O perigo de se tornar materialista numa sociedade consumista



Compramos o que não precisamos, com um dinheiro que não temos, para mostrar o que não somos, a pessoas que não gostamos” (AD)

Essa frase ficou na minha memória após ouvi-la de um professor de ética acerca dos hábitos consumistas da sociedade contemporânea. Sim, nosso mundo é materialista e consumista, e somos fortemente tentados a nos conformarmos com seus valores. Em alguma ocasião, eu e você já usamos mal o dinheiro e passamos dos limites da receita do mês e do cartão, influenciados pela mídia, por comentários sugestivos de amigos ou por desejos pessoais incontroláveis, e depois sentimos aquela velha sensação de culpa. Vivemos uma tensão entre os princípios cristãos de uma vida simples, sem ostentação, e o prazer de ceder ao apelo de uma sociedade que implora para que compremos, muitas vezes sob a alegação de que “se você trabalha, você merece” e “a economia precisa girar, senão o mundo para”. Viver com o básico ou satisfazer só aquele desejinho a mais? Eis a questão!

O que é o materialismo? A Bíblia fala mais de duas mil vezes sobre dinheiro, pois ele é um dos maiores ídolos em potencial com quem convivemos. Jesus nos advertiu que onde estiver o nosso tesouro, ali estará o nosso coração, e esclareceu que o dinheiro não é um elemento neutro, ao contrário, ele é citado em Mateus 6.24 como um deus e seu nome é Mamon, em hebraico dinheiro, termo que significa riqueza material ou cobiça, muitas vezes personificado como uma divindade pagã. A avareza, pecado do apego doentio e materialista às riquezas, é não gostar de gastar com o que é necessário e não desejar partilhar com ninguém o que possui. É um pecado diretamente ligado ao dinheiro, sendo o terceiro da lista dos sete pecados capitais, segundo a tradição católica. Ser avarento é amar o dinheiro e as coisas mais que o Senhor e as pessoas. Entretanto, o ensino bíblico é que devemos ser generosos e não apegados a ele (1 Timóteo 6.8-10).

Quais suas origens? Paulo, escrevendo aos romanos (12.1-3), nos ajuda a entender como funciona o sistema que pode nos levar ao materialismo e ao consumismo “deste século” e como podemos nos livrar deles e experimentar “a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”. Eles nos atacam interna e externamente. O ataque interno vem dos nossos desejos naturais, que, quando satisfeitos, pedem sempre um pouquinho mais, pois o ser humano caído é um ser em falta, eterno desejante. Já o ataque externo vem dos estímulos diversos deste mundo. É a nova roupa da moda, o último modelo de carro, o novo aparelho celular e assim por diante. Tudo isso é lançado diante de nós por meio de recursos midiáticos como a TV, a internet, o amigo que convidou para conhecer a casa nova e a amiga que “arrasou” com aquele vestido de grife. Daí para ceder à tentação e estourar o crédito é um passo. Sou materialista ou consumista? Parece que uma das situações que normalmente revelam o quanto acumulamos bens desnecessários é quando mudamos de moradia. Nessa guinada percebemos a olhos vistos como guardamos coisas que não usamos. A minha amiga e terapeuta Adineide Nolasco sempre diz que “se temos roupas que não usamos há mais de seis meses, é provável que não precisemos delas”. Parece que o materialismo, apego às coisas, provoca o consumismo, que se caracteriza pela aquisição do bem pelo bem, sem um sóbrio critério de sua utilidade pessoal e coletiva. É comprar pelo impulso do estímulo e ceder ao desejo, caindo nas teias de sua sedução.

O que fazer então? Seguem algumas sugestões para melhorar nosso uso do dinheiro, sem nos tornarmos materialistas e consumistas:

1. Colocar sempre o Senhor e as pessoas à frente das coisas. Deus e as pessoas são eternos, as coisas são passageiras; 2. Distinguir necessidade de desejo. Necessidade é essencial e deve ser suprida da melhor maneira possível, sem economia. Como dizia o missionário Roy Dumphreys: “A economia é mãe da porcaria”. Já o desejo é secundário, pode esperar; 3. Investir com prazer em algo que Deus valoriza (Mateus 26.6-13); 3. Não ficar com dinheiro ganho de forma ilícita, mas devolvê-lo (Lucas 19.1-10); 4. Assistir menos TV e evitar propagandas em suas redes sociais. Elas são um estímulo ao consumismo; 5. Quando sobrar, fazer doações, adotar uma criança em um programa social... acúmulo é sintoma de materialismo.

Concluindo, entendo naturalmente que é um grande desafio usar o dinheiro conforme os valores cristãos, sem permitir que o materialismo, o consumismo e outros valores deste mundo nos seduzam. As sugestões apresentadas podem ser ampliadas pela criatividade de cada leitor, com o discernimento que Deus lhe conceder.

Que Ele nos ajude nessa caminhada e nos livre do materialismo e do consumismo.

#Administração #Finanças

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