Amor compartilhado e sacrificial



Não há mais dúvidas! Nossas relações pessoais foram afetadas pelas relações virtuais. Estamos conectados via smartphones, tablets e notebooks e nos distanciando do contato real. Sem a presença palpável do outro, como ter certeza do que esperar? Todas essas transformações refletiram na linguagem do amor dos nossos dias.

AMOR E TECNOLOGIA O celular é um dos objetos mais usados em nosso tempo e por todos. Mergulhamos na sua tela e ali encontramos de tudo. Temos um mundo de opções nas mãos: informação, contato e diversão. Transferimos essa facilidade para os relacionamentos interpessoais, tornando-os superficiais. Enquanto se conversa com uma pessoa em um aplicativo, há sempre mais alguém esperando em outro. Afinal, posso falar com qualquer pessoa com um simples toque na tela.

A tecnologia em si não é um mal. Ela é uma ferramenta importante e necessária em nosso tempo. Não há como viver sem ela. Hoje estamos conectados virtualmente e há muitas vantagens nisso. O problema está em quem a usa e como faz uso dessa tecnologia. Temos a escolha de usá-la bem ou mal.

A dificuldade é que muitos passaram a resolver seus problemas de relacionamento sem enfrentá-los na vida real. As soluções dos seus conflitos são feitas no mundo virtual, mandando seus recados on-line, iniciando, vivendo e até rompendo relações na realidade virtual. Há pessoas que fazem até sexo virtual!

Li a notícia de um casal que namorou por mais de um ano pela internet, terminaram o relacionamento e nunca se viram pessoalmente! Eram de países diferentes, e ela jura que o amou profundamente! Você também deve conhecer histórias semelhantes.

Isso não quer dizer que não haja possibilidades de pessoas se conhecerem pela internet e depois chegarem a se casar! Existem histórias de amor que deram certo! Mas em algum momento aconteceu um encontro presencial e foi dada continuidade ao relacionamento na vida real.

AMOR INDIVIDUALISTA Uma característica de nosso tempo é que as pessoas estão mais autocentradas e mais egocêntricas. As inquietações e frustrações trouxeram um fenômeno nas relações: a “Geração Cupcake”. Ouvi esse termo da jornalista Inês de Castro, da Rádio BandNews, de São Paulo, caracterizando o individualismo presente nas relações afetivas. Cada um quer viver por si mesmo. As pessoas não querem vínculos muito profundos, porque se bastam. Dizem: “Eu mesmo celebro a minha festa”, “Eu mesmo como o meu bolo”, “Amo você enquanto satisfaz minhas necessidades. Caso contrário, fico aqui comigo mesmo, na minha festa particular”. É o amor que se preocupa mais com sua satisfação pessoal, com seu prazer momentâneo. O outro é mais uma peça no jogo da vida.

Como construir relacionamentos sólidos e duradouros em tempos de relações instáveis e tão individualistas? Foi Deus quem criou as relações afetivas e deu o caminho para uma boa convivência. No meio de tantos “achismos” e conclusões sobre o assunto, devemos recorrer ao Autor e o maior exemplo de amor: Deus, que é amor e nos amou primeiro.

AMOR COMPARTILHADO E SACRIFICIAL Em Eclesiastes 4.9-12, lemos: “É melhor ter companhia do que estar sozinho, porque maior é a recompensa do trabalho de duas pessoas. Se um cair o outro pode ajudá-lo a levantar-se. Mas pobre do homem que cai e não tem quem o ajude a levantar-se! E se dois dormirem juntos, vão manter-se aquecidos. Como, porém, manter-se aquecido sozinho? Um homem sozinho pode ser vencido, mas dois conseguem defender-se. Um cordão de três dobras não se rompe facilmente”.

Esse texto nos ensina a importância dos vínculos e por que precisamos compartilhar nossa vida com outra pessoa. Temos a necessidade de:

  • Companhia (é melhor ter companhia do que estar sozinho);

  • Amparo (se um cair o outro pode ajudá-lo a levantar-se);

  • Acolhimento (e se dois dormirem juntos, vão manter-se aquecidos);

  • Proteção (um homem sozinho pode ser vencido, mas dois conseguem defender-se);

  • Alianças (um cordão de três dobras não se rompe facilmente).

  • Portanto, como seres humanos precisamos uns dos outros

Ao decidir obter vínculo com profundidade, são necessários dedicação e atitude. É o que define o apóstolo Paulo, na maior declaração de amor, em 1 Coríntios 13.4-7: “O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”. Este é o amor ágape, um amor disposto a sacrificar-se. É um exemplo do amor de Deus por nós, pois Ele nos amou primeiro (“Nós amamos porque ele nos amou primeiro” – 1 João 4.19), manifestado na entrega do seu filho Jesus Cristo, que morreu na cruz por nós (“Mas Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores” – Romanos 5.8).

Com esse amor é que Ele nos capacita a amar uns aos outros. Deus é o nosso grande professor sobre o amor ágape. Com a sua ajuda podemos ser pacientes, bondosos, não orgulhosos, não buscar os próprios interesses, não maltratar, nem guardar rancor. Tudo suportar, sofrer, esperar e ainda crer.

Além de tudo isso, poderemos construir um relacionamento em que se exerce o “amor compartilhado”, em que há espaço para si, para o outro e ao mesmo tempo ter um espaço em comum aos dois. Nesse lugar, eles construirão seus sonhos, projetos, ideias e ideais. Sem competitividade, orgulho, inveja e interesses, mas com incentivos, reconhecimento, partilha e perseverança. Esse espaço comum inclui também:

Ouvir o coração do outro: aprendendo a dar-lhe liberdade para fazer avaliações a nosso respeito, mesmo que estas nos desagradem. O cônjuge nos ama e escolheu viver conosco – por isso não quer nos destruir, mas sim aperfeiçoar para conviver melhor. Existem coisas que não percebemos em nós. Só quem vive conosco nota e pode usar isso para nos ajudar (no caso de um amigo ou cônjuge) ou para nos prejudicar (nossos inimigos);

Ajudar quando o outro está sobrecarregado: mesmo que o cônjuge atarefado não peça! Temos de usar o “desconfiômetro”, adiantando-nos na oferta de ajuda quando vemos, por exemplo, que a esposa está com muitas tarefas e ainda tem diante de si uma pia cheia de louça para lavar – é óbvio que ela precisa da ajuda do marido compreensível! Ou então um marido sobrecarregado com trabalho e precisa de ajuda para alguma área – se o outro está mais livre, por que não se oferecer para ajudar?

Esse caminho não é o mais fácil! Vai contra a filosofia e o comportamento vigentes na atualidade, que valorizam muito mais o individual, o prazer rápido e momentâneo. Mas temos, em primeiro lugar, o compromisso com Deus de amar o outro como Ele nos ama. Por isso, temos de estar dispostos ao quebrantamento, ao perdão e a colocar em prática as características do amor ágape e de um amor compartilhado.

Alguém já disse: “Conectar-se é para máquinas, humanos se relacionam”. O amor só será individualista, descartável, sem profundidade se permitirmos que ele fique assim!

Identificar o que não nos permite um relacionamento com mais profundidade e lutar contra isso é o primeiro passo. Depois, ao colocar em prática o que Deus nos orienta sobre o amor, teremos uma “luz para o caminho” de um relacionamento mais sólido, duradouro e compartilhado.

#LinguagemdoAmor

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