Há tempo para tudo e é preciso dar tempo ao tempo



É óbvio que apenas uma pequena porcentagem de mulheres, e outra ainda menor de homens – composta por aqueles que são profundamente comprometidos com a Palavra de Deus –, permanecerá virgem entre o período da adolescência e juventude, casando-se assim. Infelizmente, esta é a realidade, resultado do condicionamento ideológico imposto por uma sociedade que deu as costas a Deus, Criador da humanidade e Arquiteto da família. A promiscuidade e a permissividade que tomaram conta da cultura contemporânea são inaceitáveis.

Constantemente me sensibilizo durante um aconselhamento, ao ler os e-mails que recebo ou nos seminários que ministro, onde tenho contato com jovens cujas vidas foram marcadas e, por que não dizer, quase destruídas pelo sexo liberado e ilimitado. Os que já estão casados também sofrem o impacto, às vezes quase imperceptível, da vida sexual que desenvolveram no passado.

Lewis Smedes disse em seu livro Sex for Christians (Sexo para cristãos): “Ninguém pode, na verdade, fazer o que a prostituta e seu cliente tentam fazer; ninguém pode ir para a cama com outra pessoa e deixar sua alma aguardando do lado de fora”.

Por que Deus ensina que devemos esperar até o casamento para praticarmos o sexo? Ele não tem intenção de frustrar ninguém com essa decisão, mas beneficiar. É o que o profeta Jeremias diz: “Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar o fim que desejais” (Jeremias 29.11). Ele nos criou, sabe como devemos agir e, portanto, conhece o que é melhor para nós e o que pode nos prejudicar. Nossa parte é aprender a confiar que Deus tem sempre em mente fazer o que é melhor para nós.

Em Tessalonicenses 4.3, Paulo revela: “Pois esta é a vontade de Deus, a vossa santificação: que vos abstenhais da prostituição”. Basicamente, Paulo está dizendo que Deus se preocupa com o nosso amadurecimento espiritual e, por isso, pede pureza em nosso relacionamento com o sexo oposto. A exortação de Paulo vai além do aspecto da prostituição, abrangendo todo tipo de utilização inadequada da sensualidade, como: relações sexuais fora do casamento, entre pessoas solteiras; adultério, homossexualismo, incesto, bestialidade e outras perversões.

O autor de Hebreus adverte: “Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula; porque Deus julgará os impuros e adúlteros”. A palavra leito ou cama em grego é “coito”. Deus não deixa dúvidas ao definir aquilo que abençoa e o que não pode abençoar. O leito dos cônjuges, para Ele, não é sujo. Por outro lado, fora do casamento, o leito de um casal é impuro e adúltero.

Em 1 Coríntios 6.15-20, Paulo afirma que a imoralidade é um pecado contra o próprio corpo. Pecar contra o corpo significa não respeitá-lo e não respeitar o do parceiro. Uma vez que o respeito pelo corpo é perdido, torna-se cada vez mais fácil ser indulgente com o sexo promíscuo.

Além do fato de Deus ordenar que esperemos, Ele também assegura que existem consequências para a desobediência. Ele estabeleceu leis conhecidas por suas criaturas. Para a violação de cada uma delas existe a consequência. O homem e a mulher não foram criados para mudar constantemente de parceiros. O Senhor planejou que duas pessoas desfrutassem do amor EROS, o amor sexual, sob a liberdade e a bênção do casamento. As doenças sexualmente transmissíveis, como, por exemplo, a epidemia de AIDS, são resultado da violação de uma lei moral de Deus. A Bíblia afirma que Deus é justo. Por ser justo, Ele deve agir quando uma de suas leis é transgredida. Se permitisse que desobedecêssemos sem dar-nos referencial algum, o prejuízo seria inevitável e, desta forma, Ele não seria justo. Portanto, quando nos disciplina, Deus o faz apoiado no amor que nos dedica (Provérbios 3.12; Hebreus 12.5-6).

Quero esclarecer que não estou compartilhando esses conceitos para atemorizá-lo(a) ou constrangê-lo(a). Reafirmo que Deus o(a) ama muito e seu amor é baseado em sua justiça. Se você é filho(a) de Deus, Ele o(a) disciplinará para corrigi-lo(a) quando você desobedecer-lhe, para o seu bem. Porém, oro para que você confie que a bênção de Deus o(a) cobrirá através da obediência à vontade dele.

Porém, e se o estrago já foi feito?, você pode perguntar. Já conversei com milhares de rapazes e garotas que confessaram o prejuízo que a desobediência à vontade de Deus nessa área causou. Muitos afirmam sentirem-se incapazes de retomar um relacionamento profundo e fluente com Deus, já que seu pecado sempre volta para perturbá-los sob a forma de culpa e remorso. Bem, quero que você saiba que é totalmente possível restaurar sua comunhão com o Senhor através do arrependimento e da confissão de seu pecado. Ele promete que o sangue de Jesus nos purifica de todo o pecado. Contudo, muitos jovens confessam e recebem o perdão de Deus, mas não conseguem se perdoar. Se estou descrevendo sua própria condição, você precisa urgentemente de uma restauração de sua alma em relação ao seu Criador. Lembre-se, Satanás também é chamado de acusador dos irmãos – e ele nunca se cansa de praticar esse desserviço (Apocalipse 12.10). Uma vez que você confessou seu pecado, no caso cometido com sua(seu) namorada(o) ou outra pessoa, Deus limpa e apaga não somente esse pecado, mas também a culpa que ele provoca. Diante disso, se ainda restar alguma culpa, ela é falsa, provém do acusador. É uma velha artimanha de Satanás. Ele se delicia em arrasar a vida de milhares de jovens com o mesmo truque. Mas Deus nos ama e deseja manter sua comunhão conosco; por isso providenciou uma maneira de restaurar nossa amizade com Ele através do sacrifício do seu Filho, do seu próprio sangue (Miqueias 7.18-19).

Nos dias de hoje, os jovens precisam voltar à Palavra de Deus para reaprender como proceder na área física. Uma amiga de minha família contou-nos que foi com seu filho adolescente ao cinema certo dia. Em determinada cena, uma garota teima com o rapaz que quer ter relações sexuais. Ele, por sua vez, insiste que ambos devem esperar até o dia do casamento e tenta explicar seus motivos reafirmando o amor que sente por ela. A reação da plateia foi imediata e ruidosa. Na mesma hora o rapaz foi vaiado, taxado de vários nomes e sua sexualidade colocada em dúvida impiedosamente. Nossa amiga disse que ficou abismada ao constatar como está enraizada nos jovens a reversão de valores – ou a falta deles. O que é certo passou a ser errado e vice-versa.

1 Tessalonicenses 4 trata especificamente do comportamento na área física. As pessoas que ainda não aceitaram a Jesus como Salvador acham que o pensamento de Deus não é importante e não estão nem aí com o padrão que Ele estabeleceu. No namoro, jovens são defraudados porque há contato físico constante e longos períodos de carícias e manifestações físicas que poderiam ser evitadas. Defraudar é despertar desejos sexuais no outro ou mutuamente, que não podem ser satisfeitos dentro da vontade de Deus. Todo relacionamento físico deve ser dedicado ao Senhor. Quando a intimidade física se desenvolve antes da intimidade espiritual, uma nuvem densa e escura de culpa desce sobre o casal e entre eles e o Senhor. Muitos casais que eu aconselho têm problemas gravíssimos no casamento, como desconfiança, infidelidade, frustrações e desentendimentos, porque não cuidaram do relacionamento físico no namoro e noivado. Em vista disso, preservar a área física durante os anos em que se está solteiro(a) é investir no futuro do próprio casamento.

Ainda pensando em futuro casamento, persiste uma confusão muito grande entre o que é amor verdadeiro e uma simples paixão. Nem sempre é fácil distinguir. Essa é a razão pela qual muitos jovens tomam decisões apressadas. Eles perdem a objetividade, casam com a pessoa errada e depois descobrem que o que sentiam não era amor, mas apenas uma paixão romântica. A paixão romântica é um impulso emocional do amor. Ela se baseia no conhecimento superficial da outra pessoa, que ainda não passou pelas provas de tempo e circunstâncias. Não há nada de errado em apaixonar-se por alguém. De fato, é totalmente válido. No entanto, a paixão inicial tem de se tornar gradativamente em um amor profundo, em um alicerce firme para o casamento.

O mundo define o amor como um sentimento intenso entre duas pessoas que se consideram feitas uma para a outra. O casal imagina que esses sentimentos são suficientemente fortes, então decide que deve casar. Quando depois de um, dois, cinco anos a paixão enfraquece, a solução mais fácil e conveniente é o divórcio – e depois partir para outra. Nesses casos, provavelmente nunca houve amor.

Enfim, o amor não é simplesmente um sentimento, uma emoção ou um período de arrebatamento romântico. O amor é proposital. É uma decisão muito mais racional do que emocional. Deus, quando olhou para a humanidade, não ficou emocional ou sentimentalmente comovido. A Bíblia revela que Ele nos amou primeiro. Foi, antes de tudo, uma decisão racional. Esse tipo de amor possibilita a uma pessoa que já chegou a odiar alguém voltar a amá-lo. Sei que muitos podem ficar desapontados, mas expressões como “O amor é cego” e “Amor à primeira vista” não se enquadram na definição bíblica.

Se o amor é proposital, ele depende de uma escolha, que deve ser consciente e decisiva. Em primeiro lugar, para aqueles que aceitaram Jesus como Salvador não é possível considerar a felicidade no casamento sem que o futuro cônjuge também tenha feito a mesma decisão. Em segundo lugar, como diz o ditado popular, “é preciso dar tempo ao tempo”. Esforçar-se para conhecer a outra pessoa: suas reações, sua educação e bagagem cultural, suas intenções e ideais, seu humor, seus hábitos, seus gostos e desgostos, seu temperamento, seu comprometimento com Deus. Descobrir quais são os pontos fortes e os pontos fracos de cada um, as afinidades que existem entre ambos e, ao mesmo tempo, procurar trabalhar e conciliar suas divergências. É preciso tentar explorar minuciosamente o universo que a pessoa carrega dentro de si. Isso é decisivo para não começar uma relação tão íntima e duradoura como o casamento tateando na escuridão.

À medida que a relação se aprofunda, chega a hora de colocar na mesa assuntos mais práticos, visando o decorrer e o cotidiano de uma possível vida a dois. O casal deve conversar sobre trabalho e carreira, se devem investir na compra de uma casa ou apartamento, se querem ter filhos imediatamente ou esperar algum tempo, como gerenciarão as finanças, como deverão investir e assim por diante.

Acima de tudo, a partir do momento em que decidirem que um é realmente a escolha do outro para viverem juntos “até que a morte os separe”, ambos devem estipular que Deus será sempre o Senhor de suas vidas e a figura central de seu lar.

A pressa e a precipitação que caracterizam o mundo atual têm forçado casamentos que duram o mesmo tempo que levaram para começar. Hoje tudo é mais acelerado. Para casar basta haver atração mútua, ter um pouco de dinheiro para uma cerimônia e uma festa e depois esperar para ver o que vai dar. Porém, quando as primeiras dificuldades começam a surgir, para muitos o esforço de investir na relação não vale a pena. É mais fácil pedir o divórcio e fazer nova tentativa, dando início a um círculo vicioso que, muitas vezes, não para de contabilizar casamentos.

Diante do insidioso conceito que atualmente tenta transformar o sexo antes do casamento em um fato normal e totalmente aceitável, é preciso que os jovens recorram à Palavra de Deus, absorvam seus ensinamentos sobre vida sexual e tenham a coragem de obedecer à vontade de Deus, confiando que nadar contra a correnteza pode não ser fácil, mas faz com que, no final, a vitória seja bem mais gloriosa.

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