Conjuntamente levantado



Qualquer sistema de ensino nasce de uma ideia e um ideal de educação que vai ser “levantado”, realizado, por diretores, coordenadores, professores, auxiliares educacionais, alunos e pais. Enfim, por toda a comunidade escolar. A palavra sistema significa literalmente levantar conjuntamente. E de onde vem a ideia e o ideal de educação levantados por toda uma comunidade escolar? A palavra educação tem dois sentidos: um deles é “nutrição”; o outro, “condução”. Para estabelecer uma proposta de condução dos conteúdos escolares mínimos, um sistema de ensino precisa ter uma resposta para a seguinte pergunta: com que tipo de conhecimento é importante “nutrir” nossas crianças? Devemos nutrir nossas crianças com boas informações, bons valores, boas estratégias de pensamento, bons textos, boas ideias? Devemos nutri-las com criatividade, com responsabilidade, com proatividade, com liberdade? Qual dessas coisas faz uma pessoa alcançar mais plenamente seu potencial? Quando buscamos na Bíblia essa resposta, não há como não nos lembrarmos de Deuteronômio 6.1-2: “Estes, pois, são os mandamentos, os estatutos e os juízos que mandou o Senhor, teu Deus, se te ensinassem, para que os cumprisses na terra a que passas para a possuir; para que temas ao Senhor, teu Deus, e guardes todos os seus estatutos e mandamentos que eu te ordeno, tu, e teu filho, e o filho de teu filho, todos os dias da tua vida; e que teus dias sejam prolongados”. Uma versão do hebraico traz o trecho “mandamentos, os estatutos e os juízos” como “mandamentos, mandamentos suprarracionais e racionais”. Relendo o texto, teríamos algo, então, como: “Este é o conjunto de mandamentos, os mandamentos suprarracionais e os mandamentos racionais que mandou o Senhor, teu Deus, se te ensinassem”. O que chama atenção na tradição judaico-cristã é que Deus dá aos pais, em primeiro lugar, a responsabilidade de nutrir seus filhos não apenas com aquilo que é racional, mas também com aquilo que é suprarracional. O que isso significa? Que devemos ter uma educação que prepara para essa vida que arrazoamos, que entendemos, com que lidamos, mas não só para isso, já que Deus, que é bem maior do que aquilo que estritamente faz parte do nosso dia, do nosso tempo, do nosso lugar, e mesmo do nosso entendimento, está presente, desde o início até o fim. O conhecimento desse Deus, a interação com ele, permeia todos os aspectos da nossa existência. Não existe uma vida só prática nem, consequentemente, uma educação só prática. Em outras palavras, há lugar para boas informações, bons valores, boas estratégias de pensamento, bons textos, boas ideias, criatividade, responsabilidade, proatividade, liberdade na educação cristã. Mas nada disso tem primazia absoluta. Um sistema educacional cristão está primariamente compromissado com nutrir as crianças com essa herança: viver bem a vida prática não depende apenas de aprender como as coisas são na prática. Tem a ver com entender qual o propósito de Deus para toda a criação; tem a ver com uma educação que aponte para além das áreas do conhecimento; tem a ver com o conhecimento do Deus que tudo criou. Temos escolas que desenvolvem esse sistema educacional? Sim, nós temos. Mas se sistema significa, literalmente, levantar conjuntamente, é importante para a existência dessas escolas, com esses sistemas de ensino, que a comunidade cristã reiteradamente mantenha a memória do que devemos ensinar às nossas crianças, com o que devemos “nutri-las” e como devemos “conduzi-las” para que temamos ao Senhor, nosso Deus.

#Estresse #Crises #Casamento

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