Amor verdadeiro é amor que perdoa



Há um relacionamento de um casal na Bíblia que sempre me inspira muito. Na verdade, eu gostaria muitíssimo de ter conhecido a ambos, mas especialmente ao esposo: Maria e José. Você pode se perguntar se não é um desejo estranho, já que Maria é quem teve o Salvador em seu ventre. Pois é. Maria é admirável. Se Deus a escolheu, então não há o que questionar. Mesmo sabendo que ela era pecadora como todos os seres humanos, Deus se agradou de escolhê-la. Abençoada, como ela mesma canta (Lucas 2). Entretanto, a figura de José me impacta sempre que leio sobre esta família. Explicarei a razão e creio que, ao final do texto, possivelmente você compartilhará da mesma admiração que eu.

Um moço – uma expectativa Embora não tenhamos registro deste fato, eu creio que José vivenciou o amor a Maria como qualquer outro rapaz o viveria. Certamente a conheceu, simpatizou-se com ela, e, de alguma forma, um amor mútuo se desenvolveu. Tanto que ficaram noivos e mais tarde vieram a se casar. Veja que estamos lendo essa história de trás para frente. Mas vamos retroceder um pouco e avaliar o revés que José teve no relacionamento amoroso com Maria. Estavam noivos e iam se casar. Maria se preservava para ele e ele para ela. Certamente fizeram planos para a festa do casamento. Já imaginou? Familiares convidados, amigas e amigos planejando a festança, sogra e sogro envolvidos, “buffet” contratado, bebida paga, ornamentação pensada e planejada... Uma festa de casamento.

Finalmente, teria a bênção de estar com a mulher que amava para sempre. Planos e planos. Ansiedade e alegria juntas, coração acelerado, expectativa da “lua de mel”. Ficaria bem com a veste nupcial que já mandara preparar? Um homem que ama com todas as expectativas próprias de quem aguarda o dia do casamento. E então, num dia que lhe pareceu o mais dramático para a sua alma de noivo, a noiva amada lhe diz: “José, estou grávida”.

Um moço – uma crise Já imaginou? Em alguma ocasião você já se colocou no lugar de José? A mulher amada grávida? Mas grávida de quem? Ele tinha A MAIS ABSOLUTA CONVICÇÃO: dele não era. Se de nada mais ele soubesse, disso ele tinha muita clareza. Ele não era o pai daquela criança. José deve ter matutado consigo: “E agora? Como isso aconteceu? Confiava tanto em Maria! Como ela foi capaz de trair-me? Se já não me amava, por que não me disse logo? Por que deixar a situação chegar a este ponto? O que vou fazer diante desta decepção tão grande? Quem será o homem com quem ela se envolveu? Será que o conheço? Ah, mas se eu o encontrar... Deus, minha alma sofre. Senhor, tenha piedade de mim. Um grande abismo se abre sob os meus pés. Não sei como enfrentar este caos. Ah, se eu pudesse sumir...”.

Um moço – uma atitude de afeto Em meio a toda essa crise, José toma uma decisão: fugir daquela tragédia. E uma das razões era sua situação de vergonha diante de si mesmo, das famílias envolvidas, das amigas e dos amigos... Afinal, é comum sentir vergonha e culpa diante de situações das quais somos vítimas, já que parece que fizemos o papel de “bobos”, de “tolos”. E em vez de permanecermos firmes, deixamo-nos vencer por imaginar o que pensam e dizem de nós. Certamente essa foi uma das razões de José optar pela fuga.

Mas há outra razão que fala mais do caráter de José: se ele fugisse, a culpa da paternidade cairia sobre ele. Maria não teria de dizer quem seria o pai verdadeiro daquela criança. Ela seria poupada desse vexame e ele seria visto como um moço sem caráter, que engravidou uma moça e fugia da situação que criara. Não seria essa uma atitude de amor e perdão a Maria? José já não demonstrava desejo de ir além da mágoa que sentia? Não estaria disposto a perdoar e seguir?

Um moço e uma revelação Nesse ponto Deus resolve revelar quem era o Pai da criança. Como Deus que é, não deixaria José nessa situação tão desalentadora. O Senhor envia um anjo, que conta a José tudo o que acontecera. Maria estava grávida por uma ação miraculosa do Senhor. Havia uma missão a ser cumprida, e Maria e José foram as pessoas escolhidas como instrumentos para efetuá-la. Que reviravolta!

Um moço que ama, mesmo sofrendo Esse moço ouve o anjo e crê. Ele era um servo de Deus – é o que se constata por meio das suas atitudes. Se é assim que Deus quer, que assim seja. Ele crê. Ele aceita a missão que Deus concedera a Maria e, por conseguinte, a ele. Claro que perderia muito com tudo isso: a festança do casamento; a credibilidade de muitas pessoas que o amavam (e que não acreditavam naquela história de grávida virgem pelo poder do Espírito Santo); a possibilidade de uma família “normal” (a dele já começara absolutamente fora do padrão das demais); o respeito de amigos, que talvez o vissem sempre como um “homem traído e acomodado com a traição”. Enfim, teria de haver mudanças de planos. Nada estava acontecendo como José planejara. Maria ainda seria conhecida como a mãe do Senhor Jesus, mas e ele? Seria um marido anônimo e até tido como extremamente crédulo e tolo.

Diante disso, José poderia ter tomado uma atitude muito comum: irar-se contra Deus e contra Maria. Afinal, esse relacionamento lhe trazia muitas perdas, muitas mágoas, muitas dores e muito sofrimento. Ele poderia trancar-se numa situação de vitimização e não aceitar as perdas que a missão divina lhe exigia. E todo o relacionamento dele com Maria poderia ter um fim ali mesmo. E Deus poderia ser visto como o grande culpado, como um Pai que não pensa em seu filho. José teria muitos motivos para se condoer em raiva e frustração.

Mas a vontade de Deus era maior que a dele. Assim ele cria e assim ele agia. Mais que satisfazer seus interesses, esse moço amava a Deus mais que a si próprio. E se o Senhor escolhera exatamente a sua noiva para uma missão, que assim se desse. Lidar com suas frustrações seria um desafio grande de “perdão” a Deus e a Maria por não terem-no consultado antes de efetuarem um plano de salvação.

Quem ama deixa os ressentimentos e cuida José ficou firme ao lado de Maria. Foi seu esposo e a honrou. Abriu mãos dos seus desejos de homem, de “macho”, e preferiu ser servo do Deus altíssimo. E mais: no momento do nascimento de Jesus, na estrebaria, José foi até parteiro. Não havia ninguém por perto quando Jesus nasceu: apenas ele e a esposa. E ele esteve ali, junto com ela e a criança.

É por isso que José me impressiona tanto. Se há um modelo de homem e esposo cristão, José é um dos que mais admiro. Não lhe importou discutir trivialidades e os chamados “direitos” do homem. Sua esposa não era sua propriedade. Ela era, antes de tudo, serva do Senhor. Portanto, não há maior ou menor no Reino de Deus. Existiu sim um esposo que amava a sua esposa tal como Cristo amaria (e amou) a Igreja.

Que a vida de José e Maria nos ajude a viver mais plenamente o plano de Deus para a família.

#Perdão #Amor

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