Do jeito que você é



A cada casamento que se realiza, acontece a união de duas personalidades, dois temperamentos, duas famílias e duas formas diferentes de enfrentar a vida. Em alguns casos, essas características se chocam e um dos dois, ou ambos, se decepcionam.

Muitos casais, ao perceber as diferenças que existem entre si, ficam apavorados e, a partir daí, fazem todo o possível para igualá-las. Alguns não conseguem compreender que muitas vezes o colorido de um relacionamento é realçado exatamente pelas diferenças individuais.

Só resta o divórcio Certo dia, eu estava aconselhando um casal com sérias dificuldades conjugais. Uma cascata de reclamações jorrava em nossa conversa: – Nós não temos nada em comum. – Somos tão diferentes como a noite é do dia. – Somos incompatíveis. Enfim, eles estavam me dizendo que, por serem diferentes um do outro, era impossível continuarem casados. – Ora, vocês são realmente diferentes – respondi. – E é exatamente por serem diferentes entre si que um precisa do outro. Já imaginaram como seria sem graça se fizessem tudo igual, se gostassem das mesmas coisas, se pensassem da mesma forma? – ponderei.

Eu e Judith Depois de passar por situações semelhantes às daquele casal, graças a Deus consegui entender que uma das maiores bênçãos do meu casamento é o fato de minha esposa e eu termos personalidades totalmente diferentes. Sou extrovertido, falante, barulhento, enquanto ela é mais tranquila e serena. Somos bem diferentes, e certamente esse é um dos fatores que nos fazem reconhecer o plano de Deus no nosso casamento: o contraste de nossas personalidades. Quando estou muito agitado, sua serenidade me ajuda a acalmar e reconquistar o equilíbrio. Por outro lado, quando ela extrapola em sua tendência à introspecção, meu entusiasmo a traz de volta à superfície.

Não posso negar que, ocasionalmente, certas situações causam atritos. Confesso que às vezes me irrito quando Judith fica muito ensimesmada, e ela, por sua vez, também se aborrece quando fico demasiadamente animado.

Amigos O respeito mútuo é decisivo para um casamento saudável. Deus exorta os maridos a respeitarem e amarem suas esposas (1 Pedro 3.7) e pede o mesmo às esposas em relação aos maridos (Efésios 5.33).

Um casal precisa respeitar-se, confiar um no outro. Marido e esposa devem ser honestos e abertos entre si, sem o perigo de serem rejeitados nem ridicularizados. A transparência é essencial para o aprofundamento de uma relação.

Analisando meu casamento, posso dizer que minha esposa chora quando eu choro, alegra-se quando eu me alegro. Judith é sempre a primeira pessoa com quem compartilho meus planos, interesses, fracassos e até tentações. Sei que posso confiar nela, mesmo quando ela não concorda com minhas características de temperamento, ideias, ações ou atitudes.

Esse tipo de amizade entre os cônjuges é uma porta aberta para a intimidade. Seja ela física e romântica, em que a relação sexual é gratificante; emocional, pela possibilidade de compartilhar alegrias, sonhos e também dificuldades, choros e risos; intelectual, por promover diálogos e conversas sobre qualquer assunto, mesmo os conflitantes; e também espiritual, ao compartilhar como Deus está trabalhando na vida de cada um, bem como quando oram, colocando perante o Senhor as esperanças, temores, derrotas, vitórias, tristezas e alegrias.

O “X” da questão Mas vamos dizer o que é verdade. Às vezes, ele(a) até sabe que precisa mudar em algumas coisas, mas não quer ou não consegue. Então, nesse caso, é certo tentar modificar o cônjuge? É uma questão de egoísmo pessoal? Como já afirmei neste artigo, cada pessoa recebe educação, influências, além das próprias características de personalidade e temperamento. A soma de tudo isso resulta no que somos. Algumas características podem ser mudadas, com esforço e oração, principalmente se sabemos que aquele traço incomoda nosso cônjuge. Entretanto, com outras não pode ocorrer o mesmo.

Os cônjuges devem conversar e opinar sobre as características e hábitos de cada um que incomodam o outro. Porém, é preciso tratar tudo com amor, cuidado e delicadeza para não se machucarem e procurar formas práticas de melhorar essas áreas de conflito.

Cada um na sua Há casais que vivem sob o mesmo teto, mas levam uma vida tão diferente que um não sabe o que realmente acontece com o outro. Vivem a vida conjugal individualmente. Fazem refeições juntos, na mesma mesa, dormem na mesma cama, relacionam-se com os filhos, mas não conseguem enxergar um como extensão do outro.

Não estou afirmando que as pessoas devem perder a individualidade, desprezar sua personalidade destruindo o próprio temperamento depois que se casam. Estou dizendo que os cônjuges devem se completar, aproveitando ao máximo o potencial de cada um e suas diferenças individuais. Este é um dos segredos para alcançar a realização e a felicidade tão procuradas.

Para que tudo se torne real, ainda preciso destacar a dinâmica espiritual que deve existir entre os cônjuges, isto é, a fé compartilhada, a prática da Palavra, que são forças motivadoras para que o projeto de um casamento seja bem-sucedido.

Abrindo o coração De todas as diferenças entre um casal – temperamento, personalidade, nível cultural, etc. –, a área de comunicação é a mais importante, pois é consequência das outras.

De forma geral, o homem costuma falar menos do que a mulher (não em meu caso, lógico). Usualmente eles conversam sobre assuntos mais relativos a fatos, acontecimentos, negócios, etc. Elas conversam sobre assuntos mais emocionais e são mais propensas a partilhar sentimentos, tristezas e alegrias do que o homem. Se essas características peculiares não forem levadas em conta, a comunicação pode ser seriamente afetada.

É apropriado acrescentar aqui uma área que os homens precisam de ajuda, que é justamente aprender a compartilhar emoções, sentimentos, sonhos e frustrações com a esposa. É muito difícil caminhar pela vida carregando sozinho seu próprio fardo. Abrir o coração, desnudar a alma à esposa companheira, que sabe ouvir e compreender, é salutar para a pessoa e o casamento. Isso também se aplica à esposa.

Todo casamento precisa de manutenção diária. A tarefa do cônjuge é entender quais são as necessidades do companheiro(a) e também quais as circunstâncias marcantes na vida dele(a), sua herança social, cultural, afetiva, seu desempenho, habilidades e talentos.

Alguém disse que é uma pena a vida de casado durar mais ou menos 50 anos, pois quando se consegue compreender o cônjuge, a morte já está rondando um dos dois. Compreender o marido ou a esposa envolve um longo processo. Cada um de nós necessita de alguém extremamente confiável e compreensivo com quem possa ser autêntico, com quem consiga tirar “a máscara” e mostrar quem realmente é.

Disposto a perdoar Aceitar o marido ou a esposa como ele(a) é não envolve somente investir no relacionamento, mas também entender e aplicar o perdão. Quando uma pessoa está determinada a assumir verdadeiramente sua relação conjugal, também deve estar disposta a perdoar. Quando adquire a capacidade de entender o que é o perdão e recorre a ele nos momentos em que se sente ofendida, ela tem a oportunidade de experimentar o que é libertação.

Do jeito que você é A convivência dos casais seria bem mais tranquila e harmoniosa se eles entendessem que nem sempre um agradará o outro. As diferenças individuais devem ser respeitadas. Jamais um cônjuge conseguirá suprir todas as expectativas e necessidades do outro nem poderá agradá-lo totalmente. Aceitar-se mutuamente é requisito prioritário e insubstituível. Agradar-se mutuamente vem como consequência da aceitação. Enfim, quando um tenta alegrar e satisfazer o outro, apesar das diferenças individuais, o amor torna-se mais concreto, evidente e estimulado.

Não há casamento perfeito. Todos nós estamos aquém dos padrões de Deus. Portanto, podemos concluir que o segredo de um casamento feliz não é, na verdade, encontrar a pessoa certa, mas ser a pessoa certa.

#Personalidade #Relacionamento #Comunicação

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