Esperar contra a esperança



“E o Deus da esperança vos encha de todo gozo e paz no vosso crer, para que sejais ricos de esperança no poder do Espírito Santo.” (Romanos 15.13)

O cupim é um inseto pequeno, mas voraz. Ele vive em grupos que costumam atacar, entre outros materiais, as madeiras. Muitas árvores caem com ventos ou tempestades pelo fato de estarem ocas. Os cupins devoraram todo o miolo e somente a casca não resiste às intempéries. A dúvida também se aloja sutilmente em nossas vidas como o cupim em uma árvore, armário ou até em alicerces de concreto. Esse inseto pode destruir um móvel de valor e até o fundamento de uma casa. Age da mesma forma o “cupim da dúvida”, pois, furtivamente, corrói a nossa fé. De repente, uma forte tormenta abala a edificação. Em alguns casos, a estrutura cede e a moradia desmorona.

Durante esses momentos tempestuosos, nas noites escuras de tragédia e calamidade de nossas almas, é que começamos a sentir o efeito destrutivo de nossas dúvidas. Quando a intensidade delas assume proporções gigantescas, elas passam a nos controlar.

Sendo mais direto, enquanto escrevo estas linhas, o Jap foi subitamente sacudido por um terremoto de magnitude 8.9 e, em seguida, várias cidades inundadas por um tsunami com ondas de até 10 metros de altura.

  • Por que Deus permite que isso aconteça?

  • Por que Deus diz NÃO quando esperávamos, ansiosamente, ouvir um SIM? Ou diz SIM quando suplicávamos por um NÃO?

  • Por que Deus nos faz esperar?

Creio que a incerteza aumenta quando certas coisas deveriam acontecer, mas não acontecem. Ou quando não deveriam acontecer, mas acontecem. Às vezes o SIM de Deus não é o que esperávamos. Ou seja: “Sim, darei graça suficiente para você superar esta crise” (apesar de nossa vontade ser que Ele não permitisse nem a crise!) Quando as situações em minha vida estão desfavoráveis, sejam quais forem, procuro me lembrar que o Senhor controla dois fatores em nossos momentos de luta ou de dor: o termômetro – que controla o calor que pode ser liberado; o relógio – que determina o tempo que o calor deve perdurar.

Não sei qual é a sua situação enquanto você lê este artigo. O Brasil também tem sido fustigado por chuvas torrenciais e rios têm inundado bairros e cidades; deslizamentos de terra estão arrastando consigo residências morro abaixo. Há casamentos que também estão desmoronando, com a mesma velocidade dos deslizamentos. Mulheres desejosas de ser mães fazem os mais diversos tratamentos, mas sem sucesso. Maridos desempregados se desesperam, a lista de pessoas desaparecidas aumenta, vítimas de violência se multiplicam diariamente. Seja como for, a família tem sofrido. E muitos estão perdendo a esperança.

O livro de Hebreus destaca a questão da pressão e crise emocional, bem como as atitudes que devemos tomar diante delas, mesmo se recebemos um “não” divino quando esperávamos um “sim”; ou quando Ele diz sim quando antecipávamos um não e, especialmente, quando Ele diz “espere” e aguardávamos uma resposta imediata. “Pois quando Deus fez a promessa a Abraão, visto que não tinha ninguém superior por quem jurar, jurou por si mesmo, dizendo: Certamente te abençoarei e te multiplicarei. E assim, depois de esperar com paciência, obteve Abraão a promessa” (Hebreus 6.13-15).

Abraão e Sara estavam casados havia muito tempo. Sara tinha 65 anos e Abraão 75 quando receberam a promessa de que teriam um filho na velhice que seria precursor de uma nação pela qual todos os povos da terra seriam abençoados.

O Senhor jurou por si mesmo, com base em sua própria integridade, que Sara conceberia na velhice. Depois disso Ele determinou que ambos deveriam esperar pelo cumprimento da promessa confiando totalmente nele. Passaram-se 5, 10, 20 anos, mas nada acorreu! Quando Abraão estava para completar cem anos e Sara noventa, Deus reafirmou que chegara a hora de nascer o prometido filho: “Disse também Deus a Abraão: A Sarai, tua mulher, já não lhe chamarás Sarai, porém Sara. Abençoá-la-ei e dela te darei um filho: sim, eu a abençoarei, e ela se tornará nações; reis de povos procederão dela. Então, se prostrou Abraão, rosto em terra, e se riu, e disse consigo: A um homem de cem anos há de nascer um filho? Dará à luz Sara com seus noventa anos?” (Gênesis 17.15-17). Podemos imaginar o que mais Abraão falava com Deus:

– Desculpe-me por rir, meu Deus. Perdoe a minha incredulidade, mas o Senhor fez essa promessa 25 anos atrás, mas ela não se cumpriu!

Parece-me que o patriarca cansara de tanto esperar e demonstrou sinais de incredulidade.

E quanto a Sara? Ela continuava confiante, com o coração cheio de esperança? Não! Ela também se abateu diante da espera.

Então, algum tempo depois, inesperadamente três homens apareceram na tenda do casal. Eles eram mensageiros de Deus para reiterar a promessa feita havia muito tempo. Durante o almoço, Abraão conversou a sós com eles. Sara, porém, curiosa, procurou ouvir a conversa. “Então lhe perguntaram: Sara, tua mulher, onde está? Ele respondeu: Está aí na tenda. Disse um deles: Certamente voltarei a ti, daqui a um ano; e Sara, tua mulher, dará à luz um filho. Sara o estava escutando, à porta da tenda, atrás dele. Abraão e Sara eram já velhos, avançados em idade; e a Sara já havia lhe cessado o costume das mulheres. Riu-se, pois, Sara no seu íntimo, dizendo consigo mesma: Depois de velha, e velho também o meu senhor, terei ainda prazer?” (Gênesis 18.9-12).

“Eu, grávida? Ter um filho a esta altura da vida?” – foi o pensamento lógico e racional da Sara, que já tinha perdido a esperança!

E para não ofender os visitantes, ambos disfarçaram e negaram que haviam rido (Gênesis 17.17; 18.12).

Portanto, não foi coincidência Deus ter mandado que o filho da promessa se chamasse Isaque, pois em hebraico esse nome significa “riso”:

– Vocês riram da minha fidelidade, mas agora eu rio de sua estupefação. Eu cumpro o que prometo!

Pois é... Será que nós, da mesma maneira, não desconfiamos das promessas feitas por Deus? Será que nossa esperança não se evapora ao longo do tempo que esperamos?

Por outro lado, o apóstolo Paulo, em sua carta aos romanos, afirma que “Abraão, esperando contra a esperança, creu...” (Romanos 4.18).

“Esperar contra a esperança”, O que isso significa? Que não há lógica, não há bom senso, nem probabilidade mediante análise humana, que algo aconteça. Creio ser esta a melhor ilustração bíblica a respeito da fé. Crer, mesmo diante da dúvida. Crer mesmo quando Deus, aparentemente, diz não. Crer durante o período de espera, seja de seis meses ou de 25 anos. Crer em um Deus soberano e poderoso que é perfeitamente capaz de controlar e modificar as regras da natureza estipuladas por Ele mesmo.

Romanos 4.20 diz que enquanto Abraão esperava a realização da promessa, ele glorificava o Senhor. Creio que esse é o tipo de atitude que agrada a Deus: louvar enquanto se espera e confiar mesmo contra as evidências. Voltando a Hebreus 6.13 vemos que Deus jura que cumprirá suas promessas baseando-se em seu próprio caráter. Ele é fiel! Por isso, no tocante a Deus, o que Ele promete, certamente cumprirá.

Não há como saber os propósitos do Senhor quando permite que diferentes situações surjam em nossas vidas, sejam elas fáceis ou difíceis, agradáveis ou não. “... para que, mediante duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, forte alento tenhamos nós que já corremos para o refúgio, a fim de lançar mão da esperança proposta” (Hebreus 6.18).

#Esperança

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