Ensinando e ajudando seu filho a compartilhar sua fé



“Ensine seus filhos no caminho certo, e, mesmo quando envelhecerem, não se desviarão dele.” Provérbios 22.6 (NVT)

Criar filhos hoje em dia é mais difícil que antigamente? Ou sempre foi assim? O fato é que atualmente muitas crianças aceitam menos a orientação dos adultos, são mais independentes, não têm medo de arriscar, são menos ingênuas, parece que amadurecem mais rápido, porém são mais estressadas, ansiosas e solitárias.

Ninguém duvida que os pais amam seus filhos e têm muito a ensinar, mas a capacidade de transmitir o conhecimento tem diminuído muito em função das diferenças entre as gerações, das mudanças profundas geradas pelas inovações tecnológicas e das demandas de uma cultura que muda rapidamente.

Alguns pais se sentem impotentes diante de tantos desafios. Em poucos anos, nossos filhos assumirão nosso lugar na família, na igreja e no mundo. Como estamos preparando esses filhos para a vida?

Segundo pesquisas recentes do reconhecido Grupo Barna (entidade cristã de pesquisas sediada na Califórnia, EUA), mais da metade dos jovens cristãos abandonam a igreja antes de atingir a maioridade. Esses dados são alarmantes. Pais e líderes cristãos têm diante de si o grande desafio de cultivar na vida das crianças uma fé duradoura.

O momento é agora! Se nossos filhos forem criados no temor do Senhor, essa influência se estenderá por gerações. Como na história de Abraão, foi por meio de seus descendentes que a nação judia se estabeleceu em um mundo pagão e distante de Deus.

Se os princípios bíblicos para a criação de filhos não forem ignorados por nós, pais, não precisaremos esperar muito tempo para contemplar os resultados. Nossa única esperança para transformar este mundo corrupto é começar essa tarefa pela nossa própria casa.

Criando filhos, formando discípulos Ao olhar para a vida e ministério de Jesus, descobrimos princípios imutáveis para a formação de discípulos que podem perfeitamente ser aplicados na criação de filhos.

A maior intenção de Jesus não era somente agregar pessoas ao seu redor, mas sim fazer verdadeiros discípulos que seriam os guardiões dos seus ensinos e da fé. Jesus foi o maior e o melhor pedagogo de toda a história da humanidade. O método de ensino de Jesus baseava-se no discipulado intencional e responsável.

Ele se relacionava com seus discípulos, participava da vida deles e dava abertura para que eles participassem de sua vida. Ele ensinava de forma profunda e criava oportunidades aos seus discípulos para que fizessem como ele fazia, confrontando-os em amor e fortalecendo os pontos fracos de cada um.

A palavra discípulo vem do grego e quer dizer “tornar-se um aprendiz, um aluno receptivo a ensinamentos”. Já a palavra mais próxima de discípulo é disciplina e significa instrução, obediência e educação.

Este é o caminho que os pais devem seguir: mais do que transmitir apenas conhecimento, instruções e ensino necessários, é preciso construir um autêntico discipulado com os filhos. A família é o lugar ideal e primeiro para os pais investirem na formação dos filhos.

Olhando novamente para Jesus, vemos que Ele empregou quatro passos para a formação de um discípulo – alguém capaz de aprender coisas novas e praticá-las. Esses passos são como guias que servem de orientação para o trabalho dos pais com os filhos.

Primeiro passo: a observação Esta é a fase de inspirar, de despertar a vontade de aprender. Os discípulos observavam o que Jesus dizia e realizava, eles o seguiam (Mateus 4.18-22).

Nessa fase, cabe aos pais orar e buscar em Deus a melhor estratégia para inspirar seus filhos. O papel dos pais é demonstrar na prática os conteúdos que desejam ensinar, permitindo que o filho reflita sobre sua exposição. Os filhos observam os pais, que os inspiram a aprender e praticar algo novo.

Muitas vezes, é a postura dos pais em casa que irá inspirar a vontade e o interesse do filho em aprender. Inspirar, pesquisar, despertar interesse é o grande objetivo desse estágio. Nunca perdendo de vista que os pais são o exemplo vivo de tudo aquilo que eles mesmos desejam ver em seus filhos. Crianças não fazem somente o que são ensinadas. Elas principalmente repetem aquilo que veem os pais fazendo. Não espere que seus filhos orem, leiam a Bíblia e compartilhem sua fé se eles não virem vocês, pais, orando, lendo e compartilhando.

Segundo passo: a assistência Essa é a hora de implantar a verdade. Para isso, Jesus fazia e os discípulos o ajudavam na tarefa. Por meio desse processo, Jesus plantava princípios na vida deles e os fazia raciocinar sobre isso (Lucas 8.15).

Da mesma forma, um filho tem de estar com os olhos e ouvidos atentos aos pais, observando tudo, para que possa pensar mais tarde.

Dentro de casa, os pais devem implantar um espírito de cooperação, onde eles mesmos são parte do processo, respeitando sempre o princípio da individualidade de cada filho, sabendo que cada um tem sua importância e papel dentro da família.

Nesse estágio, é importante aplicar o método do raciocínio. Jesus não apontava o erro dos discípulos, mas os levava a refletir se a atitude deles estava certa ou errada. Jesus discursava por analogias (parábolas), pequenas histórias que os levavam a pensar.

Observar o exemplo e ajudar os pais levam a criança a fazer perguntas sérias e profundas a respeito dos princípios e valores que deve seguir.

Terceiro passo: a liderança Chegou o tempo de praticar. Os discípulos agora faziam e Jesus observava e corrigia os pontos fracos. Em Mateus 8.18-27, durante uma travessia do mar da Galileia, os discípulos foram surpreendidos por uma tempestade. Jesus dormia no barco, pois queria que eles exercitassem a fé. Os discípulos falharam, mas Jesus entrou em cena e trouxe a solução.

Esse é o estágio mais difícil para os pais, pois envolve deixar errar. Em todas as etapas de nossa vida cometemos falhas; quando começamos a andar, caímos; quando começamos a falar, erramos. Precisamos errar para crescer.

Nem sempre uma nota baixa significa falta de estudo por parte da criança. Algumas vezes isso é apenas um termômetro que indica a necessidade de melhora na maneira de estudar ou que o conteúdo da lição não foi bem aprendido.

Ainda é preciso acompanhar, mas deixar que o filho cumpra suas tarefas e viva da forma como aprendeu. Depois, se houver erro, corrigi-lo com amor e paciência.

Quarto passo: o comissionamento Agora, os filhos adquirem convicções e já podem dar frutos. Nesse estágio, munidos de conhecimento e experiência, Jesus envia os discípulos para abençoar e ensinar a outros (Lucas 10.1-24).

Esse é o momento mais importante na formação dos filhos e requer muito cuidado. Devemos intensificar aos poucos a responsabilidade das tarefas e conceder mais liberdade à medida que os filhos estiverem mais amadurecidos.

Os filhos já receberam os ensinamentos, já sabem fazer, por isso podemos deixá-los fazer sozinhos. Agora os pais assumem mais o papel de mentores e conselheiros de seus filhos. Esta é a melhor forma de sabermos se o que ensinamos foi aprendido.

O desafio da fé Por meio desses quatro passos fica mais fácil ensinar e ajudar os filhos, como Jesus fazia com seus discípulos. Tudo em nossa vida precisa passar por essas etapas. Com o tempo, isso se torna natural em qualquer aprendizado.

É importante ressaltar que cada passo deve ser aplicado na idade certa da criança, de acordo com a capacidade cognitiva dela, conforme ela cresce e se desenvolve.

Ao inculcar em nossas crianças as verdades bíblicas a respeito da fé cristã, elas as experimentarão passo a passo enquanto crescem. Logo depois, de posse dessa fé, elas naturalmente compartilharão com a sua própria geração e com a próxima.

A construção de uma família segundo a vontade de Deus irá requerer dos pais muito amor, compreensão, firmeza, disciplina e trabalho, além da dedicação de tempo de qualidade com seus filhos. Mas o resultado disso trará muita alegria para todos.

Que Deus nos ajude a permanecer firmes na edificação da nossa casa!

#Férias #Influência

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