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Namoro é coisa séria



A palavra namoro não aparece em nenhum lugar da Bíblia. No passado, o objetivo direto do relacionamento entre um homem e uma mulher era o casamento, e este assunto era de competência dos pais. Eles tinham, inclusive, o direito soberano da escolha dos cônjuges para os filhos. O foco principal não estava nos sentimentos do casal, mas no propósito central do casamento: a constituição de uma nova família.

Com o desenvolvimento da sociedade, a ideia de namoro apareceu e passou a privilegiar elementos novos como o amor, afinidades, gostos, equiparação de idade, formação, crença, realidade social, etc.

Nossa preocupação como igreja é que a importância do casamento como ato sagrado, religioso, legal e formal vem sendo diluída pela cultura hedonista da felicidade acima de tudo, excluindo padrões básicos como a maturidade e um alto grau de responsabilidade que deve ter o namoro cristão. O mais grave ainda é que em nome da “liberdade” tornou-se moda namorar cedo. “Todo mundo faz”, justificam os pais e adolescentes pouco conscientes da importância e implicações do namoro prematuro. Alguns ainda aliam o tema namoro à saúde – como se fosse saudável namorar cedo e ter relações sexuais antes do casamento.

Namoro é coisa séria e deve envolver duas pessoas adultas e duas famílias com capacidade de orientar e acompanhar seus filhos. É claro que estamos nos referindo ao namoro cristão; ou seja, um relacionamento com propósito de casamento alinhado com os valores inseridos na Bíblia. Afinal de contas, a ideia de ver um homem unido a uma mulher partiu de Deus, daí a seriedade do ato. “E disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora idônea para ele” (Gênesis 2.18).

O tema namoro é relevante para nós cristãos. Ele exige uma base de ensino que ajude pais e filhos a atingirem o objetivo de casamentos saudáveis e perenes. Ao estudar a Bíblia, nossa maneira de pensar é ampliada e modificada para melhor. Essa mudança proporciona uma nova forma de agir. Precisamos compreender que Deus tem uma “boa, agradável e perfeita vontade” (Romanos 12.2). Quando nos submetemos à vontade de Deus, um caminho vitorioso começa a ser traçado por Ele.

O namoro deve ser visto de um ponto de vista bíblico, até porque não existe outro melhor. Namoro não é um modismo barato ou uma diversão. Jesus ensinou que ninguém deve entrar em uma situação nova sem o devido preparo. “Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se assenta primeiro a fazer as contas dos gastos, para ver se tem com que a acabar? Para que não aconteça que, depois de haver posto os alicerces, e não a podendo acabar, todos os que a virem comecem a escarnecer dele, dizendo: Este homem começou a edificar e não pôde acabar” (Lucas 14.28-30). Sete passos que os pais e os filhos devem observar para chegar ao namoro cristão 1º passo: oração – Tudo começa com oração! A oração é um ato de humildade e dependência de Deus. Na oração tanto os pais quanto os filhos devem abrir o coração para que Deus revele sua vontade. “Pai, se queres, passa de mim este cálice; todavia, não faça a minha vontade, mas a tua” (Lucas 22.42); “Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mateus 6.10); “Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera” (Efésios 3.20). Os pais devem orar pelo namoro dos filhos desde cedo. E os filhos devem fazer o mesmo! Deus é o maior interessado nos assuntos da família e do coração dos jovens. “A casa e os bens vêm como herança dos pais; mas do Senhor, a esposa prudente” (Provérbios 19.14). Adão não precisou dizer a Deus: “O Senhor pode me arranjar uma mulher? Estou muito sozinho neste jardim”. A iniciativa de preparar uma mulher para o homem partiu do próprio Criador. “E disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora idônea para ele” (Gênesis 2.18). O interesse de Deus em providenciar a pessoa certa na hora certa para alguém não mudou. “Porque eu, o Senhor, não mudo” (Malaquias 3.6a). 2º passo: envolvimento dos pais – Ninguém pode entender e atender melhor às necessidades dos filhos do que os pais. Deus tinha exatamente isso em mente: que os pais ocupassem um papel fundamental de orientação e apoio aos filhos. O Pai do céu dividiu sua função com os pais da terra. Que plano maravilhoso! Deus estabeleceu a estrutura familiar para proteger, assistir e desenvolver os filhos de modo a saberem lidar com os assuntos da vida, inclusive o namoro. Os pais devem criar um ambiente familiar livre para a troca de ideias com os filhos. Deus estabeleceu um “organograma” simplificado da família: “Mas quero que saibais que Cristo é a cabeça de todo o homem, e o homem a cabeça da mulher; e Deus a cabeça de Cristo” (1 Coríntios 11.3). A estrutura é simples: Deus no topo da pirâmide, depois Cristo, o homem (liderando o lar pelo amor e exemplo), a mulher (cooperando com o marido) e os filhos (que honram e obedecem aos pais). Jovens cristãos devem compartilhar seus sentimentos com os pais, devem abrir o coração com eles e buscar ajuda e conselho. 3º passo: colaboração – Já vimos que a responsabilidade maior pertence aos pais. Mas a igreja também tem o compromisso da orientação bíblica para que os jovens saibam lidar com os assuntos do coração. Se é verdade que “o lar é o lugar onde você pode chegar, não importando se andou fazendo o bem ou o mal, e ter a certeza de que não vão jogar você fora” (Ralph W. Neighbour Jr.), também é verdade que a igreja de Cristo tem a mesma função de acolher e ajudar no que for necessário. Há muitos textos que reforçam a importância de buscar a colaboração de gente com mais experiência. “Não havendo sábios conselhos, o povo cai, mas na multidão de conselhos há segurança” (Provérbios 11.14); “Quando não há conselhos os planos se dispersam, mas havendo muitos conselheiros eles se firmam” (Provérbios 15.22). 4º passo: observação – Quem de nós já não se interessou, mesmo que à distância, por determinado produto de vitrine? Quantas vezes não mudamos de opinião em relação àquele produto quando fazemos uma observação mais próxima e rigorosa? O mesmo se aplica ao passo que chamamos de observação. A observação é o estágio em que o jovem se mantém a distância da pessoa por quem tem um sentimento especial, observando-a com cuidado e tempo suficiente para perceber detalhes e traços de personalidade. Escolher alguém para namorar leva tempo; exige cautela, critério e paciência. A observação discreta fornecerá informações que podem confirmar ou anular uma impressão sobre determinada pessoa. A discrição é fundamental. Quando um jovem observa uma pessoa por quem está interessado, ele deve conferir se tal pessoa tem qualidades fundamentais como: comprometimento com Deus em temor e serviço, envolvimento com a família, envolvimento com a vida da igreja, trabalho, estudos em grau avançado, perspectiva profissional e escolar, idade e maturidade, testemunho de amor a Deus e às pessoas, ponderação, moderação, equilíbrio, relacionamentos respeitosos e frutos que glorificam a Deus. A observação está ligada ao conceito de prudência – uma prática comum na vida dos cristãos. A Bíblia coloca a prudência bem próxima da sabedoria.“Quão melhor é adquirir a sabedoria do que o ouro! E quão mais excelente é adquirir a prudência do que a prata!” (Provérbios 16.16); “Cada pensamento se confirma com conselho e com bons conselhos se faz guerra” (Provérbios 20.18). 5º passo: aproximação – A aproximação é a fase de chegar perto da pessoa de seu interesse e de seu grupo de amigos. O grande desafio dos jovens em geral é a habilidade de fazer novos amigos. Ninguém namora uma pessoa desconhecida. Podemos admitir que o namoro é uma amizade que deu certo. O namoro nasce de uma amizade e não necessariamente de um sentimento. Quem já não gostou de alguém sem que isso necessariamente se transformasse num namoro? O trabalho de aprofundar uma amizade pode ser desenvolvido tanto por moços quanto por moças em pé de igualdade. A amizade entre pessoas do sexo oposto é um sinal de maturidade. Há quem interprete um pequeno gesto como uma proposta de casamento. Isso dificulta o surgimento de verdadeiras amizades. Pessoas assim precisam reconhecer sua dificuldade e procurar ajuda. Quando dois jovens se gostam, pressupõe-se que já houve um trabalho de oração, envolvimento dos pais, colaboração de conselheiros, observação e agora estão na fase da aproximação, ou seja, são amigos e estão buscando a confirmação de Deus para um passo sério: o namoro cristão. É natural que ambos conversem com transparência sobre seus sentimentos e intenções, mas sem precipitação. “Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado” (1 João 1.7). “Não tenho maior gozo do que este, o de ouvir que os meus filhos andam na verdade” (3 João 4). A grande vantagem de fazer as coisas na luz é que evitamos todo tipo de exposição à tentação ou constrangimento. Não devemos cair em tentação nem dar lugar ao diabo (Efésios 4.27). O isolamento e a mentira são portas abertas para a atuação maligna. ““Busca satisfazer seu próprio desejo aquele que se isola; ele se insurge contra toda sabedoria” (Provérbios 18.1); “Por isso deixai a mentira, e falai a verdade cada um com o seu próximo; porque somos membros uns dos outros” (Efésios 4.25). 6º passo: a declaração – Nessa fase, o rapaz reafirma seu interesse em formalizar o namoro cristão. Não se trata de uma decisão isolada. Os pais estiveram envolvidos o tempo todo, os conselheiros (pastores e líderes) também acompanharam o processo e tudo colabora para que os dois desfrutem de um namoro abençoado. Se o rapaz não tiver iniciativa para declarar-se, certamente encontrará a mesma dificuldade em outros momentos do relacionamento. O modelo de Deus realmente conta com a iniciativa do homem, e esse será mais um sinal de liderança. Existe muita beleza numa moça discreta que se valoriza e confia em Deus e num rapaz que também teme a Deus acima de tudo e revela desde cedo uma capacidade de liderança, ou seja, de servir e abençoar. 7º passo: a autorização – Jovens cristãos percorrem com naturalidade o caminho da oração, envolvimento dos pais, colaboração de líderes da igreja, observação, aproximação e declaração do sentimento para formalizar o namoro. Sendo assim, a autorização será um momento precioso que reunirá os pais e os filhos para uma troca de ideias, recomendações e conversa construtiva. Na hora de oficializar um namoro junto aos pais, o moço e a moça darão uma amostra de sintonia e maturidade que foi desenvolvida antes de chegar a este momento. A cena de um pai sendo consultado por um rapaz a respeito de sua própria filha mostra o nível de responsabilidade que envolve o namoro. O namoro cristão é uma bênção em todo os aspectos. Ele deve ser consagrado a Deus e realizado para a Sua glória. “Portanto, quer comais, quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para a glória de Deus” (1 Coríntios 10.31).

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