A graça do casamento



Meus últimos sete meses de 2009 foram marcantes. Adoeci. Jamais imaginei que teria de enfrentar uma doença na alma. Justo eu, um pastor bem-resolvido, em plena ascensão ministerial, com todas as minhas funções sendo habilmente desempenhadas... Pois é, fiquei doente. Diagnóstico: estresse agudo com esgotamento físico. Essa doença manifesta seus sintomas de forma plural. No meu caso, começou com uma arritmia, estendeu-se com problemas de circulação, dores musculares, crises de pânico e oscilações emocionais. Visitei o terreno da depressão, mas não me detive nele. Essa é a doença do século, que acomete um expressivo número de pessoas em todo o mundo. No entanto, eu não me considerava apto para tanto! Pensei que estava imune. Engano! Nesses sete meses, vi meu casamento por uma óptica que nunca havia visto. Vi minha esposa e meus filhos com outros olhos. Os laços que tenho construído com minha família foram meu maior suporte. Claro que eu sempre tive esta convicção, mas tudo ainda era teórico. Fico feliz em saber que não estava errado. Na prática são esses laços que nos firmam mesmo! Minha esposa é sábia. Jovem e sábia. Em nenhum momento deixou-se levar pela pressão emocional, nem mesmo espiritualizou meu sofrimento. Entendeu tudo, prontamente, e não arredou de perto. Dedicou-se 24 horas a mim, sem se anular e sem comprometer sua liderança sobre nossos filhos. Como isso foi possível? Pergunte a ela, pois somente as mulheres têm essa habilidade. O estresse não é simplesmente um cansaço. Não me sentia cansado! O estresse não é, necessariamente, a intolerância ou a pressão da responsabilidade. Tudo isso pode advir do estresse, mas essa doença é muito mais sutil. Ela nos permite distinguir de modo mais eficaz a diferença entre a pressão e a opressão. A trilha de uma leva à outra. E embora seja num campo semelhante ao espiritual, centra-se na alma, não no espírito. Quando a opressão é espiritual, uma oração de libertação resolve. Quando a opressão é no terreno psicológico, tem de ter médico, remédio e uma esposa como a minha! Quem acompanha meus textos já percebeu que sempre valorizei a mulher que Deus me entregou. Mas devo confessar: tudo o que disse não dá para avaliar o quilate dela. E como versei num dos meus artigos, foi ela quem tomou posse da batuta e regeu com maestria nossa relação. Foi capaz de compreender meus impulsos, minhas neuras, minha intolerância, meus choros e minhas angústias. O que a torna especial? Afirmo, sem dúvida, que é a graça do Senhor. A graça, aquela da qual falei num dos primeiros artigos, que se traduz na força de suportar as fraquezas. A graça que, associada ao amor, inspira a mais perfeita harmonia. A graça tem essa graça! Foi a graça da mulher sábia; a graça da família bem-estruturada; a graça de uma dedicação e de uma disposição; a graça que consegue enxergar pelas escamas da dor. Foi essa graça que sustentou meu ministério e me deu condições de reagir em favor da minha família. Foi essa graça que fluiu espontaneamente de uma relação sadia e madura. Pela lente da graça vejo hoje minha família muito mais forte, muito mais ousada, muito mais destemida! A graça não me isenta da dor, mas me permite passar por ela de cabeça erguida.

#LinguagemdoAmor

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