Há alguma vantagem em ser solteiro(a)?



O casamento é uma instituição divina. Deus criou o homem e a mulher à sua imagem e semelhança (Gênesis 1.27). O conselho de Deus é claro: “Não é bom que o homem esteja só” (Gênesis 2.18). O casamento, conforme instituído por Deus, é heterossexual, monogâmico e monossomático (Gênesis 2.24). O mesmo Deus que instituiu o casamento tem dele um alto conceito: “Digno de honra entre todos seja o matrimônio” (Hebreus 13.4). O apóstolo Paulo diz que o casamento é um sublime exemplo da relação mística entre Cristo e a Igreja (Efésios 5.22-33). O conselho de Paulo é claro: “É melhor casar do que viver abrasado” (1 Coríntios 7.9). Mas será que há alguma vantagem em ser solteiro(a)? O apóstolo Paulo, escrevendo de Éfeso sua primeira carta aos coríntios, no capítulo sete, trata dessa questão. Muito embora o veterano apóstolo exalte o casamento, sugere que, em determinadas circunstâncias, ficar solteiro(a) pode ser mais aconselhável do que se casar. Paulo divide o assunto em 1 Coríntios 7.1-40 em três tópicos: cristãos casados com cristãos (7.1-11), cristãos casados com não cristãos (7.12-24) e cristãos solteiros (7.25-40). Voltaremos nossa atenção, neste artigo, sobre este último ponto: cristãos solteiros. Paulo já havia trazido uma palavra aos(às) solteiros(as) e viúvos(as): “E aos solteiros e viúvos digo que seria bom se permanecessem no estado em que também eu vivo. Caso, porém, não se dominem, que se casem; porque é melhor casar que viver abrasado” (1 Coríntios 7.8-9). É claro que neste capítulo Paulo não está fazendo um tratado teológico completo sobre celibato e casamento, mas respondendo perguntas específicas da igreja de Corinto. E a pergunta que se depreende do contexto é: a pessoa cristã deve se casar ou permanecer solteira? A preferência de Paulo pelo celibato (1 Coríntios 7.1, 26, 32, 38, 40) tem fortes razões circunstanciais (1 Coríntios 7.26, 28-29, 32). Observe claramente que o apóstolo Paulo, em virtude de um tempo de grande sofrimento e perseguição que se avizinhava, tem uma predileção pelo celibato em relação ao casamento: “Quanto ao que me escrevestes, é bom que o homem não toque em mulher…” (7.1). Ou seja, não se case. Será que a predileção de Paulo era por questão conceitual da superioridade moral do celibato em relação ao casamento? E a resposta é um sonoro não. Leiamos a posição do apóstolo: “Considero, por causa da angustiosa situação presente, ser bom para o homem permanecer assim como está” (7.26). Ou seja, permanecer solteiro. Paulo ainda acrescenta: “O que realmente eu quero é que estejais livres de preocupações. Quem não é casado cuida das coisas do Senhor, de como agradar ao Senhor…” (7.32). “E, assim, quem casa a sua filha virgem faz bem; quem não a casa faz melhor” (7.38). Por que Paulo, embora tenha combatido a ideia daqueles que achavam que o celibato é moralmente superior ao casamento, tem certa predileção pelo celibato em relação ao casamento? Paulo está mostrando isso por causa de fatores circunstanciais daqueles dias em que ele estava vivendo, ou seja: “... por causa da angustiosa situação presente...” (7.26). Como afirmei, Paulo escreveu de Éfeso suas cartas aos coríntios e registra as lutas que enfrentou: “Porque não queremos, irmãos, que ignoreis a natureza da tribulação que nos sobreveio na Ásia, porquanto foi acima das nossas forças, a ponto de desesperarmos até da própria vida” (2 Coríntios 1.8). Esse era o clima que estava surgindo no horizonte. As nuvens estavam ficando densas e trevosas. Preanunciavam a chegada de uma terrível tempestade. Jerusalém estava prestes a ser cercada. As muralhas de Jerusalém seriam quebradas. Jesus já havia falado em seu sermão profético: “Ai das que estiverem grávidas e das que amamentarem naqueles dias!” (Mateus 24.19). Por que Jesus disse isso no sermão profético? Aquilo tinha a ver primeiramente com a invasão de Jerusalém, fato que ocorreu no ano 70 d.C., quando Tito Vespasiano entrou em Jerusalém e quebrou seus muros. Como as mulheres grávidas não podiam correr para se livrarem, suas entranhas foram rasgadas com a espada dos soldados. E Paulo está dizendo que quem é casado numa hora de tribulação, de guerra, de perseguição, de fuga, sofre terrivelmente. Obviamente, o contexto imediato sugere a iminente perseguição aos cristãos. A loucura crescente do imperador Nero já estava começando. E em vista dos tempos tormentosos, Paulo achava que era melhor que os homens permanecessem como estavam. Quando os mares se encapelam, não é hora de mudar de navio. É nesse contexto e nesse sentido que Paulo traz essa palavra para a igreja. O apóstolo faz, então, cinco recomendações: permaneça como você está. Se está solteiro, fique solteiro, se está casado não saia do casamento (7.26); não procure casamento (7.27); se casar, vai sofrer angústia na carne (7.28); você vai ter preocupações adicionais se você casar (7.32); se você casar, vai estar com o coração e o tempo divididos (7.34). Se nós não entendermos esse contexto, vamos achar que Paulo é o maior defensor do celibato e um grande crítico do casamento. E não é este o seu ensino geral. É claro que hoje muitos optam pela vida de solteiro(a) por outros motivos. Aqueles que recebem de Deus essa capacidade não devem ficar aflitos. A plena felicidade está em Deus. Aqueles que têm esse “dom” podem viver uma vida santa e feliz, para a glória de Deus, servindo-o com entusiasmo e com total disponibilidade.

#Solteiroa

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