Quanto de abuso uma esposa deve tolerar?



Certa vez, ouvi um grande pregador declarar que o melhor lugar para desenvolvermos o fruto do Espírito é, sem dúvida, dentro do lar. A família é constituída por pessoas imperfeitas e pecadoras e, sem dúvida, alguns conflitos surgirão por razões diversas, e estes devem ser resolvidos com compreensão, persistência, amor e, sobretudo, com a graça de Deus. Gosto de me lembrar da resposta que um casal, com mais de 60 anos de casados, deu ao ser questionado sobre o segredo da longevidade do casamento: “Somos de um tempo em que, quando as coisas quebravam, a gente consertava”. Infelizmente, hoje, quando as coisas quebram, o mais fácil é jogar fora, descartar e comprar outra. O mesmo ocorre nos casamentos: alguns acreditam que se o cônjuge falhar, “quebrar”, é melhor “jogar fora” e buscar outro. Sempre acreditei, e continuarei a acreditar, que devemos fazer de tudo para “consertarmos nosso casamento”, amando, caminhando a segunda milha, oferecendo a outra face, orando, perdoando, mas será que há um limite para uma esposa suportar os abusos de seu marido? Como pastor e conselheiro, já ouvi casos em que a esposa, em nome do amor por sua família, suportou todo tipo de abuso, humilhação e até mesmo agressões morais e físicas para tentar resgatar seu marido das drogas e da prostituição e hoje se alegra em ver o milagre da restauração que o Senhor operou em sua casa. Por outro lado, também conheço histórias em que a esposa suportou anos de abusos de todos os tipos de seu marido, e após tanto tempo de sofrimento, buscando proteger sua integridade, se viu forçada a sair de casa com seus filhos com sérias feridas no corpo e na alma, que levaram anos para serem curadas. Tenho por princípio ser contra a separação, mas acredito que todos, dependendo das circunstâncias, temos um limite. Alguns, por sua fé e maturidade, conseguem suportar muito mais que outros, porém sempre haverá um limite para tolerar abusos. A Bíblia afirma: “Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá o livramento, de sorte que a possais suportar” (1 Coríntios10.13). Ao meu entender, nesse texto, vemos que cada um de nós tem um limite daquilo que pode suportar. Deus conhece nosso coração e nossa força, ele se lembra de que temos limitações e de que somos pó (Salmos 103.14). Ele promete que, quando chegarmos ao nosso limite, será um Deus pronto a nos dar a força e um escape. Existem circunstâncias em que esposa e filhos são expostos a um alto grau de abuso físico e emocional, podendo chegar a consequências terríveis; nesses casos, ela deve procurar ajuda com urgência. A primeira ajuda que deve buscar será de pessoas que realmente a amam, como seus pais, mas também deve procurar ajuda em seus pastores e líderes de casais. Já tive o prazer e a alegria de ajudar dezenas de casais para os quais parecia ser impossível a restauração da honra, do respeito e do amor no casamento, mas a graça e a misericórdia do Senhor os alcançaram e, para glória de Deus, hoje vivem em amor. Não posso, porém, ocultar que, devido à dureza do coração do homem, ainda não vi a restauração de alguns casamentos e, infelizmente, outros terminaram num processo doloroso de divórcio. Devemos sempre aplicar nosso coração na recuperação e manutenção de nosso casamento. Tornamo-nos uma só carne para juntos enfrentarmos todo os estresses e crises que possam surgir, seja na saúde ou na doença, na riqueza ou na pobreza, na alegria ou na dor. “Melhor é serem dois do que um… Porque se caírem, um levanta o companheiro…” (Eclesiastes 4.10). Devo ressaltar, porém, que uma coisa é a esposa suportar em amor a Deus e à família os abusos de um marido alcoólatra, depressivo, agressivo ou com outras dificuldades, buscando ajudá-lo; outra coisa é permanecer em casa com um marido que a ameaça em sua integridade. A Lei Maria da Penha foi sancionada em 7 de agosto de 2006 e visa a proteger a mulher da violência doméstica e familiar. Segundo estatísticas do Mapa da Violência no Brasil 2015, em torno de 13 mulheres são assassinadas por dia. Em 2013, foram registrados 4.762 assassinatos de mulheres; destes, 50,3% foram cometidos por familiares e 33,2% foram praticados pelo parceiro ou ex-parceiro. Creio que somente Deus conhece nossos limites e sempre estará disposto a nos ajudar, dando-nos a força necessária e o escape. Ele nos dará a estratégia de como e quando devemos agir. Esforce-se ao máximo para suportar e não abandonar seu marido ou sua família, seja uma guerreira de seu lar, mas não coloque sua integridade em risco. Não sofra sozinha e calada os abusos e as lutas enfrentadas com seu marido. Compartilhe suas lágrimas e aflições com nosso Deus e busque apoio em sua liderança espiritual. Em alguns casos, vale a pena recorrer à ajuda profissional, principalmente na área da saúde, como médicos, psicólogos, psiquiatras e clínicas especializadas. Creio que com fé, perseverança e amor, no tempo certo, veremos o agir de Deus, e seu esforço será recompensado. No amor do Pai.

#Estresse #Crises #Casamento

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