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Faça de seus filhos seus discípulos



Lembro-me bem de como me senti quando comecei a enxergar minhas filhas como minhas discípulas. Foi como se eu passasse a usar óculos novos, muito limpos e bem focalizados. Em vez de: “Ide por todo o mundo e fazei discípulos de todas as nações”, Deus estava me dizendo: “Fique em casa e faça de suas filhas suas discípulas”.

Jesus disse o que eu deveria fazer e depois me mostrou como fazê-lo. Em João 17, Ele relata o que fez na vida de seus doze discípulos para que eu pudesse seguir seu exemplo. E, evidentemente, o primeiro passo no discipulado é a evangelização (vv. 1-3). Jesus deu a vida eterna aos seus discípulos. Eu não sou a mãe biológica de minhas filhas, não lhes dei vida física, pois elas foram adotadas.

Também não posso dar-lhes a vida eterna. É óbvio que somente Jesus pode fazer isso. Ele é o único que tem autoridade e poder para nos oferecer vida eterna com Deus. Posso orar para que minhas filhas tomem essa decisão, mas não decidir por elas. Mesmo assim, acho que os pais têm a responsabilidade bem clara de “dar” a vida eterna a seus filhos.

Voltando à orientação que Jesus nos revelou em João 17 a respeito do discipulado, em primeiro lugar ele diz que Deus confiou a mensagem do seu amor e salvação a mensageiros humanos. Ao proclamar sua mensagem, oferecemos a oportunidade de alguém aceitar a salvação.

Infelizmente, nossa passagem para o céu não nos dá o direito de levar toda a família. Entretanto, devemos nos empenhar para que nossos queridos saibam qual é o caminho.

Também podemos proporcionar-lhes uma atmosfera favorável à vida. O que quero dizer com isso? Cultivar uma planta, por exemplo, inclui colocá-la num ambiente em que ela possa crescer e se desenvolver. Não tenho o condão de fazer uma planta crescer, mas preciso adubá-la, controlar o tempo que ela fica exposta ao sol, regá-la e podá-la para que cresça.

Não posso isolar uma criança do mal, mas posso preparar uma alimentação sadia, proporcionar-lhe um ambiente seguro, alertá-la quanto a eventuais situações perigosas e acompanhar suas atividades de perto. Assim como procuro controlar as condições exteriores do meu lar para assegurar a saúde e bem-estar dos meus filhos, também preciso propiciar-lhes a atmosfera espiritual em que eles devem crescer. Não tenho como garantir que meus filhos aceitarão Jesus Cristo como Salvador, mas posso fornecer-lhes um ambiente que “conduz à vida”. Em outras palavras, será que a atmosfera espiritual do meu lar é caracterizada por amor, harmonia, aceitação, perdão, segurança e disciplina? Ou será que meu lar reflete hipocrisia, discussões, preferências, intranquilidade e indiferença?

Duvido que haja algo capaz de fazer um pai cristão mais feliz do que a alegria de levar pessoalmente seu filho à fé em Jesus Cristo. Para Jaime, meu marido, esse dia chegou quando as crianças ainda eram pequenas. Ele subiu ao quarto das meninas para ler a Bíblia e orar. Quando terminou de ler,

Melinda lhe disse: – Eu quero pedir a Jesus que entre em meu coração. E sua irmãzinha fez o coro: – Eu também!

Depois de orar com elas, Jaime veio correndo contar-me o que havia acontecido. Ele estava transbordando de alegria por ter tido o privilégio de mostrar às suas filhas o caminho até a fonte da vida eterna.

Fico feliz por Deus ter realizado a salvação de maneira tão simples que até uma criança pode compreendê-la. Tenho certeza de que a salvação é uma experiência única, válida para sempre – uma vez d’Ele, sempre d’Ele.

Ao mesmo tempo, desconfio da sabedoria do pai que sempre relembra seu filho de uma decisão tomada muito cedo.

– Não, filho, você não precisa aceitar Jesus de novo. Você já fez isso quando tinha dois anos de idade, lembra-se?

A decisão que a criança tomou aos dois anos de idade pode ter sido muito séria e sincera, mas o fato de ela ter entendido todas as implicações de sua resolução é questionável. Pergunto: quanto você se lembra do que aconteceu na época em que tinha dois anos de idade?

Parece ser tentador permanecer em um extremo ou outro, isto é, os pais passarem toda sua responsabilidade à igreja, ou então obrigarem seu filho a tomar uma decisão para satisfazer mais a eles do que a Deus.

Às vezes algumas mães pedem que eu ore por seus filhos que estão “longe da igreja”. Elas alegam que sempre foram fiéis e os levaram desde pequenos aos cultos e reuniões, mas quando pergunto: “Seu filho alguma vez aceitou Jesus como Salvador e Senhor?”, a resposta é: “Eu não sei”. Não podemos correr o risco de pensar que só pelo fato de nossos filhos irem à igreja eles se tornarão crentes em Cristo. Isso é tão tolo quanto imaginar que ficando na garagem vou me tornar um carro.

É nossa responsabilidade, como pais, ensinar a criança no caminho em que deve andar (Provérbios 22.6). Como podemos avaliar se fomos fiéis em ensinar nossos filhos no caminho em que devem andar? Não resta dúvida de que nenhum pai é tão perfeito a ponto de dizer que sempre fez tudo o que foi possível nessa área.

Meu desejo é que, estudando o exemplo de Jesus em João 17, tenhamos uma ideia mais concreta a respeito dessa questão.

Jesus disse ao Pai: “Eu glorifiquei-te na terra, tendo consumado a obra que me deste a fazer” (João 17.4). Será que uma mãe pode dizer que finalizou o discipulado de seus filhos?

Quando chegar o dia em que encontrarei meu Salvador face a face, quero poder apresentar-lhe este relatório, baseado na oração de Jesus em João 17:

Senhor, Procurei obedecer ao seu mandamento de fazer discípulos, começando em minha própria casa. Procurei criar uma atmosfera favorável à vida. Glorifiquei o seu nome. Eu apresentei às minhas filhas a sua Palavra. Orei por elas. Eu as protegi do mal. Procurei mantê-las unidas e ser um bom exemplo que elas pudessem seguir. Finalmente, eu as enviei ao mundo. Terminei a obra que me confiaste.

Este artigo faz parte do livro de Judith Kemp, Meu filho, meu discípulo, da Editora Fôlego.

#Evangelização #Família

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