O exemplo de Jesus



“Falava o Senhor a Moisés face a face, como qualquer fala a seu amigo…” – Êxodo 33.11

Deus se manifestou aos homens, antes da vinda de seu Filho à terra, buscando ter amizade com eles, como vemos na passagem citada acima. Mesmo em uma relação limitada pelo pecado e pela lei, Deus buscava, em sua graça gradativa e cuidadosamente revelada no Antigo Testamento, amigos com quem se relacionar. Na relação familiar, Deus procurava ensinar o povo que Ele escolheu para ser seu povo missionário entre tantas nações pagãs como deveria se relacionar com seus filhos. Em Deuteronômio 6, o Senhor convoca seu povo a amá-lo para conhecê-lo, de todo coração, alma e forças, e ordena que as palavras que foram colocadas no coração de Moisés fossem compartilhadas às gerações (o filho, o filho do filho…) todos os dias de sua vida para poderem, pai e filho, semear dias prósperos. “Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te e ao levantar-te” (Deuteronômio 6.7). No Novo Testamento, Deus revela aos homens, pela primeira vez, seu amor por seu Filho único: “Este é o meu filho amado, em quem me comprazo” (Mateus 3.17). Jesus revela muito de sua relação com seu Pai mostrando-se um filho muito obediente e pronto a aprender: “Em verdade, em verdade vos digo que o Filho nada pode fazer de si mesmo, senão somente aquilo que vir fazer o Pai; porque tudo o que este fizer, o Filho também semelhantemente o faz” (João 5.19). Aprendi com um querido homem de Deus que temos, pelo menos, três fases em nosso relacionamento pai/filho. Na primeira, a infância, papai é o herói imbatível; na segunda, a adolescência, papai já é mais questionável, não parece tão forte ou sabedor de tudo; na terceira, a fase adulta, em que, para desenvolverem uma amizade respeitosa, deveriam ter podido conhecer o suficiente um sobre o outro. O filho se tornou adulto, mas continua filho; o pai envelheceu, não é mais aquela “força”, mas continua pai de vivência e experiência. O conselho do pai ainda é muito importante para o filho, mas as decisões do filho são próprias e pessoais e devem ser respeitadas pelo pai. Em João 5, Jesus ainda fala de atribuições que o Pai lhe ensina: “Porque o Pai ama ao Filho, e lhe mostra tudo o que faz… a fim de que todos honrem o Filho do modo por que honram o Pai” (vv. 20, 23). Esse é o princípio da honra mútua! Hoje em dia, filhos sem exemplo de pais têm dúvidas profundas sobre quem sejam ou deixem de ser; filhas sem pais presentes “procuram” pais mais velhos com quem se relacionar confusamente, para tentarem cobrir o vazio da ausência, a perda da identidade! A vida, o exemplo, a transparência de dizer ao filho um “não sei” sincero e amoroso, quando não sabe mesmo, a confissão de suas falhas como pai, um pedido de perdão ao filho podem muitas vezes abrir caminho para que o filho também conte as suas próprias falhas. É o princípio de cumplicidade! Nossa relação familiar não é perfeita, pois não somos perfeitos, mas temos o Espírito Santo, que nos permite clamar: Abba, Pai! E temos o exemplo de Jesus para agirmos como pais ou como filhos, para aprendermos com Ele essa relação de amigos “para sempre”!

#Paisefilhos

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