Tendo um viver cristão



Fiquei feliz ao receber o convite para escrever sobre este tema, pois sou testemunho vivo de que a evangelização, por intermédio da família, funciona. Nasci em um lar cristão, filha de pastor, e hoje sou pastora, esposa de pastor e mãe de duas lindas meninas que estão firmes com o Senhor, e tudo isso devo aos princípios que meus pais me ensinaram.

No livro A autobiografia de Martin Luther King, Clayborne Carson declara: “Creio que a influência de meu pai teve muito a ver com minha opção pelo sacerdócio. Não que ele algum dia tenha falado comigo em termos de eu vir a me tornar um sacerdote, mas minha admiração por ele foi o grande fator motivador, ele deu um nobre exemplo que não me incomodava seguir. Ainda sinto os efeitos dos nobres ideais morais e éticos sob os quais fui criado. Eles têm sido verdadeiros e preciosos para mim, e mesmo nos momentos de dúvida teológica nunca me afastei deles. Aos dezenove anos concluí a faculdade e estava pronto para o seminário”.

Dessa forma, podemos perceber que os pais do pastor Martin Luther King foram os grandes responsáveis pela sua formação espiritual. Creio que, ao recebermos a graça de sermos pais, recebemos, à luz da Palavra, um novo propósito para nossa vida: educar nossos filhos no caminho do Senhor. “Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele” (Provérbios 22.6). É preciso encarar esse desafio sem receio, pedindo sempre sabedoria ao Senhor.

De acordo com a psicóloga Rosely Sayão, nossa geração vive uma mudança intensa que interfere na educação dos filhos e tem gerado uma inversão de valores. Os pais estão abrindo mão de sua autoridade e dando muita autonomia aos filhos, porém num momento em que a criança não tem domínio para exercer tal liberdade.

Antes os filhos tinham medo de contradizer os pais, hoje os pais têm medo de perder os filhos ou aborrecê-los, tornam-se permissivos. Na minha infância, bastava um olhar do pai e sabíamos que era hora de parar, não tinha conversa, era obedecer e pronto, e isso não queria dizer que não éramos amados. Hoje a preocupação de não aborrecê-los faz com que não estabeleçamos limites.

No meu ponto de vista, a evangelização dos filhos não é só o momento de ir à igreja, mas a maneira que vivemos, como tratamos as pessoas, nossas reações em casa, nas situações mais diversas, até quando recebemos o troco a mais na padaria e devolvemos, e principalmente em estar juntos. Na minha casa, temos o dia da família, quando não recebemos nem marcamos para sair com ninguém. As meninas chegam da escola, almoçamos todos à mesa e fazemos a programação do dia: às vezes vamos ao cinema, ou vamos caminhar no parque, ou ficamos em casa assistindo filme. Assumir a liderança de nossos filhos não é fácil, dá trabalho. Não podemos delegar nossa função para avós, professores da escola bíblica, que são importantes, mas a responsabilidade de ensinar o caráter cristão e os princípios da Palavra de Deus é totalmente dos pais. Devemos seguir os exemplos de Jesus, que passava tempo com os discípulos, comia com eles, corrigia-os, mostrava como devia ser feito.

É em casa onde formamos o caráter da criança. Nossas atitudes falam mais alto e são mais importantes que as palavras. Aceitei Jesus com sete anos de idade e reconheço que foram os “nãos” que ouvi que fizeram parte da minha formação cristã. Meus pais também foram grandes responsáveis por minha evangelização. Como qualquer pessoa, tiveram seus erros e acertos, e reconheço que também tive os meus com minhas filhas. Lembro-me, mesmo depois de tantos anos, de ouvi-los louvando em casa, lendo a Bíblia, orando. Algumas vezes nos forçavam a ir à igreja, o que na época não parecia muito bom, mas hoje acredito que isso trouxe em mim um compromisso com o evangelho.

Quero dar a você algumas dicas sobre a evangelização de filhos em casa: em primeiro lugar, estabeleça o dia da sua família. É essencial criar vínculos e passar valores para os nossos filhos. Para isso, é preciso ter tempo de qualidade com eles. Se você não estabelecer uma rotina e criar um hábito que provoque esse tempo, jamais conseguirá se conectar com eles.

Tenha disciplinas espirituais com eles e aos olhos deles. Acredito ser muito importante para os filhos verem os pais lendo a Bíblia e orando. Faça isso de modo que eles possam ver.

Em segundo lugar, proteja seus filhos da religiosidade. Todos nós sabemos que igrejas podem causar feridas. Muitos filhos de pastores hoje estão fora da igreja ou não congregam na igreja de seus pais porque em momentos de conflitos não foram defendidos ou um ambiente de cobrança e legalismo se formou ao redor deles. Tome cuidado: sua família vem antes daquele irmão ou irmã da igreja que gosta de colocar um peso sobre seus filhos. Por outro lado, não os superproteja quando for necessário corrigi-los.

Por último, compartilhe com eles sua fé. Lembro-me do meu pai muitas vezes me contando histórias de como Deus havia mudado sua vida e como Ele fazia milagres e salvava pessoas. Essa era uma prática muito comum do povo hebreu. Era tarefa do pai contar aos filhos os feitos notáveis de Deus e assim transmitir por uma tradição oral todas as suas maravilhas, perpetuando de geração em geração as histórias do povo de Israel.

#Evangelização #Família

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