Para que o príncipe não vire sapo ou a fada uma bruxa



O amor é uma necessidade emocional, um ato da vontade que responde a uma avaliação intelectual da personalidade total da outra pessoa.

O amor não é apenas um sentimento, uma emoção ou um momento de romantismo, mas algo intencional. Você está passando por uma vitrine, quando, de repente, um objeto chama sua atenção. Talvez um sapato, um celular, um carro, uma joia. Imediatamente, aquilo o(a) fascina. Aparentemente, o objeto também está encantado com você. É impossível resistir, então você o compra, sem se importar com as consequências. Algum tempo depois, quando aquilo já é seu e não há como devolvê-lo, você percebe que cometeu um grande erro:

  • o sapato é incômodo e machuca muito seu pé;

  • o celular não funciona direito;

  • o carro já quebrou algumas vezes e é muito difícil encontrar as peças necessárias;

  • a joia é definitivamente maravilhosa, mas você praticamente não pode usá-la porque corre o grande risco de ser assaltada.

Se você soubesse de tudo isso antes, certamente não faria a compra. Na verdade, você cedeu à atração e ao impulso, sem pensar nas possíveis consequências.

Infelizmente, isso também acontece com casais com apenas um, dois ou três anos de casamento. Desilusão é a palavra que descreve o sentimento de muitos recém-casados.

Um dos propósitos do namoro e do noivado é que o casal se conheça. São períodos apropriados para ambos descobrirem como é a personalidade, o temperamento, os hábitos, os costumes de cada um; se têm afinidades e entendimento mútuo. Se o nível intelectual é condizente. Se o relacionamento se baseia somente na atração física ou existem sentimentos realmente profundos. Para o verdadeiro amor, o maior amigo é o tempo.

Também é importante considerar as expectativas de cada um a respeito do outro antes do casamento. Será que elas são realistas? Casar com expectativas irreais por certo trará desilusões ao casamento. Naturalmente, todo casal tem expectativas quanto ao cônjuge e ao casamento. Algumas conscientes e outras não. As inconscientes permanecem latentes, e as pessoas não percebem que elas criam frustrações, ansiedades e insatisfações no relacionamento.

Se, ao se casar, um homem imagina que sua esposa terá sempre uma aparência jovial, um corpo perfeito, sem flacidez ou alguma celulite e não engordará um quilo sequer, conforme passarem os anos ele ficará muito frustrado. Se o espelho não o avisar que ele também já não é mais o mesmo, há o enorme perigo de seus olhos o enganarem e levá-lo a procurar alguém que, ilusoriamente, o faça retornar ao passado, a ser como era antes.

Se a mulher recém-casada acha que não há a menor possibilidade de seu marido ganhar uma barriguinha (ou “barrigona”), ficar careca ou grisalho, talvez mais acomodado e cansado, ela sofrerá desilusões.

A aparência física não tem força suficiente para garantir um casamento bem-sucedido. Foi manchete em 2016 o divórcio de Angelina Jolie e Brad Pitt, considerado um dos casais mais lindos do mundo. Não há beleza que segure crises e provações apenas por si mesma.

Em 1 Coríntios 13.4-7, há uma lista completa sobre as quinze características do amor. Quero destacar cinco desses itens:

Quem ama é paciente. Como já disse, o amor precisa de tempo para conhecer a outra pessoa, seu caráter, sua personalidade, suas virtudes e defeitos; para descobrir as diferenças individuais, familiares e intelectuais. Há pessoas que se esforçam para esconder certas fraquezas, mas o tempo ajuda a observar e analisar se é com aquela pessoa que queremos passar o restante de nossa vida.

Também é necessário tempo para perceber como a pessoa reage às nossas fraquezas e falhas, quando as descobrir. Tempo para saber como o outro age quando é contrariado, como responde às pressões que a vida traz, se é organizado ou descuidado, trabalhador ou preguiçoso, se é higiênico ou não; para reparar como se relaciona com os pais e para saber o que pensa sobre Deus.

O amor é sempre um processo de crescimento. Durante o namoro e o noivado é importante ambos se envolverem em várias atividades diferentes que podem colocá-los em xeque diante de situações reais. Dessa forma, terão oportunidade de analisar as reações de cada um em meio a vários tipos de pressões e circunstâncias. A paixão faz as pessoas dizerem e fazerem coisas para não perder a outra. Ela também encoraja os apaixonados a tentar mudar a personalidade básica e o estilo de vida do parceiro para ajustá-lo àquilo que idealizaram. O problema é que uma simples paixão não tem força para mudar as características negativas da outra pessoa. Mas o apaixonado é otimista e pensa: Talvez ele(a) mude! E se não mudar? O que estou dizendo é que o amor verdadeiro faz com que aceitemos a pessoa como ela é e não como gostaríamos que ela fosse.

Quem ama é bondoso. O amor é um sentimento extraordinário, porque está sempre pronto a dar, dar e ainda dar. Demonstrar interesse, atenção, afeto e disposição para doar-se é uma arte e um fator essencial para que um relacionamento seja feliz e seguro.

Precisamos lembrar que o amor é dinâmico, não é estático. Julgamos que o amor profundo e verdadeiro pode se desenvolver sem nenhum esforço de nossa parte. Mas não é assim. O verdadeiro amor mostra atos de bondade no cotidiano. Eles cuidam do lado emocional do relacionamento.

Há aqueles que acham que pequenas demonstrações de afeto e atenção não passam de bobagens. Mas a vida conjugal é feita de uma série de acontecimentos, e o casal feliz é aquele que sabe intercalar pequenos gestos, como dar de presente uma flor, preparar a refeição preferida, entre esses eventos.

Quem ama não é ciumento. Um relacionamento é bem sucedido quando duas pessoas com personalidades diferentes compartilham mutuamente tudo o que elas são, tudo o que fazem e seus sonhos para o futuro. Ao mesmo tempo em que o relacionamento progride e elas dividem tudo entre si, é crucial que desenvolvam outras amizades. Isso contribuirá para que continuem crescendo quando estiverem separadas.

O amor não é autocentralizado, mas outrocentralizado; ele não procura seus próprios interesses. Ninguém é propriedade de ninguém. Quando amamos alguém, nós o deixamos livre.

Quem ama não se exaspera. O amor verdadeiro não olha com romantismo para as realidades da vida, mas procura ser aberto, enfrentar as dificuldades e resolvê-las objetivamente. Esconder fraquezas, evitar assuntos polêmicos ou esquivar-se de conversar sobre falhas de comportamento revelam falta de honestidade e realismo no relacionamento. O amor verdadeiro confronta. Ele procura resolver os pontos de discórdia ou irritação porque sabe que toda relação passa por momentos difíceis. Esse é um dos preços de um casamento feliz, e muitos casais não estão preparados para pagá-lo. O amor real usa as aflições para tornar o relacionamento mais profundo.

Quem ama não é egoísta. Há vários motivos para os jovens namorarem e casarem. Um deles é sentirem-se seguros. Outro é porque necessitam de atenção. Há aqueles que cobiçam uma posição social, mas a vida não se resume à abundância de bens. Alguns buscam fugir de um ambiente familiar adverso. Porém, muitas vezes, o casamento se baseia na aparência física. Uma vez casados, será que alguém tem a ilusão de que a aparência da pessoa contribuirá para a superação das dificuldades que possam surgir? Que nada! Aparência não ajuda em nada.

Essas cinco características do amor verdadeiro são qualidades básicas para a escolha de um marido ou esposa. Elas abrangem requisitos essenciais para a construção e desenvolvimento de um casamento feliz e equilibrado. Elas falam sobre personalidade, caráter, aparência e inteligência que se destacam por meio de ser paciente, bondoso, não arder em ciúmes, não procurar os próprios interesses.

O amor não pode parar de crescer ao perceber que o(a) namorado(a), noivo(a), marido ou esposa dá “suas mancadas”. Ninguém é capaz de preencher todos os espaços vazios que temos em nossa vida ou todas as nossas expectativas.

Contudo, sempre podemos contar com a orientação da Palavra de Deus, um guia eficaz para nos ajudar a ponderar se uma pessoa corresponde àquilo que esperamos de um cônjuge.

Acima de tudo, Deus nos ama profundamente e, antes de nós mesmos, não quer que nosso príncipe vire um sapo ou nossa fada uma bruxa. Seu maior desejo é que “sejamos felizes para sempre”.


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