Sexo e autoestima



Parafraseando Charles Chaplin, “mais do que máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que sexo, precisamos de afeto e ternura”.

Há uma fragilidade nos laços humanos. A vida virtual nos afeta. Temos o desejo de vínculo, de amar e ser amado, mas, ao mesmo tempo, há falta de compromisso. Vivemos em tempos de “amores líquidos”, é o que constata Zigmunt Bauman em seu livro Modernidade líquida. Relacionamentos líquidos, que escorrem e se evaporam tão rápido como começam. Os vínculos são desmanchados sem dificuldades, são tratados como mercadorias: se tiverem algum defeito, são trocados por uma versão mais atualizada. Troca-se de parceiro como se troca de roupa. A palavra de ordem é: “desapega”. Não há muito apego, para não sofrer.

O amor romântico, aquele à moda antiga, está fora de questão. E os valores como confiança, fidelidade, exclusividade, amizade, até que a morte nos separe, não estão mais no cardápio. Aliás, não se sabe mais a diferença entre o significado de amor e paixão. Não se consegue definir onde começa e termina cada um. Tudo soa como uma coisa só.

A consequência é que surge uma nova ética para a questão sexual. O significado do sexo na relação amorosa foi alterado, totalmente diferenciado do objetivo primeiro do seu criador, Deus. Foi transformado em algo descartável, impulsivo, objeto de satisfação pessoal, desejos e fantasias. A relação sexual tornou-se moeda de troca, de barganha: “Se você me ama, fará o que eu desejo, dará o que eu quero”. Transformou-se em possibilidades de controle, de posse e, por que não dizer, até de violência emocional e física.

Nesse contexto, as pessoas mantêm um relacionamento amoroso de baixa qualidade, um amor patológico, doentio, baseado em dependência emocional, criando-se a ilusão de que o outro passa a ser o responsável por preencher o seu vazio existencial. Toda felicidade e amor de que se necessita só podem ser alcançados por meio do outro. Perde-se no outro. Não encontram mais sua identidade, sua aptidão de ver suas capacidades e habilidades, seus sonhos e ideais. A vida consiste em viver para o outro e satisfazer o outro, caso contrário não serão amadas e aceitas.

A autoestima do parceiro dependente, inclusive na área sexual, fica comprometida. Surgem consequências negativas, como a falta de autoconfiança, insegurança, crenças falsas sobre o seu valor, como de inferioridade, ou então de considerar que não merece ser amado e respeitado. Esses sentimentos negativos podem até ser transferidos para o relacionamento com Deus. Temos aqui uma armadilha: por enfrentarmos dificuldades com as nossas próprias emoções, perdemos de vista o verdadeiro significado que Deus tem para o sexo em nossos relacionamentos. Para não cair nessa armadilha, são necessários alguns cuidados:

1. Esteja firme em sua IDENTIDADE Quem é você? Se você tem certeza de que sua identidade é ser “filho ou filha do Rei Jesus”, será mais fácil definir com quem terá seu vínculo amoroso: com alguém que tenha a mesma identidade que a sua (2 Coríntios 6.14: “Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel?”).

2. Esteja firme em seus VALORES É necessário saber quais são os seus valores para fazer uma boa escolha. Se você está pactuado com esses princípios, irá se vincular com alguém que compartilhe de valores semelhantes aos seus. Caso contrário, estará indo contra a sua própria essência. E se sua identidade é do reino de Deus, seus valores também estarão firmados nos conceitos da Palavra de Deus, a Bíblia (por exemplo: amar e servir a Deus; fidelidade e lealdade; honrar pais e autoridades; educação e amabilidade; honestidade inegociável; excelência no trabalho; estudo e preparo constante, etc.). Portanto, ao buscar seu parceiro amoroso, pesquise se ele tem valores diferentes dos seus (Mateus 7.18, 20, 24: “Não pode a árvore boa dar maus frutos; nem a árvore má dar frutos bons [...] Portanto, pelos seus frutos os conhecereis. [...] Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha…”; João 14.21: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele”).

3. Tenha uma BOA AUTOESTIMA Se você não está bem consigo mesmo, fatalmente irá usar o outro para suprir esta falha, proteger-se e sentir-se seguro. Irá construir um relacionamento de dependência emocional, trazendo sérios conflitos ao relacionamento. Caso esteja com problemas, procure ajuda com um conselheiro confiável ou mesmo uma ajuda profissional, visando à reconstrução dessa imagem saudável (Romanos 12.3: “… não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, conforme a medida da fé que Deus repartiu a cada um”; Marcos 12.30-31: “Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração [...] Amarás o teu próximo como a ti mesmo [...]”; Provérbios 3.6: “Reconhece-o [o Senhor] em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas”).

4. Saiba o que é um AMOR DE VERDADE É um amor romântico e profundo, mas que não vive “no mundo da lua”. Ele gera atitude. Amor cheio de ação, compromisso, responsabilidade e até mesmo disposição sacrificial, mas que deve ter reciprocidade, expressão de afeto, bondade, que não busca seus próprios interesses, porém aguarda o ritmo do outro, sabe esperar, além de caminhar para a unidade, o vínculo e o prazer verdadeiro, baseado em 1 Coríntios 13.4-7: “O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (2 Coríntios 4.18: “Não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que não se veem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas”).

Sendo assim, quando temos claro quem somos, quais são os nossos valores inegociáveis, procuramos manter uma autoestima equilibrada e sabemos reconhecer um amor verdadeiro, certamente as chances de acertar nas escolhas amorosas serão muito maiores! Não aceitaremos ser alvos de investidas descartáveis, cantadas enganosas, nem de nos tornarmos cativos por envolvimentos possessivos e doentios.

Voltemos a valorizar o autêntico significado da relação sexual, que o Criador preparou para nós desde a eternidade: um ato de profundo afeto, realizado dentro do casamento, para celebrar a Vida, o Amor e a Unidade.

Sexo é celebração! Sexo é a festa do amor!

#Sexo #Amor

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