Conjugalidade harmônica



Dentre os vários pesquisadores que investigam fatores que determinam o sucesso ou o fracasso em casamentos, chamou a minha atenção o trabalho do Gottman Institute (https://www.gottman.com), que há mais de 20 anos se preocupa em saber o que leva um casamento a ser bem sucedido. Esse instituto afirma que 50% dos casais iniciam um relacionamento com um alto risco para o fracasso – por quê?

Eu e minha esposa somos terapeutas de casais e em nossa prática clínica temos observado alguns elementos que contribuem para o fracasso matrimonial. O primeiro e mais importante elemento é NÃO desenvolver a AUTONOMIA da vida adulta. Pessoas que se mantêm emocionalmente dependentes dos pais tornam-se pessoas inseguras e JAMAIS casam para valer (no sentido pleno da palavra casamento). Há relatos em que rapazes chegam a chorar durante a lua de mel por sentirem falta da mãe. Alguns esperam que o cônjuge faça esse papel parental em sua vida e se frustram quando não se veem correspondidos nisso. O primeiro quesito bíblico para entrar em um casamento ainda é o maior fator de saúde para o sucesso matrimonial: deixar pai e mãe! (Gênesis 2.24).

Outro elemento muito comum dentro de nossa sociedade é a busca de um relacionamento em que o outro é um OBJETO para meu desfrute e não um SUJEITO com o qual me relaciono. Assim, a busca por um relacionamento é muito mais uma busca de alguém que satisfaça todos os meus caprichos e jamais se oponha aos meus desejos. Todavia, essa visão, gerada pelo excesso de individualismo e egoísmo característicos de nossos dias, rapidamente se transforma em mágoa e ressentimento quando surgem contrariedades. É preciso mudar a percepção do EU/MEU para o NÓS/NOSSO, em que ambos são sujeitos relacionais que constroem JUNTOS a harmonia conjugal, sendo essa uma conquista diária que demanda investimento de tempo, diálogo e energias – não acontece magicamente, nem com a velocidade de um fast food!

Por fim, e de igual importância, está a transparência no relacionamento! Iniciar um relacionamento baseado em segredos, omissões e/ou mentiras é atentar contra a saúde emocional do futuro casal. É preciso um grau saudável de abertura e transparência em temas como finanças (saber quanto cada um ganha e como administra seu dinheiro), tempo livre (quais os hobbies de cada um e o valor que se dá a eles), amizades (como são escolhidas), etc. Caso não exista transparência, o casal vai viver uma “república conjugal” e nunca um casamento de verdade – viverão debaixo do mesmo teto, dividirão tarefas e contas, mas nunca participarão efetivamente da vida um do outro!

Com certeza, poderia enumerar outros elementos que contribuem para o sucesso de um bom casamento e que podem ser trabalhados desde o início do namoro, mas estar atento aos elementos mencionados já será de grande valia na construção de uma conjugalidade harmônica!

#Namoro #Casamento

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