Glorificar a Deus



Sem dúvida alguma, o casamento é um projeto do Deus Eterno, que surge como ato último do trabalho divino, no sexto dia da criação (Gênesis 2), e surgirá como o primeiro ato para o Novo Céu e Nova Terra (Apocalipse 19). Sim, a história da humanidade começa e recomeça com casamento. É importante observar que nos primeiros cinco dias da criação há declarações consecutivas de satisfação pela própria obra realizada. Ao término de cada dia ouve-se: “Viu Deus que era bom”, mas no sexto dia o Eterno manifesta momentânea reprovação, não pelo que havia criado, porém por uma situação ainda em aberto, e isso fica claro quando declara: “Não é bom que o homem esteja só”. Deus não termina sua obra em insatisfação, ao contrário, cria a mulher como extensão e complemento do próprio homem. Depois da recomendação de deixar vida e responsabilidades de solteiros, o próprio Deus une-os, e eles se tornam uma só carne. Enfim, o casamento no padrão de excelência do Eterno. Se o casamento é um projeto de Deus, nasce no seu coração, é ato último de sua criação e recebe dele uma palavra de louvor, é fato que, diferentemente de Adão e Eva, o casamento hoje não surge de um ato final do Criador, mas de ato contínuo, um processo, que deve considerar o preceito neotestamentário: fazei tudo para a glória de Deus (1 Coríntios 10.31). Se Deus é glorificado no casamento, deve ser glorificado no namoro. Este é um bom e agradável desafio aos jovens solteiros: glorificar a Deus por meio de suas paixões. O namoro cristão é a união de duas pessoas que desejam, antes e acima de tudo, glorificar a Deus em sua união, em sua amizade, em seu relacionamento, em seus sonhos, em sua paixão. Por questões culturais e temporais, o texto bíblico não traz de maneira clara histórias de namoros. A cultura da época – vigente ainda em alguns povos – determinava que os casamentos ocorressem a partir de arranjos entre famílias. Havia compromissos entre os pais dos noivos, e após firmado o pacto, o noivo saía a trabalhar para retornar com o dote exigido para a data do casamento, por isso vemos, por exemplo, Maria desposada (noiva, comprometida) com José. Nesse compromisso não havia ocorrido relações sexuais nem havia oportunidades para passeios em parques, shoppings, cinemas e sorvetes, eram outros tempos. São práticas de namoro diferentes, contudo alguns princípios devem ser observados. Engana-se quem pensa que o texto sagrado não fala de amor, paixão e desejos entre solteiros enamorados. Lembremos que Jacó era apaixonado por Raquel (Gênesis 29.18), e foi paixão à primeira vista, que fez com que o tempo passasse e Jacó nem percebesse, paixão bem no estilo shakespeareano, como podemos observar no texto “Como Gostais”: “Assim que se olharam, amaram-se; assim que se amaram, suspiraram; assim que suspiraram, perguntaram-se um ao outro o motivo; assim que descobriram o motivo, procuraram o remédio”. Certamente a paixão não é uma doença, contudo, seguindo a metáfora de Shakespeare, o remédio final será o casamento. Jacó, enamorado por Raquel, firma compromisso com seu sogro Labão, trabalha dura e corretamente e espera o tempo determinado para concretizar seu sonho, o ápice da paixão. Se Jacó e Raquel, tal qual José e Maria, são exemplos interessantes de como responder às nossas paixões, temos em José do Egito outro bom exemplo. Sendo solteiro e cobiçado por uma mulher casada, ele fugiu da ação predatória dela para não pecar contra o seu Deus (Gênesis 39.9). Sim, a vida do jovem solteiro não era fácil também naquela época. Os tempos são outros, mas de forma prática o namoro cristão é o processo em que o Deus Eterno convida os seres humanos a participarem de sua criação perfeita, e para isso, seguindo exemplos de algumas paixões de personagens bíblicos, o jovem apaixonado deve envolver as duas famílias, procurar os pais da moça, declarar sua paixão e intenção de namoro e firmar um compromisso sério e público com ela. Além disso, ambos devem trabalhar em prol do sucesso desse relacionamento, que no tempo certo deve resultar em casamento – ou não – e assim ver a repetição da fala final da criação sobre suas vidas e união: “Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom”.

#NamoroCristão

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