lo para conhecer adolescentes de outras partes do mundo. Em uma fração de segundo você sairá daqui, falará com eles e voltará para cá, está bem?

– Uau, se você puder fazer isso, você é realmente “SUPER”!

Num piscar de olhos o ambiente muda e a cidade de Daniel desaparece, dando lugar a um cenário de guerra, com prédios bombardeados e gente amedrontada, correndo de um lado para outro. Dani, sem saber onde estava, para um adolescente que passava apressado e pergunta:

– Por favor, em que país estamos?

– Você está na Bósnia, rapaz! Venha rápido para este abrigo, pois existem muitos franco-atiradores procurando alvos parados como você.

– Ué, mas esta guerra não tinha acabado?

– É isso o que a imprensa diz, mas como você está vendo…

Já dentro do abrigo, o garoto bósnio olha para o tênis de Daniel e diz:

– Que tênis chocante esse seu!

– É da NBA. Vocês gostam de basquete por aqui?

– Claro que sim! Mas a guerra acabou com a maioria das quadras e não temos onde jogar. Além do mais, é inseguro, pois os inimigos atacam aglomerações de pessoas. Acho que seu tênis não jogaria muitas partidas por aqui!

O ambiente novamente se muda, e Daniel é transportado para outro lugar, um país chamado Timor Oriental. Soldados do país que o domina, a Indonésia, estão de arma em punho. Jovens do Timor, que foi antiga colônia portuguesa, andam rapidamente pelas ruas, todos de cabeças baixas. Daniel chama um deles:

– Você pode me dar uma informação?

– Aqui não é seguro, vamos até ali.

Ambos viram a esquina, e o timorense diz:

– Pronto, agora você pode falar.

Dani, assustado, pergunta:

– Por que vocês têm tanto medo? O que está acontecendo por aqui?

– Já vi que você é estrangeiro. Fomos invadidos pelos indonésios logo após recebermos a independência de Portugal. Desde então, matam pessoas por muito pouca coisa. Em vinte anos, mais de 250 mil timorenses foram mortos.

Nesse instante, o jovem timorense abaixa a cabeça, e seus olhos se deparam com o tênis de Daniel. Ele diz:

– Nossa, que beleza de tênis você tem. Ele seria muito útil aqui.

– Verdade? Vocês também gostam de basquete?

– É claro que gostamos! Mas ele seria útil aqui por outro motivo. Quando os soldados dão uma rajada de metralhadora, quem tem um tênis como o seu tem mais chance de escapar com vida. Correr com ele deve ser fantástico.

A cena se transforma mais uma vez, e Dani volta para sua cidade, para a rua onde “a turma do tênis da NBA” costuma se encontrar. Ele vê um rapaz, o mais badalado do grupo, sentado na calçada e chorando sozinho. Dani se aproxima e diz:

– Você está chorando? Eu pensei que você só tivesse motivos de alegria na vida! Sempre teve tênis e roupa de grife famosa, sempre foi o mais animado da turma. Afinal, o que está acontecendo?

O jovem, ainda abalado, responde:

– O tênis, a roupa, a aparente alegria ajudaram por um curto período de tempo a esconder minha real situação. Na verdade, estou desestruturado, quebrado como pessoa. Meus pais se separaram e só pensam neles mesmos. Eles acham que me dando dinheiro e presentes vão suprir a falta que sinto deles. Tenho tudo, mas nada preenche o vazio que sinto em minha vida!

No mesmo instante, o rapaz desaparece, e a cena volta para o misterioso homem de superpoderes.

– Você realmente é sobrenatural e me fez ver um mundo que eu não conseguia enxergar. Dei tanta importância a este tênis como se fosse a coisa mais fantástica que existe, mas percebi que estava errado. Nestes poucos instantes que se passaram você me ajudou a amadurecer muito. Vou procurar meus pais, contar o que aprendi e pedir perdão a eles.

Daniel olha para os pés do homem com quem conversava e diz:

– Engraçado, você está usando sandálias de couro e tem os pés marcados, como alguém que caminha muito. Quem é você, afinal?

– Chamam-me de “o homem da estrada de Emaús”.

Dani fica tentando lembrar…

– Emaús? Não é aquela história do Novo Testamento, onde dois homens encontraram-se com Jesus? Nesse momento, a imagem do homem de sandálias começa, pouco a pouco, a desaparecer diante do garoto.

Por que resolvemos escrever esta história com esse final tão utópico? Que adolescente desprezaria seu tênis de grife numa situação dessas?

Cremos no Deus dos impossíveis. Ele, e somente ele, pode transformar neste Natal o coração de muitos adolescentes para que não supervalorizem os bens materiais, mas abram sua vida aos valores eternos da Palavra e do Reino de Deus.

#Natal #Jesus

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