Estou sendo castigado por Deus porque cometi erros sexuais no passado?



Na atuação como psicóloga, atendi algumas pessoas que traziam consigo conflitos na área sexual por ter experimentado o sexo antes do casamento. Mesmo casadas, tinham a sensação de que algo estava errado no que se referia à sexualidade e, por isso, deixavam de experimentar a beleza e o prazer do sexo com o cônjuge. A Bíblia deixa claro, em dezenas de histórias e versículos, que o sexo foi reservado ao casamento, como, por exemplo, 1 Coríntios 7.2: “… por causa da imoralidade, cada um deve ter sua esposa, e cada mulher o seu próprio marido”. Note que Paulo fala sobre “esposa e marido”, enfatizando que o sexo deve ser praticado nesse contexto. Também conhecemos que a Palavra de Deus alerta todo o tempo sobre a prática de imoralidade sexual, que é toda conduta sexual praticada fora do padrão estabelecido por Deus, nosso Criador: “Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne” (Gênesis 2.24). É maravilhoso contemplar a sabedoria e plenitude de Deus ao colocar limites na vida sexual do homem e da mulher, pois como Criador ele sabia das consequências que seus filhos poderiam sofrer ao transgredir esses limites. Imoralidade sexual, de qualquer espécie, não é uma aventura e prazer apenas; as consequências podem vir em forma de conflitos sexuais, perda da confiança e destruição de um relacionamento, vícios sexuais, perda da comunhão com Deus, gravidez, sentimento de culpa, rejeição, entre outras. Tendo consciência da vontade de Deus e entendendo que transgrediu regras e ultrapassou limites, a pessoa cristã pode sentir culpa, aversão a si mesma, medo pelo ato que cometeu e, por isso, se sentir suja e não merecedora do amor de Deus. Além disso, a expressão da sexualidade precisa se realizar dentro de um relacionamento de segurança, amor, respeito, compromisso e confiança. Fora desse contexto, pode trazer o sentimento de inadequação, erro e pecado. Entretanto, como um Pai amoroso e um Deus justo e misericordioso, Ele sempre perdoa e perdoará os erros e pecados de seus filhos. Ao morrer na cruz, Jesus lavou todos os pecados da humanidade. Todos os pecados! Jesus deixou claro que a dispensação da graça é para todos os transgressores da moralidade sexual, desde que se reconheçam pecadores, se arrependam e queiram viver a santidade, como Jesus sugeriu à mulher samaritana (João 4.1-42) e à mulher adúltera (João 8.1-11). Arrepender-se é reconhecer seu pecado e querer mudar, é pedir o perdão e ajuda de Deus para não cometer aquele pecado novamente. O arrependimento do pecado move o coração de Deus para liberar o perdão. Em 1 João lemos: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1.9). Ao ser perdoada, a pessoa passa a experimentar alegria, paz, amor e uma profunda gratidão a Deus por sua graça, misericórdia e amor. Passa a saber que, em Jesus, terá uma vida plena e cheia de paz. Arrependimento torna a pessoa digna de novo. “Como são felizes aqueles que têm suas transgressões perdoadas, cujos pecados são apagados” (Romanos 4.7). Então, a resposta é não. Deus não está punindo uma pessoa por ela ter cometido um pecado sexual, mas se arrependeu e foi perdoada em Jesus. Entretanto, o perdão de Deus não isenta a pessoa das consequências do seu erro. E as consequências podem vir em forma de culpa, medo, vazio, levando a pessoa a tomar algumas posturas, mesmo que inconscientemente, de distanciamento do sexo oposto:

O medo de transgredir novamente os mandamentos de Deus e de novo cometer o pecado da imoralidade no próximo relacionamento. Por medida de “segurança”, ela põe um muro invisível de distanciamento. Atitudes defensivas. Por ter se sentido usada e/ou rejeitada no relacionamento anterior que acabou, a pessoa se “protege” com comportamentos, atitudes e falas que afastam as pessoas do outro sexo. Precaução da rejeição. Esta vai gerar uma postura de “fechamento”, fazendo com que a pessoa se proteja de ser rejeitada novamente. Vergonha, por saber que em algum momento terá de confessar seu erro e talvez até ser rejeitada também. A sensação de não ser digna ou merecedora de amar, de namorar novamente também pode colocar na pessoa certo esfriamento e incredulidade da sua capacidade de ser amada e aceita.

Por tudo isso, podemos chegar à conclusão de que muitas vezes o que torna a pessoa incapaz de entrar num novo relacionamento de namoro é sua postura diante do sexo oposto e não uma atitude punitiva de Deus sobre o pecado sexual. Uma pessoa que cometeu erros sexuais, ou quaisquer outros, e se sente impura e culpada precisa buscar e focar no perdão a si mesma. Muitas vezes a pessoa sabe que Deus a perdoou em Cristo Jesus, mas ela mesma não se perdoou ainda. Perdoar-se é fundamental para trazer a paz, a confiança e o amor-próprio. É preciso colocar-se em oração constante, buscar ajuda pastoral e psicológica, até alcançar o perdão profundo e verdadeiro de si mesma. “Acima de tudo, guarde o seu coração, pois dele procedem as fontes da sua vida” (Provérbios 4.23). O coração guarda segredos que nem mesmo nós conhecemos. Ele guarda sentimentos, experiências, mágoas, tristezas e alegrias que muitas vezes não vemos, mas se revelam na nossa conduta, posturas, palavras e até mesmo no olhar. É preciso mantê-lo puro, leve, na paz que só o Senhor Jesus nos dá por meio do seu sangue, do seu sacrifício santo e bom. O namoro santo e irrepreensível é aceito e abençoado por nosso Pai amável, justo e totalmente santo. Ele fortalece quem fraqueja e se arrepende e se torna luz e direção para seu caminho. Enche de esperança seu futuro e renova sua compaixão e misericórdia sobre toda pessoa que quer a purificação e a cura de sua alma. Ele lhe conduz pela mão a um lugar seguro e em harmonia com sua vontade boa, agradável e perfeita.

#Solteiroa

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