E agora, o que fazer?



Não sei o quanto é fácil para você entender a vontade de Deus para a sua vida. Em todos estes anos de ministério, não passa uma semana sem que alguém vem me procurar para pedir uma orientação, um conselho, uma técnica para entender a vontade de Deus, seja para as decisões mais simples e pessoais, seja para as mais complexas, que terão impacto em toda a família.

O texto base para a nossa reflexão está em Romanos 12.2: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”. Não sei se esse texto é de fácil compreensão para você, mas sempre que o leio sei quão desafiador ele é para a minha vida, para meus filhos e para toda a minha comunidade de fé. Assim, como ajudar nossos filhos a terem o discernimento da vontade de Deus para sua vida?

A primeira questão é que todos nós, pais e filhos, tenhamos uma compreensão clara da importância de não nos “conformarmos”, não tomarmos a forma deste século, ou seja, assumir que os valores que o mundo nos impõe hoje estão corretos. Não é afrouxando a Palavra do Senhor que vamos ganhar nossos filhos para Cristo. Não é nos parecendo cada dia mais com o mundo que nossos filhos e filhas serão parecidos com Cristo. Não nos amoldarmos será o primeiro passo. Nossos filhos e filhas precisam olhar em nós e ver pais de oração, que leem a Bíblia, que vão à igreja, que buscam fazer a vontade de Deus. Eles precisam ver em nós que Jesus não é um convidado especial que chega em casa em momentos de tribulação, mas que Ele está sempre presente.

A segunda questão é mostrar aos nossos filhos que o caminho para discernir a vontade de Deus passa pela compreensão da sua Palavra. Em primeiro lugar, a vontade d’Ele é “boa”, ou seja, aquilo que estamos pensando em fazer é bom, edifica, trará bênçãos para a minha vida, família, para as pessoas que estão ao meu redor? Quando pensamos em algo bom, sabemos bem o que desejamos. Fazemos isso quando escolhemos ir a um bom restaurante, a um bom hotel e não é diferente nas coisas de Deus. Para nós também é necessário que o que vamos fazer passe pelo crivo da bondade de Deus. Nossos filhos precisam ver isso em nós. Quando fazemos boas escolhas, eles aprenderão conosco também.

Em segundo lugar, a vontade d’Ele é “agradável”. O que Deus deseja para nós é sempre o melhor. O que é agradável para você? Mas o que está em questão aqui é o que é agradável para Deus. A Palavra do Senhor diz: “Agrada-te do Senhor, e ele satisfará os desejos do teu coração” (Salmos 37.4). Agradar-se de Deus não é agradar a Deus, mas ter prazer de estar na presença d’Ele, de ouvir a sua voz, de perceber o quanto Ele é bom para você. Seus filhos precisam perceber que a vontade de Deus é boa, mas também é agradável. Esse relacionamento de se agradar de Deus, da sua Palavra, será fundamental para o reconhecimento do querer de Deus para a sua vida e a de seus filhos.

Em terceiro lugar, a vontade d’Ele é “perfeita”. Somos falhos, como pais e mães, naturalmente imperfeitos, mas Deus não é. Ele é perfeito. E tudo o que deseja é o melhor para cada um de nós. A maneira como vamos experimentar a perfeição da sua vontade para a nossa vida está em como vamos buscar isso. A instrução de nossos filhos passa especialmente pela busca dessa vontade, e isso significa que não será a nossa vontade, mas a de Deus, e em alguns momentos eles serão contrariados.

A melhor maneira de fazer isso é compartilhar com seus filhos questões que você colocou diante do Senhor em oração e como elas foram respondidas. Por exemplo, uma mudança de moradia ou de emprego, quando a resposta de Deus foi não. Tenho afirmado em minha caminhada ministerial que muitas vezes o “não” de Deus é a melhor coisa que pode acontecer em sua vida. É preciso ensinar nossos filhos que “não é só vitória”, muitas vezes também perdemos. Oramos por uma cura e ela não acontece, perdemos alguém que amamos e sofremos.

Ensine seus filhos que tudo que Deus faz é perfeito, mas o mundo em que vivemos “jaz no maligno”, ou seja, também vamos viver tribulações, desertos, provações em nossa vida. A melhor maneira de ajudá-los a discernir a vontade de Deus é ensiná-los a ir direto ao Pai. Desejamos muitas vezes um atalho, até mesmo espiritual. Não precisamos de atalhos ou de pessoas que nos digam o que fazer. Quantas vezes recebo pessoas em meu gabinete dizendo: “E agora, pastor, o que eu devo fazer?”. Muitas vezes transferimos para os outros nossas responsabilidades. A vida espiritual dos seus filhos é sua responsabilidade.

Em quarto lugar, precisamos ensinar nossos filhos uma das respostas mais completas que a Palavra nos oferece quando precisamos discernir a vontade de Deus para a nossa vida: “Seja a paz de Cristo o árbitro em vosso coração…” (Filipenses 3.15). A paz que Jesus oferece não é a ausência de conflitos, dúvidas e até mesmo dificuldades. A paz que Ele oferece é algo acima da nossa compreensão. Ou seja, se nossos filhos estão procurando entender a vontade de Deus, é preciso que de alguma forma eles possam reconhecer a presença de Deus em cada decisão a ser tomada. Seja na escolha da profissão, seja na escolha do namorado ou da namorada. Essa paz “excede o entendimento humano”.

Aqui uma pergunta se torna pertinente, pressupondo que são pais e mães que estão lendo este texto: como vocês têm discernido a vontade de Deus para sua vida? Seu testemunho é fundamental. Vocês devem compartilhar com eles com transparência como tomaram decisões em nível pessoal, como casal, em nível familiar, profissional. Cada uma dessas áreas em que já tomaram decisões, em que já sentiram paz no coração, será um testemunho para seus filhos.

Encoraje-os na leitura da Palavra e a participar na vida comunitária da igreja. Eles precisam aprender que Deus pode falar por meio de uma pessoa, seja o pastor ou pastora, líderes, professores da escola dominical. Quando estamos buscando uma orientação de Deus, precisamos estar atentos a como Ele está respondendo. Muitas vezes Ele já respondeu e nós continuamos perguntando.

Em quinto lugar, ensine as promessas e os desafios que Deus faz em sua Palavra para seus filhos. O salmo 37 diz: “Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele, e o mais Ele fará” (v. 5); “Descansa no Senhor e espera nele” (v. 7). Ou seja, esta geração tão tecnológica e tão ansiosa por respostas rápidas precisa aprender que em alguns momentos é preciso esperar. Deus sempre responde a nossa oração com “sim”, “não” ou “espere”.

E em Mateus 6.33, Jesus ensina sobre as expectativas de vida e diz: “… buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas”. Gostamos muito da última parte tanto de um versículo como de outro – e o mais ele fará; todas estas coisas serão acrescentadas –, mas o melhor e mais desafiador aprendizado está em entender isto: descansa n’Ele e “não vos inquieteis com o dia de amanhã (…) basta ao dia o seu próprio mal”. Neste tempo de tantas exigências, precisamos aprender a parar e dar atenção para nossos filhos, orar com eles, ter uma vida devocional em família. E sei que o que estou escrevendo é um desafio para minha vida também, pois moro na região metropolitana de São Paulo, onde horários são raros, mas precisamos aprender a falar e testemunhar aos nossos filhos sobre a vontade de Deus.

Recentemente, meu filho estava desejando um novo emprego, novos desafios, enfim, viver uma nova experiência profissional. E quando conversamos sobre isso, disse a ele que era melhor procurar um emprego enquanto ele estava empregado, e diante das possibilidades, entrevistas, sempre repetia a mesma pergunta: “Você está em paz?”. Era importante que, muito mais do que os sinais profissionais, que ele conseguia discernir bem, percebesse a vontade de Deus para sua vida, e isso se expressou no momento em que sentiu paz em seu coração.

Nosso papel como pais é testemunhar como Deus tem falado ao nosso coração, por isso invista tempo em sua família. Quando precisar falar sobre entender a vontade de Deus para seus filhos, comece compartilhando suas experiências e como entendeu que elas eram de Deus. O melhor ensino não é transmitido pelo que falamos, e sim pelo que vivemos. Um tempo abençoado para sua casa e família.

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