Esposas e esposos, servos um do outro



Servir é o centro da mensagem de Jesus. Toda a sua vida foi um constante serviço que Ele prestava a Deus e ao próximo. Várias vezes Jesus enfatizou o aspecto do serviço nos relacionamentos humanos. Em João 13, Ele choca os discípulos ao realizar o ato de lavar seus pés. Na cultura hebraica, esse ato era reservado somente aos servos. Paulo enfatiza esse fato convidando os seguidores do Senhor a “servirem uns aos outros em amor”. Em Colossenses 3.23, ele afirma: “Tudo o que fizerem, façam de todo o coração, como para o Senhor, e não para os homens” (NVI). Essa deve ser a motivação presente em nossos atos. Não o mérito, valor ou atitude de uma pessoa, mas a pessoa do Senhor. Em todos os nossos relacionamentos, em qualquer área, esse espírito do evangelho deve orientar as nossas atitudes e comportamentos.

Vida em família Queremos destacar agora a vivência da família. A família é o espaço mais importante e significativo para vivenciarmos o evangelho. No relacionamento entre a esposa e o esposo, pais e filhos, irmãos e outros membros, o servir uns aos outros, em amor, é uma atitude que deve fundamentar esses relacionamentos. O espírito de serviço aqui não é daquele presente nos escravos (doulos), mas em Cristo, uma dádiva de afeto, amor e graça. Os esposos têm a sua própria realidade; carecem de necessidades específicas e buscam interesses diferenciados. O servir precisa levar em consideração esses elementos e valores presentes em cada um. Visando esse objetivo, é necessário que saibamos diferenciar a especificidade de cada um. As necessidades a serem supridas não são apenas as físicas, mas também emocionais, psicológicas, espirituais, sociais e relacionais. Não posso impor à outra pessoa algo que eu penso ser necessário para ela. O servir leva em consideração esses aspectos presentes em cada pessoa. O servir não é apenas uma obrigação, mas, acima de tudo, um ato de amor. Como o amor tem várias facetas e formas de se expressar, uma delas é a do “servir”. Podemos dizer que “amar é servir uns aos outros”, expressar apoio e serviço. Quando eu realizo uma ação ou tarefa visando apoiar ou tirar a sobrecarga do outro, estou servindo em amor. Nos relacionamentos entre casais nos dias atuais, busca-se dividir as tarefas e responsabilidades entre os esposos. Não somos iguais; em muitos sentidos as mulheres são diferentes dos homens. Ninguém é superior ou inferior, são diferentes e se complementam por meio de suas características, dons e aptidões. Esse ato complementar e de apoio é uma expressão de serviço em amor. Sei que para existir essa realidade num casal não basta um imperativo ou recomendação, mas ter um ato de vontade que nos conduz à prática, expressando-o diariamente, com paciência, perseverança, amor e perdão. Vemos assim que não é algo automático, mágico, mas seguidamente praticado e aperfeiçoado. Essa atitude pode significar “agradar um ao outro”, o que é também uma expressão do amor. Muitas vezes, preparando noivos para o casamento ou aconselhando casais, eu perguntava: “Por que ou para que você deseja casar-se?”. A resposta geralmente era: “Porque ela (ou ele) irá me compreender, me satisfazer, fazer-me feliz”. Claro que tudo isso é um desejo que temos em nosso ser, mas agindo dessa forma estamos nos casando visando ter na outra pessoa algo que nos satisfaça. “Eu estava infeliz em casa e agora vou ter a minha casa e ser feliz.” Um sentimento desses possui algo parcial. É muito centralizado em si, no egoísmo, o que é comum numa sociedade pós-moderna. O evangelho visa transformar esses valores e atitudes centradas em si mesmo/a para atitudes e ações que visam a outra pessoa, servindo-a com amor. É fácil? Não! Consegue-se sem renúncia, graça e ausência de Deus? Não! É algo que deve existir em nossa vontade, desejo interior, ser buscado insistentemente no espírito e na força de Deus, algo a ser avaliado continuamente e perseverantemente praticado. Jesus, no final do Sermão do Monte, em Mateus 7.24-27, fala a respeito de ouvir a Palavra e a praticar. Ele faz uma comparação entre a casa construída na areia e na rocha. Esse texto tem sido usado constantemente para referir-se à edificação de um lar ou família. Sabemos que teremos lutas, dissabores, tentações, situações inimagináveis em nossa vivência e relacionamento, mas de nada adiantará ouvir as palavras do evangelho de Cristo e não as vivenciar. Ao edificar a “nossa casa”, necessitamos de fundamentos sólidos e da rocha que é Cristo. Esses fundamentos são os existentes nos valores e atitudes básicas do relacionamento humano, do evangelho do Senhor, tal como amor, verdade, justiça, paz, consideração, acolhimento, perdão, colocar-se no lugar da outra pessoa, o que é empatia, etc. Entre esses princípios e valores está “o servir um ao outro em amor”. São caminhos, buscas e tudo o mais que visa nos aperfeiçoar. Algo a ser vivenciado em nosso dia a dia, perseverantemente. O servir e agradar um ao outro está presente também na área da sexualidade. Esse servir tem como objetivo satisfazer a outra pessoa em suas características e realidades sexuais. Nessa área existem bloqueios e barreiras que têm levado o casamento a impasses e até a separação. Lembro-me de que aconselhei um casal, que se separava e retornava, no decorrer de dois anos. Um dia, conversando com a esposa, ela me disse que em dois anos de casados eles ainda não tinham tido um relacionamento sexual. Pensei que ali residia muitos dos desajustes desse casal. Encaminhei a esposa a uma conselheira e orientei o esposo; felizmente eles se reajustaram nesse aspecto do casamento. Mais uma vez constatei que “somos servos uns dos outros em amor”. Podemos expressar essa atitude de servir ouvindo com atenção um ao outro, ficando em silêncio e não falando apressadamente, nem se irando, conforme Tiago nos orienta (1.19). Pense e avalie diariamente: a. Estou apoiando e servindo a/o minha/meu esposa/o diariamente? b.Em que aspecto do relacionamento preciso me aperfeiçoar?

Consulte e leia alguns livros a respeito do relacionamento de casais: 1. Paul Tournier. Para melhor compreender-se no matrimônio, Ed. Sinodal. 2. John Townsend & Henry Cloud. Relacionamentos saudáveis, Ed. Vida. 3. Nicky & Sila Lee. O livro do casamento, Encontro Publicações. 4. Everett Worthington. Casamento, ainda resta uma esperança, Ed. Sepal.

#Casamento

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