Mudanças - transtorno e adaptação



Deus saiu de seu lugar para que pudesse nos colocar permanentemente “no reino do Filho do seu amor”.

Quanto mais velhos ficamos – e isso ocorre a cada dia –, torna-se mais importante que nos sintamos, e estejamos, seguros e protegidos. Cultivamos laços familiares, frequentamos lugares compatíveis com nossos relacionamentos e estilos de vida. Em uma cultura que nos joga daqui para lá e de lá para cá, pessoas e lugares familiares protegem nossa sanidade e serenidade. Mudanças e alterações sempre provocam algum tipo de tensão e sentimento de inadequação.

Andando pelas ruas de nossa grande cidade, vejo muitas pessoas que não têm onde morar. Algumas estão afastadas de suas famílias por escolha própria, outras foram afastadas de seus entes queridos por alguma peça do destino. Passam os dias procurando um lugar aquecido e seco para dormir e ficam imaginando de onde virá sua próxima refeição.

Por outro lado, mesmo aqueles que não se encontram nessa situação, que possuem seus empregos, com as alterações econômicas do país, desenvolvem temores sobre o futuro. Há também aqueles que ficarão desempregados. Todo significado e realização resultantes de serem produtivos no trabalho simplesmente somem. Não há nem como experimentar a valorização proveniente de suas carreiras pela falta de oportunidade.

Através da história, guerras têm levado filhos e filhas, e algumas vezes de forma permanente. Catástrofes também se encarregaram de fazer o mesmo a outros. Governos e regimes opressivos e cruéis também foram causas da peregrinação de muitos, os quais, deixando o conforto de sua terra natal, fugiram da tirania e do medo, indo para lugares desconhecidos.

Qualquer que seja a causa, para a maioria de nós, mudança é uma situação difícil e desestruturante. Muitas vezes ela implica perdas e sacrifícios.

E é exatamente isso que me maravilha no Natal. Pensemos no fato de que Deus, na pessoa de seu próprio Filho Jesus Cristo, ofereceu-se para, de forma dramática, deixar o lugar ao qual pertencia, abandonando seu seguro recanto do Universo, onde existia sem limitações. Deus se ofereceu para deixar sua glória e todas as maravilhosas regalias do paraíso para vir ao nosso mundo e nos resgatar. Natal é isso, é Deus abdicando dos privilégios de reinar como Criador e Rei, encarcerando-se a si mesmo, primeiramente, em um corpo de criança e depois vivendo 33 anos neste planeta, sendo rejeitado pelos seus, zombado pelos familiares, incompreendido tanto pelos líderes políticos quanto pelos religiosos – a ponto de ser crucificado, numa forma arcaica de tortura e rejeição social.

É, a nós, completamente incompreensível, em virtude do desconforto e irritação gerados por uma mudança, que Deus tenha se dado de forma tão pronta e tão dramática.

Mas não é exatamente aí que se encontra a chave de tudo? O fato de ele ter feito o que fez POR NÓS? Quando existe uma grande e nobre causa, há aqueles que se levantam e encaram o sacrifício de deixar seu lugar seguro e aceitar as consequências provenientes.

É por esse motivo que alguns são voluntários para as guerras. É também em prol da causa que outros deixam famílias e amigos e se mudam para, em desconhecidos locais, exercerem um novo ministério.

O ponto intrigante, curioso, do Natal é o fato de que Deus considerou minhas necessidades e o peso de meu relacionamento com ele como suficientes para que passasse por todo o desconforto de uma mudança dos céus para cá. O apóstolo Paulo escreve: “… pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que, pela sua pobreza, vos tornásseis ricos” (2 Coríntios 8.9).

Se pensarmos na real profundidade do significado do Natal, nós nos sentiremos amados e cuidados, como em nenhuma outra situação de nossa vida. Se entendermos que Cristo foi a pessoa que fez a mais significativa e drástica mudança da História, mudança realizada por nossa causa, é difícil não nos conscientizarmos de seu grande amor por nós.

Filipenses 2 nos lembra de que Jesus Cristo não considerou as glórias de sua divindade como algo a que deveria se apegar. “… antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz” (Filipenses 2.7-8).

Cristo, ao abrir mão de sua posição, garantiu-nos um lugar permanente onde poderemos, por toda eternidade, nos sentir seguros, protegidos e satisfeitos. Um lugar onde não haverá mais o desconforto proveniente das mudanças e alterações que possam causar qualquer ameaça à nossa experiência de total realização nele. Deus saiu de seu lugar para que pudesse nos colocar permanentemente “no reino do Filho do seu amor” (Colossenses 1.13).

Esta é a mensagem e o significado do Natal. Quando paramos e pensamos a esse respeito, descobrimos a tamanha profundidade desse episódio e, exatamente no centro do porquê de Deus ter deixado os céus, nos encontramos, você e eu.

#Natal #Jesus

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