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Que não sejam apenas palavras ao vento




Por que há tantos casamentos tensos, superficiais, amargurados, sem intimidade entre os casais, cada vez mais distanciados e sem nenhum romantismo? Será que os conflitos, os desentendimentos, que são tão presentes nos casamentos atuais, têm solução? Como resolver, conservando vivo o amor e mantendo a união e a concordância mútua, o surgimento inesperado de doença, crise financeira, desemprego, problemas com os filhos, da responsabilidade de dar assistência a pais idosos e outras questões apresentadas pela vida? Quando um homem e uma mulher se casam, eles se comprometem com estas palavras: “Eu o(a) recebo como legítimo(a) esposo(a) para cuidar de você e amá-lo(a) deste dia em diante, na alegria ou na tristeza, na riqueza ou na pobreza, na saúde ou na doença, até que a morte nos separe”. Quando cada um se compromete a suprir as necessidades do seu cônjuge, isso não quer dizer que todas elas serão naturalmente satisfeitas. Algumas exigirão um pouco mais de esforço e dedicação e outras não serão realizadas. Na sociedade permissiva em que vivemos, afeita a fugir de suas responsabilidades, o que importa é a autogratificação, a autossatisfação. A palavra comprometimento anda esquecida ou mesmo ignorada porque o mundo está contaminado pelo conceito humano em que Deus é retirado do centro do universo e o indivíduo é entronizado em seu lugar. O ser humano, então, torna-se a autoridade máxima. O que realmente importa é o “eu”. Sem dúvida, isso também repercute no casamento. Se a pessoa com quem se está casado(a) não tem correspondido às expectativas, a solução é bastante simples: coloca-se um ponto final na relação e muda-se o coadjuvante. Nos muitos anos que temos de casados, Judith e eu passamos por muitas alegrias, mas, obviamente, também enfrentamos momentos muito difíceis, em que nosso casamento poderia ter sido ameaçado se não fosse o amor que sentimos um pelo outro e a convicção de que nosso compromisso mútuo é verdadeiro e inquebrantável:

“Deitada, escondida sob os cobertores. Era assim que eu passava a maior parte do dia. Não queria sair de casa e tinha dificuldade para decidir coisas simples do cotidiano, como o que preparar para o jantar, o que vestir etc. Sentia-me só, mesmo estando ao lado de minhas melhores amigas. De fato, meu maior desejo era ficar sozinha, livre de qualquer responsabilidade, porque eu me considerava incapacitada para tomar decisões ou atitudes. Envergonhada por me sentir daquele modo, buscava o isolamento para fugir aos olhares questionadores dos que não entendiam o que se passava comigo. A alegria tornou-se um sentimento do passado; na verdade, achava que seria impossível sorrir outra vez. Medos absurdos assombravam minha vida. Levantava várias vezes durante a noite para assegurar-me de que as portas da casa estavam trancadas, apesar de meu marido afirmar que já se encarregara de fechá-las. Tinha medo que a comida que servia a minha família estivesse contaminada. Receava doenças e até a possibilidade de existirem plantas venenosas em nosso jardim. Temia cuidar de minhas duas filhas, pois achava que podia machucá-las ou prejudicá-las por negligência ou descuido. O que não sabia naquela época, mas posso declarar agora, é que eu estava sofrendo de depressão. Padeci desse mal por volta de um ano…” (Depoimento de Judith Kemp no livro Depressão e graça, ed. Vida, p. 13-14.)

“O ano de 1977 ficou marcado em minha memória como o mais difícil de minha vida conjugal. Foi o período em que minha esposa, Judith, mergulhou em um profundo abismo de depressão. Ela chegou ao ponto de não ver mais motivo para viver. Andei ao seu lado nos momentos mais escuros de seu estado depressivo, mas sentia-me impotente. Havia aquela dor incessante e indefinida, algo que não podia ser tocado ou aliviado. Enquanto observava Judith, com imensa preocupação, me perguntava se algum dia ela conseguiria livrar-se daquela escuridão. Eu tinha a impressão de que ela perdera o contato com a realidade. Sua vida parecia estar fora de foco, totalmente desmotivada, desconectada da realidade. Creio que ela chegou até a duvidar que algum dia Deus mudaria aquela situação. Exatamente por isso estava perdendo a esperança, e quando ouvia dizer que cristãos verdadeiros nunca ficavam deprimidos, ela afundava ainda mais em sua desesperança e dor. Décadas se passaram. Olhando para trás vejo toda aquela situação com mais clareza. Pouco a pouco a saúde emocional de minha esposa foi sendo restaurada e, desde então, ela tem compartilhado suas experiências daquela época com muitas pessoas, e isso tem sido uma bênção para muita gente.” (Depoimento de Jaime Kemp no livro Depressão e graça, ed. Vida, p. 9-10.)

Deus estava instituindo a família quando criou o homem e a mulher e os entregou um ao outro. Ao casarem, as pessoas estão coladas uma à outra, extremamente próximas, por isso qualquer tipo de separação é muito dolorosa. É muito triste que, em nossos dias, o conceito de compromisso permanente no casamento esteja desmoronando. Por meio da variedade de circunstâncias e situações da vida conjugal, de crises e conflitos, da confirmação constante dos compromissos e votos garante-se a solidez do alicerce de um casamento. E é justamente por essa razão que o tempo é o maior aliado do casal. Onde podemos nos apoiar para aprender a desenvolver um compromisso permanente e total, apesar do bombardeio das circunstâncias contrárias e imprevisíveis ou oportunidades favoráveis?

Cumprir as decisões e assumir as atitudes Prestar contas a alguém do que se faz e fala não é tarefa fácil, mas é um ótimo exercício para o desenvolvimento do caráter. Para haver comprometimento sério e permanente, é fundamental o ser humano, como criatura, em primeiro lugar prestar contas de suas decisões e seus atos ao seu Deus, o Criador. Somente assim os compromissos poderão ser honrados, mesmo que o preço seja alto.

Felicidade pessoal não pode ser o principal objetivo Quando os compromissos de lealdade, fidelidade, cumplicidade, amor etc., assumidos no casamento, são colocados como prioridade, a felicidade é um subproduto que vem em decorrência.

Casamento sem conflito é um mito Todo casamento enfrenta conflitos. Não existe um lar que não sofra um transtorno, uma desavença, um desentendimento. Mesmo que seu comprometimento com seu marido ou esposa seja sério e completo, haverá momentos de irritação, impaciência, discussões e lágrimas. Se os conflitos forem aproveitados corretamente, eles podem colaborar para o aprofundamento do compromisso mútuo. Quando surgem, eles não podem provocar dúvidas, mas desafios.

É melhor investir ou desistir? Eu e Judith nunca consideramos a separação, o divórcio, como alternativa. Isso sempre esteve e está fora de questão. Quando um casal desiste, ele leva as incompreensões, dúvidas, mágoas, descontentamento e incoerências do casamento anterior para uma segunda tentativa. Por certo, todas essas questões ressurgirão no novo relacionamento. Não podemos esquecer os filhos, que, além de sofrerem várias consequências negativas, absorvem o exemplo de seus pais.

Direitos entregues, não exigidos Quando no dia a dia a autossatisfação é defendida com unhas e dentes, entregar os próprios direitos ao cônjuge soa esquisito, fora de moda. Por experiência própria, já aprendi que quando forço minha esposa a agir como eu quero ou fazer o que espero, sempre saio perdendo. Porém, se voluntariamente abro mão ou reconheço minha falha e dou espaço para que ela coloque sua opinião, recebo em troca uma reação semelhante.

Willard F. Harley Jr. tem uma ilustração de que gosto muito e que tenho adaptado às minhas palestras. Todos os seres humanos têm uma conta aberta no Banco do Amor. Vamos tomar como exemplo um casal. Os cônjuges fazem depósitos ou retiradas, dependendo do tipo de relacionamento que possuem. Bons relacionamentos resultam em depósitos, mas os maus relacionamentos, em retirada. Os depósitos são feitos em uma moeda especial chamada UA (unidades de amor). Infelizmente, o relacionamento de muitos casais está muito desgastado, e suas contas, no negativo. O gerente do banco, Deus, é totalmente contra fechar a conta. Como todo gerente, ele quer que façamos muito mais depósitos do que retiradas. Querido(a) leitor(a), lembre-se sempre de sua conta no Banco do Amor. Será que no seu casamento há a necessidade de um depósito urgente? Não permita que sua conta entre “no vermelho”, no negativo. Como sabe, vocês se sentirão muito melhor e serão bem mais felizes se o seu saldo estiver positivo. Lembre-se de que o Gerente e seu cônjuge estão esperando por mais depósitos. Deus quer sempre participar de nossa vida. Ele não nos quer distantes. Ele conhece nossas alegrias, dores, decepções, tristezas, derrotas e vitórias e quer estar ao nosso lado em cada um desses instantes. É ele quem nos dá capacidade e poder para:

perdoar nosso cônjuge quando ele nos fere ou magoa; desejar suprir as necessidades do(a) companheiro(a) nos momentos alegres ou tristes, apesar de o nosso egoísmo pedir o contrário; tentar resolver os conflitos que surgem, não privilegiando a própria vontade; manter uma comunicação clara e objetiva, não importando as dificuldades; honrar os compromissos assumidos no casamento.

Enfim, lembre-se de que um dos ingredientes mais importantes para que a receita de um casamento dê certo é o comprometimento entre os cônjuges.

#Estresse #Crises #Casamento

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