Estabelecendo projetos juntos



Ao escrever este artigo, percebi que existem muitas ideias atuais que podemos explorar sobre o assunto, por exemplo: como podemos ser amigos dos nossos filhos? Pais amigos são honrados por seus filhos? A amizade pode salvar seus filhos? Esses foram alguns dos temas que vieram em minha mente, então resolvi fazer uma pesquisa de campo e perguntei para minhas filhas o que achavam do assunto: pais e filhos, amigos para sempre.

Se você é mãe como eu, sabe dos riscos que estava correndo por fazer uma pergunta como essa quando se tem filhos adolescentes. Será que eu seria vista como uma amiga real no ponto de vista delas?

Minha filha mais velha, com vinte anos de idade, mais ponderada, disse que somos amigas, mas minha outra filha, com quinze anos, me deu a resposta que precisava para escrever este artigo: quando ela for um pouco mais velha, então será minha amiga, e terminou dizendo: “Agora não dá!”. Você pode imaginar minha reação? Eu não acreditei! Como assim? Por que ela não me considera sua melhor amiga?

Na verdade, ela acertou em cheio explicando-me que temos certo grau de amizade. Ela não estava dizendo que temos um problema em nosso relacionamento. Certo grau de amizade significa que nesse momento existe um conflito dentro dela em que não posso ser apenas a sua amiga, confidente, companheira, ela precisa também de uma mãe, que a corrija, que a instrua e possa deixá-la segura quanto às escolhas que precisa tomar em sua vida. Ela não pode me ver agora somente como uma amiga porque precisa me ver como mãe. Ela precisa saber que se fizer determinadas coisas, será corrigida, será cerceada, se necessário. E é exatamente isso que nos fará amigas para sempre.

Realmente preciso concordar com o que ela estava tentando me dizer. A amizade entre pais e filhos é desenvolvida e acontece com o amadurecimento dos nossos próprios filhos e muda de acordo com cada fase de sua vida.

Alguns pais, no desejo de serem amigos, perdem sua autoridade, o que faz com que seus filhos percam um importante princípio em sua vida. Outros acabam afastando seus filhos por esquecerem que eles precisam deles também como amigos, em quem possam se apoiar e se espelhar. É muito importante que os filhos saibam que podem recorrer a seus pais, para um conselho ou um abraço, e assim reconhecer que possuem pais que os amam e são seus amigos, mas também possam entender que seus pais amigos são seus mentores, seus guias e sempre precisam ser amados e honrados, apesar de nem sempre, como filhos, concordarmos com eles. Não tenho dúvida de que pais e filhos se encaixam bem no termo AMIGO.

“Amigo é o nome que se dá a um indivíduo que mantém um relacionamento de afeto, consideração e respeito por outra pessoa. O amigo é aquele que possui uma grande afeição por uma ou mais pessoas, que é leal, que protege e faz o possível para ajudar sempre. Amigo é aquela pessoa que se confia acima de qualquer coisa, que está sempre disposto a ajudar, seja em situações boas ou ruins” (www.significados.com.br).

Na minha criação, não havia muita preocupação dos meus pais em serem amigos. Se você é da mesma geração que eu, deve concordar que nós nem costumávamos chamar nossos pais assim. Lembro-me de que na minha infância tínhamos de pedir a chamada “bênção” ao sair e ao chegar em casa e também quando íamos dormir. Se você nunca viu isso, vou tentar explicar: nós beijávamos a mão dos nossos pais como sinal de respeito e falávamos: “bença, pai, bença mãe”. Naquela época, a maior preocupação dos nossos pais era se nós filhos os respeitávamos. E embora houvesse, em alguns lugares, certo exagero, na maioria das vezes era uma atitude saudável de honra.

O mundo mudou. Hoje somos mais próximos, mais amigos dos nossos filhos, e nossa maior preocupação deixou de ser o respeito e passou a ser poder participar da vida deles, de sermos seus companheiros. Queremos que nossos filhos voem mais alto, sigam mais adiante do que nós. Diferentemente dos anos passados, eles não têm tanto receio de se expressar nem medo de falar, compartilhando conosco um pouco de sua vida, e isso é bom, pois pode evitar grandes problemas.

Mas é preocupante que alguns pais sofram certa crise de identidade e em alguns momentos invertam os papéis, no desejo de serem amigos de seus filhos. Procurando não causar traumas, mimando-os, não os corrigindo e acabando por criar filhos que não os respeitam. Estão despreparados para respeitar qualquer autoridade, perdendo as bênçãos futuras contidas no princípio da honra.

“Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe (que é o primeiro mandamento com promessa), para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a terra” (Efésios 6.1-3).

A melhor maneira de estabelecer uma amizade com nossos filhos sem que criemos essa crise de identidade neles e em nós é estabelecer projetos juntos, envolver-se em sua vida, reconhecendo os limites como pais que somos. Vocês podem fazer isso lendo um livro juntos, assistindo a uma série de TV juntos, ouvindo uma música de que gostem, mas sem perder os “graus”, como disse minha filha. Nessas fases, há momentos em que eles precisarão de você como mentor, em outros como confidente.

Hoje temos o privilégio de fazer muitas coisas juntos se quisermos: viajar, trabalhar, assistir a séries de TV, tudo isso é possível! É muito bom poder criar laços de amizade profunda com nossos filhos, poder interagir com seu mundo, tornando-nos amigos para sempre. Mas creio que o conselho de Salomão serve também para nós: tenha sempre um olhar amigo para com seus filhos, e eles sempre saberão que poderão contar com você.

“O olhar de amigo alegra ao coração…” (Provérbios 15.30).

#Paisefilhos

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