Amor verdadeiro é dar prioridade em suprir as necessidades do cônjuge



Pode ser que o tema deste artigo traga uma inquietação inicial: quais são essas necessidades? Recordei-me de uma experiência no processo de aconselhamento pastoral para casais em que um cônjuge comentou: “Não há possibilidade do reencontro conjugal. Nosso casamento chegou ao fim”. No entanto, perguntei: “Por que não há possibilidade de abrir uma nova chance?”. A resposta foi categórica: “A porta está fechada por dentro”. Indaguei a mim mesmo: quais são as razões fundamentais para a porta estar fechada por dentro: infidelidade conjugal, incompatibilidade de gênios, violência conjugal, competição profissional…?

A porta não fecha por dentro de um dia para o outro. Há um processo que se inicia quando não priorizamos as necessidades básicas e fundamentais do cônjuge.

O casamento implica um grande desafio: aprender a aprender. A vida é um processo dinâmico e criativo. Temos de conjugar muito bem o verbo aprender. Os dicionários da língua portuguesa definem: alcançar conhecimento por meio do estudo; receber ensinamentos; reter na memória o que nos foi ensinado; tornar-se experiente na vida; instruir-se.

Não é fácil conjugar o verbo aprender, especialmente no contexto de uma sociedade pós-moderna, com grandes apelos ao imediatismo, ao descartável, ao individualismo, à competição, etc., com grandes reflexos no ambiente da vida conjugal. Essas duras realidades vão imprimindo na vida pessoal e social o que chamamos de individualismo, e todos os ismos têm o poder de fechar por dentro a porta da existência humana. Nesse sentido, não há espaços para os toques de sensibilidade e de afetividade.

Deixar a porta aberta é uma extraordinária experiência para os cônjuges que desejam aprender que o “amor verdadeiro é dar prioridade em suprir as necessidades do cônjuge”. Essas necessidades podem ser trabalhadas em diversas circunstâncias e com os mais diversos enfoques, por exemplo: necessidades físicas, financeiras, sexuais, emocionais, relacionais, espirituais.

Sublinho quatro desafios: aprender a viver a vida conjugal. O casamento é uma escola, e, constantemente, estamos aprendendo a viver as experiências desse novo estado de vida. Vida conjugal é vida coletiva, e viver dentro do mesmo habitat não é fácil. Aprender a respeitar: a crise reside no desrespeito. Desrespeitar é violência à individualidade. O casamento não anula a individualidade. Nutrir a vida do cônjuge significa dizer: nós precisamos respeitar. Aprender a admirar-se: a porta se abre escancaradamente quando aprendemos a prática do admirar-se. No entanto, ela se fecha quando perdemos o encanto pela vivência conjugal. Admirar-se é expressar sentimento; é reconhecer, valorizar, encantar-se; é aprender que os detalhes podem fazer uma grande diferença na caminhada conjugal. Por fim, aprender a amar. O fundamento da vida é a graça de Deus. A graça amorosa de Deus perdoa, reconcilia e permite que as relações sejam duradouras, mesmo diante dos percalços de diferentes tipos. Relembrar e, especialmente, viver as recomendações do apóstolo Paulo em 1 Coríntios 13.4-8 constitui um extraordinário desafio para uma caminhada saudável na vivência conjugal.

Precisamos aprender a amar! Assim, vamos aprender a viver, a respeitar e a admirar-se.

Para aprofundar: Quais são os desafios que temos para manter a porta aberta, à luz desses quatro desafios: aprender a viver, aprender a respeitar, aprender a admirar-se e aprender a amar?

#Perdão #Amor

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