Para se livrar das dívidas



A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, exceto o amor…” (Romanos 13.8). Decerto, essa assertiva paulina não está num contexto sobre finanças, no entanto nos dá uma boa advertência quanto às questões econômicas.

Não tenho estatística oficial, mas, partindo da “práxis” pastoral dos meus 20 anos de ministério, afirmo que mais de 80% dos casais que atendo em situação de conflito estão endividados. A má gestão resulta em dívidas, e estas desafinam a relação.

As dívidas não aparecem do nada, mas são consequência da má administração. Talvez algumas delas surjam de algum imprevisto, como é o caso da pessoa que contraiu algum financiamento e antes de terminar de pagar perdeu o emprego. Porém, a maioria de nós se atrapalha por não planejar os gastos. Alguém já afirmou: “Ninguém planeja fracassar, mas normalmente fracassa por não planejar”.

Envoltos em dívidas, muitos casais se divorciam, e outros vivem conflitos intermináveis. Poucos conseguem se unir para resolver o problema e virar a página. Alguns se valem da desculpa de que a dívida não é do casal, mas de um dos cônjuges. Sem cumplicidade, o casamento tende a ruir.

Se esse é o seu caso, sugiro alguns passos que muito me valeram diante das angústias das dívidas que vivi – e consegui me livrar delas.

1. Faça um levantamento cuidadoso do que você deve. Muitas vezes, o casal tem tanta dívida que nem sabe ao certo o valor que deve e a quantos credores. Isso faz com que caminhe no escuro, tentando escalar montanhas sem saber que direção tomar. Saber o que deve e a quem deve é fundamental. Use uma planilha simples, como esta:

2. Analise as suas opções de pagamento. Antes de conversar com seu credor e propor a quitação da dívida, analise quais são as suas opções. Quanto do seu salário pode ser reservado para esse fim? O que você tem de valor que pode ser convertido em dinheiro? Quais são as suas opções de levantar mais recursos? Elimine a opção do empréstimo. Muitas vezes, tomar emprestado para pagar dívidas é apenas um mecanismo vicioso de postergar o pagamento real.

O ideal é fazer um “saldo compulsório”. É aquele saldo forçado que você terá de fazer ajustando suas contas.

Calcule, junto com seu cônjuge, os gastos essenciais que vocês têm no mês e o que pode ser evitado. Um ajuste nas contas é fundamental para saber quanto você poderá dispor para fazer uma proposta ao seu credor. Considere seus recursos diante das suas necessidades básicas e encontre o saldo compulsório.

RECURSOS: tudo o que você ganha + o que você pode converter em dinheiro.

NECESSIDADES BÁSICAS: tudo o que você precisa gastar para se manter vivo. Elimine os gastos alternativos e os supérfluos.

Feito isso, siga para o próximo passo:

3. Procure seu credor. Vá desarmado e negocie. Convença seu credor de que você tem a boa vontade de pagar, mas não dispõe do recurso total. Caso seja mais de um credor, estabeleça a prioridade analisando que consequências podem advir do não pagamento de um ou de outro. Não deixe de procurar seu credor e propor uma negociação. Seu silêncio prejudica ainda mais: compromete sua índole. Deixar de negociar é ser indiferente. Pior quando seu credor é conhecido e sabe com o que você anda gastando o dinheiro...

4. Faça programação de pagamento. Não assuma um acordo que você não poderá cumprir. Busque parcelar o saldo devedor, aumentando o prazo e diminuindo o valor das prestações, sempre adequando ao seu “saldo compulsório”. Se puder agregar algum bem para minimizar a dívida, ofereça isso na negociação. O sacrifício para manter o pagamento em dia é importante. Pode ser doloroso, mas será imensamente prazeroso saber que está se livrando das dívidas.

5. Não faça novas dívidas. Feche a torneira definitivamente. Não faça novas dívidas pelo simples fato de ter negociado as antigas. Enquanto não quitar tudo, sua rotina e suas demandas pessoais deverão ser ajustadas ao máximo. Esqueça o restaurante caro e as saídas para diversão paga. Procure um estilo de vida – ainda que temporário – que não demande mais gastos para você e sua família.

Seguindo esses passos, crie uma nova cultura de não gastar sem o devido planejamento. Evite comprar a prazo. Elimine o cartão de crédito. Procure ajuda de quem pode lhe servir, seja um coach financeiro, seja um mentor familiar. Não faça nada pelo impulso ou por simples empolgação. A vida nos convida para o que tem de melhor, tudo em seu tempo. Concluindo: o que você tem determina o que você pode; o que você sabe determina o que você vê; o que você faz determina onde você chega. Fazer certo nunca dá errado!

#Finanças #Administração

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