Espere o companheiro ideal



Vivemos um tempo bem complicado, difícil e um pouco caótico, porque somos os que têm presenciado uma geração de jovens que vive um mundo onde parece que o relacionamento a dois é descartável. A realidade do relacionamento a dois é algo absolutamente superficial, por isso vemos tantos casais que não se casam mais, apenas vão morar juntos e mantêm o compromisso enquanto se suportarem, ou enquanto um não ferir o outro em algum detalhe da relação.

O fato é que vivemos um tempo bem diferente no que diz respeito aos valores da família, quanto ao preparo para o namoro, para o noivado e para o casamento. A grande verdade é que a geração de jovens hoje tem atropelado as etapas que precedem um preparo normal para um casamento.

Eu sou fruto de uma geração que se reunia nos fins de semana para orar, e como jovens confessávamos os pecados juntos na presença de Deus e orávamos pelo futuro relacionamento afetivo com alguém. Levávamos isso muito a sério porque a nossa geração sonhava em constituir uma família unida nos caminhos do Senhor. Era muito raro uma garota ou um garoto buscar um relacionamento fora dos padrões bíblicos. A maioria de nós buscava um tempo de reflexão séria mesmo quanto ao companheiro ideal. A grande pergunta é: por que esta geração perdeu essa visão tão séria e tão relevante?

No livro Namoro – um ensaio para o casamento, o teólogo Jean Francesco diz que realmente os tempos mudaram. Houve uma época em que as famílias arranjavam o casamento. Um tempo em que havia um romantismo para escolher o parceiro ou parceira para se casar. O rapaz trocava olhares com a moça e vice-versa. Havia um poema para se declarar. Até serenata se fazia nessa época para um início de namoro. Houve um tempo em que se pedia a moça em namoro e só depois o casal se beijava. Na minha época, eu ficava na sala da casa da minha namorada (Erika – minha esposa) e o pai dela ficava lá junto com a gente. E na hora de ir embora, dávamos uns beijos rápidos, e o pai ficava de olho. Havia muito respeito naquele tempo!

Jean aborda esse tema e diz que “o tempo mudou muito e ninguém mais parece acreditar que um amor poderia durar para sempre. A virgindade deixou de ser um tabu entre os jovens. Alguns casais que eram impedidos de se relacionar sexualmente pelos pais iam escondidos para os chamados motéis da vida”.

E chegamos ao tempo em que os jovens começaram a usar o termo “ficar”, que persiste na geração atual. Um dia, enquanto andava pelo pátio de um colégio, ouvi a conversa de uma menina que estava disputando com outra sobre o número de rapazes com os quais ela ficaria naquela noite. Eu não acreditava no que estava ouvindo. Na verdade, achei que estava em outro planeta.

Acredito que não temos como deixar de olhar para esse momento atual da nossa juventude e dos nossos adolescentes. Eles têm recebido a influência da sociedade, que é liberal, que não cultiva valores e princípios. Uma sociedade em que você pode ser o que quiser sem questionar absolutamente nada. Mas nós temos os valores éticos e bíblicos do Reino de Deus. Nós criamos nossos filhos de maneira diferente. A criação deles é segundo o ensinamento das Escrituras Sagradas no coração deles, com as verdades delas não somente na teoria, mas sobretudo na prática de vida.

Nessa perspectiva, quero deixar dois conselhos para uma visão de esperar o companheiro ideal:

O cristão deve esperar por um namoro na presença do Senhor A Bíblia nos ensina que Deus desenvolveu nossos corpos em macho e fêmea para desfrutarmos o prazer e para nos fazer desejar um ao outro dentro do casamento. Aliás, a visão bíblica para casamento é sexo. Quando há o ajuntamento do homem com a mulher no ato sexual, aconteceu o casamento. Isso significa que quando no namoro acontece uma relação sexual, quando dois corpos se encontram intimamente, aconteceu o casamento. Diante dessa realidade, não se pode brincar de namorar nem perder a dignidade no relacionamento de namoro e noivado. A Bíblia diz que devemos agir de maneira séria na santidade de vida. “Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação; que vos abstenhais da fornicação. Que cada um de vós saiba possuir o seu vaso em santificação e honra. Não na paixão da concupiscência, como os gentios, que não conhecem a Deus” (1 Tessalonicenses 4.3-5).

O convite é para o respeito mútuo, é para o rapaz respeitar a moça e vice-versa. O namoro assim é vivido na presença do Eterno Deus. Sem hipocrisia, sem mancha, mas os dois curtindo o tempo de namoro e se preservando para o dia do casamento. Jean diz algo bem precioso sobre o namoro: “O namoro é uma maneira de nos conectar para realmente durarmos com o outro. Mas, esse conceito de duração tem sido deturpado pouco a pouco no nosso tempo. O namoro, que no sistema cristão é uma preparação para o casamento, tem se reduzido a uma conexão frágil, a uma relação meramente instantânea e descartável”.

É preciso cultivar o relacionamento, que é um estágio para o casamento. Os rapazes precisam valorizar mais as moças da comunidade e respeitá-las como pessoas que têm dignidade, honra e caráter. Precisamos pedir mais ao Senhor para que aconteça uma mudança na mentalidade dos jovens hoje para desejarem um relacionamento mais sério e santo, um relacionamento que é vivido realmente na presença do Senhor.

Deve-se orar pela pessoa que Deus preparará para o casamento Os princípios bíblicos para namoro, noivado e casamento são suficientes para nos nortear dentro da vontade de Deus. No quesito casamento, é preciso buscar a direção do Eterno Deus, não há outra forma mais segura que essa! Os jovens têm perdido a noção da oração no coração, esse tempo em que se pergunta para Deus: “Senhor, é essa moça que tens preparado para o meu coração? É esse moço, Senhor?”.

Não se pode deixar de lado essa visão preciosa de começar um namoro orando, pedindo a direção do Eterno. Não se começa a namorar para ser feliz ou se realizar simplesmente como pessoa que busca prazeres e conquistas. Não, não! O namoro é para se relacionar com o outro, para aprender a se doar para o outro, por isso a ideia de que é um estágio para o casamento. É o tempo de conhecer o outro e descobrir se é a ele que se quer dedicar o coração, o amor, a amizade e a convivência mútua até a morte! Nessa lógica, o namoro passa a ser algo sério visando ao casamento.

Como Jean diz: “Ter uma aliança é muito mais que estar junto, é uma responsabilidade de compromisso com o outro, envolvendo fidelidade e durabilidade para sempre. É uma união profunda com a pessoa amada a ponto de aceitá-la por inteiro e não partes de nós mesmos que estão na pessoa”.

Zygmunt Bauman diz que “vivemos uma era da modernidade líquida, num mundo repleto de sinais confusos, propenso a mudar com rapidez e de forma imprevisível – é fatal para nossa capacidade de amar. Uma vez que damos prioridade a relacionamentos em ‘redes’, as quais podem ser tecidas ou desmanchadas com igual facilidade – e frequentemente sem que isso envolva nenhum contato além do virtual –, não sabemos mais manter laços a longo prazo” (Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004, p. 6).

Acredito que os laços profundos que na verdade precisamos é com Deus, porque vivemos uma realidade complicada na espiritualidade da vida. Deus nos mostra, por meio das Escrituras Sagradas e do nosso tempo de oração, a direção que devemos tomar para o namoro, noivado e casamento.

Que o Eterno Deus nos dê sabedoria para ensinar nossos filhos, netos, jovens e amigos a visão das Escrituras para que tenham relacionamentos sadios, puros e que exaltam o Eterno!


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