O que seu filho precisa saber sobre a Bíblia



É recorrente em nossas comunidades de fé falarmos sobre a importância do cuidado e do ensino dos pequeninos, baseando-nos nas palavras de Salomão: “Ensina a criança no caminho em que deve andar”. Transferir um legado espiritual aos nossos filhos é das tarefas mais desafiadoras e complexas em nossa caminhada cristã, especialmente porque sabemos que esse caminho é bem mais do que a frequência semanal a uma igreja, obrigações de vestuário e costume ou uma “cartilha de regrinhas de faça ou não faça”.

Sabemos que é essencial nesse desafio falarmos com os nossos filhos sobre a Bíblia, mas o que deve ser falado? Em tempos de fake news, exageros midiáticos e informação instantânea com tão pouca sabedoria e sem qualquer discernimento, devemos primeiro pensar naquilo que nossos filhos precisam saber que a Bíblia não é, para então falar sobre o que ela é.

1. A Bíblia não é um amuleto Você já deve ter ido a alguma casa em que na estante da sala estava a Bíblia aberta em algum salmo (o que mais vi foi o salmo 91!). Acertei? Ainda hoje essas práticas são comuns em nosso meio e, por mais inofensivas que pareçam, elas dizem muito sobre a fé que temos. Se cremos que a vida e morte de Jesus redimem o mundo, não podemos crer que a Bíblia, como objeto de sorte, traga alguma espécie de “proteção” ou “blindagem”. Não quero dizer com isso que ela é inútil, mas que suas palavras só serão eficazes quando lidas, praticadas e vividas no dia a dia. O evangelho tem a ver com uma fé prática, uma mudança nas ações cotidianas. Por isso, o salmista disse que escondeu a palavra de Deus em seu coração: ele percebeu que não adianta carregá-la debaixo do braço nem deixá-la no painel do carro, na estante de casa ou dentro da bolsa. É preciso levar a Bíblia para o centro de nossas decisões, para onde pulsa nossa vida. 2. A Bíblia não é uma coletânea de frases de efeito Não é raro encontrar nas redes sociais fotos (de férias na praia à celebração da ceia de domingo) cuja legenda carrega pequenos trechos bíblicos. Geralmente, as frases são as mesmas, curtas, diretas e vazias de seu sentido original. Devemos lembrar que a Bíblia não foi escrita em capítulos e versículos, mas em livros que possuem ordem e coerência interna. As cartas do Novo Testamento, por exemplo, foram escritas como recomendações a serem lidas de uma só vez. As divisões posteriores (que encontramos em nossas Bíblias) são ótimas para um estudo sistemático e comunitário do texto, mas não podem servir para tirar do contexto original em que se encontra um versículo. Saber, ao recitar João 11.35, que Jesus chorou é importante, mas ler todo o evangelho e saber do seu amor por Lázaro é ainda mais essencial.

3. A Bíblia não é uma peça de museu Estudar a Bíblia é um compromisso que todo cristão assume consigo mesmo diante de Deus. Com seus filhos não pode ser diferente. Porém, muitas vezes o estudo se torna desinteressante e enfadonho, principalmente por dois motivos: ou não se entende o que se lê, ou não se medita sobre que foi lido. Por mais que estejam em níveis diferentes, as duas questões podem ser resolvidas juntas. Claro que uma boa tradução ou versão da Bíblia é essencial para o primeiro entendimento do texto, mas ainda mais importante é lembrar que a Bíblia não é um objeto morto que pode ser estudado com bisturis e instrumentos cirúrgicos. A Bíblia não é para ser analisada friamente, é para ser degustada como uma sopa que esquenta o coração e sacia a fome. Ela está viva e traz vida para quem se relaciona com Deus por meio dela. Devemos ensinar que a Bíblia é dinâmica. Ela responde às nossas questões conforme perguntamos a ela em nossas leituras.

4. A Bíblia não é um manual Por mais estranho que isso possa parecer, é de suma importância saber que a Bíblia não é um manual do fabricante ou uma espécie de constituição sagrada diante da qual não podemos fugir sob o risco de pena de morte. A Bíblia não é objetiva, isto é, ela só se torna sagrada a partir do momento em que estabelecemos uma relação sagrada com o “Dono” do texto. Como disse o apóstolo Paulo: a lei é morta, fria. A Bíblia é viva, quente. Por isso, ela não é um manual que obriga o mundo inteiro a seguir suas regras. Antes, é um livro de histórias que convida e seduz quem a lê a ter experiências com o Deus que ela revela. Ler a Bíblia não é decorar regras, é conhecer experiências que nos inspiram a termos nossas próprias experiências.

O que a Bíblia é...

A Bíblia é um livro de verdades Chegamos ao ponto em que devemos perguntar: o que é a Bíblia para mim? Muitos conheceram ou veem a Bíblia como um livro exaustivo, de difícil acesso e de histórias passadas. A Bíblia não é isso, mas só adotamos uma nova perspectiva sobre o “livro sagrado” quando nos relacionamos com ele, colocando o nosso coração em jogo.

De tudo que nossos filhos precisam saber sobre a Bíblia, isto é o que mais importa:

1- Saber que ela é um livro de verdades eternas, verdades que não dizem respeito à constituição científica do homem e do mundo, mas tratam sobre o que é a humanidade em seu caráter mais profundo.

2- A Bíblia traz verdades sobre os caminhos enganosos nos quais o ser humano pode andar na busca por satisfazer, a qualquer custo, seus desejos e como é importante confiarmos na providência e no cuidado de Deus conosco.

3- A Bíblia traz verdades sobre seres humanos, todos feitos à imagem de Deus, e ensina verdades sobre como eles devem ser respeitados e ter sua vida preservada pelos seus irmãos.

4- A Bíblia traz uma mensagem de preservação e cuidado com a criação de Deus, de libertação dos escravos, de cura dos enfermos, de dignidade para o órfão, para o imigrante, para a viúva, de alegria e saciedade para o pobre, de vida abundante para todos.

5- A Bíblia traz a mensagem de um Deus que se encarnou, que viveu entre nós para nos mostrar que é possível ser gente de um jeito diferente, gente como Ele foi, gente como Ele deseja que sejamos.

6- A Bíblia nos convida a uma relação de amizade e de discipulado com Jesus de Nazaré, um convite a segui-lo em seu exemplo de generosidade, de perdão, de compromisso com a justiça, de contestação e resistência a toda a religiosidade vazia.

7- A Bíblia aponta para a cruz, símbolo maior da nossa fé, símbolo de entrega da própria vida em favor de outros para que tenham vida. É impossível seguir a Jesus sem passarmos por ela.

Em sua sabedoria atemporal e atraente, em sua inteligência viva e provocativa, destaco algumas verdades que a Bíblia traz e não podem ser esquecidas. Essa é a Bíblia que eu, você e nossos filhos temos de conhecer.

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