Conflitos nossos de cada dia e suas formas de resolução



O relacionamento conjugal é uma das experiências íntimas mais desafiadoras e que promovem mudanças na vida daqueles que se vinculam a um(a) parceiro(a) amoroso(a). Tais mudanças são norteadas por um projeto de vida a dois, no qual os cônjuges devem considerar as expectativas, as necessidades e as características de cada um, assim como preservar espaços para o exercício da individualidade, projetos pessoais e profissionais.

O ato de compartilhar o mesmo teto tende a aumentar o nível de compromisso entre os cônjuges e, consequentemente, a complexidade da relação, como a divisão das responsabilidades domésticas, as características da interação com as famílias de origem, as atividades realizadas no tempo livre, o gerenciamento da vida financeira, entre outros fatores.

Todos esses aspectos fazem do relacionamento conjugal uma experiência bastante desafiadora e exigente, que pode gerar conflitos. Os conflitos conjugais, muitas vezes, estão relacionados a expectativas excessivas e pouco realistas que os parceiros podem ter sobre a vida a dois, por exemplo. Esses desentendimentos tendem a ser percebidos de forma muito negativa pelos cônjuges. Entretanto, os conflitos conjugais são inerentes às relações, especialmente àquelas em que há maior proximidade, intimidade e envolvimento.

Se os conflitos fazem parte do relacionamento conjugal, é evidente que não existem casais que não enfrentem conflitos. Nesse caso, o que diferencia os casais não é a quantidade de conflitos que possuem, mas a forma como encaminham seus desentendimentos. Os casais podem lançar mão de diversas estratégias diante dos conflitos. Alguns casais “fazem de conta” que o conflito não existe, ignorando as divergências e fazendo o movimento popularmente chamado de “colocar os problemas debaixo do tapete”. Encontramos também casais que dizem nunca brigar, mas quando olhamos com atenção sua relação, um parceiro normalmente decide o que deve ser feito e o outro acaba se submetendo. Ainda há casais que discutem fortemente, se agridem e se insultam como forma de lidar com as divergências de ideias. Esses tipos de estratégias de lidar com os conflitos são considerados destrutivos, especialmente quando se tornam um padrão de solução, ou seja, quando os casais sempre resolvem da mesma maneira os seus problemas.

Contudo, pesquisas com casais brasileiros (Wagner, Falcke, Mosmann e cols, Viver a Dois: Desafios e Oportunidades. São Leopoldo: Sinodal, 2016) revelam que a maioria dos casais apresenta bons níveis de qualidade conjugal e tende a resolver de forma mais construtiva suas dificuldades no dia a dia. São casais que, diante das divergências de ideias, buscam conversar sobre suas opiniões e encontrar um acordo. Essa forma de encaminhamento é chamada de negociação, e as pesquisas têm mostrado que casais que a utilizam se sentem mais felizes, respeitados e satisfeitos com seu relacionamento conjugal.

Isso nos mostra como a forma de manejo do conflito é importante, por isso, quando houver divergências com seu(sua) parceiro(a), procure:

  • Escolher um lugar onde possam ter privacidade e tranquilidade para conversar sobre o conflito.

  • Ter tempo suficiente para conversar a respeito do conflito em questão.

  • Reconhecer o que estão sentindo (raiva, medo, tristeza, ciúmes, desilusão, indiferença, etc.) e tentar falar para o cônjuge sobre esses sentimentos e por que acha que os está sentindo.

  • Tentar usar mais a palavra “eu” do que a palavra “tu”, ou seja, falar mais sobre seus sentimentos, pensamentos e atitudes e evitar acusar ou apontar coisas no outro.

  • Fazer pedidos em vez de exigências ou ameaças.

  • Se os sentimentos forem muito intensos e destrutivos, afastar-se por um tempo e informar ao cônjuge que prefere falar sobre o assunto quando estiver se sentindo mais calmo.

#Casamento #Vidaconjugal

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