Impacto do conflito conjugal nos filhos



Na dinâmica das relações familiares, pode-se observar que a vida conjugal dos pais interfere no bem-estar dos filhos de diversas maneiras. Ainda que seja importante que as questões do casal sejam mantidas entre os cônjuges, buscando não envolver os filhos no espaço conjugal, a qualidade da interação do casal exerce uma importante contribuição para o clima familiar como um todo.

Pesquisas destacam que há um transbordamento das vivências da conjugalidade para a relação pais-filhos, fazendo com que a satisfação na vida conjugal possibilite práticas parentais mais saudáveis. Do mesmo modo, uma interação conjugal conflituosa pode contribuir para um ambiente familiar disfuncional, impactando na saúde mental dos filhos (Mosmann & Falcke, 2017).

O conflito em si não caracteriza problemas familiares, pois em qualquer relacionamento sempre existirão divergências, mas é importante atentar para a intensidade com que o conflito se manifesta e as estratégias que são utilizadas para lidar com ele. Casais que conseguem negociar seus conflitos, respeitando as diferenças de opinião e os sentimentos de cada um, fornecem um importante exemplo para os filhos de como lidar com situações difíceis. Por outro lado, quando são utilizadas estratégias destrutivas de ataque (ofensas, gritos ou qualquer outra manifestação de violência) ou de evitação de conflitos (sair no meio de uma discussão ou negar-se a dialogar), os filhos podem apresentar níveis mais elevados de ansiedade e depressão, entre outros sintomas.

A exposição ao conflito conjugal também pode ter repercussão nos relacionamentos futuros dos filhos, uma vez que a conjugalidade dos pais se constitui no modelo de vida a dois que os filhos levam para sua vida. Pessoas que testemunham relações conflituosas ou violentas na infância tendem a se envolver em relações com padrões semelhantes na vida adulta. Isso ocorre possivelmente por elas naturalizarem essa forma de dinâmica conjugal como se fosse comum a todas as relações interpessoais. Desse modo, além dos cuidados dirigidos diretamente aos filhos, os pais também devem preocupar-se com as outras interações que estabelecem na presença deles, especialmente a conjugal, pela proximidade na convivência diária.

Até mesmo nos casos de separação conjugal há que se ter maturidade para que se possa entender que o vínculo que se rompe é o conjugal, mas ambos os parceiros devem continuar juntos na missão de educar os filhos. Nesse caso, mais uma vez, exige-se que os cônjuges busquem manter preservadas as questões conjugais, para que elas não repercutam negativamente na relação pais-filhos.

Mais do que por meio de palavras, a educação dos filhos se dá pelos exemplos que os pais fornecem a partir dos seus modos de ser e de agir. Sendo assim, os impactos do conflito conjugal na vida dos filhos podem ser positivos ou negativos, dependendo da forma com que o casal conduz a sua resolução.

#Divórcio #Separação

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