O romance está... no casamento



Pr. Jaime,

Estou escrevendo esta carta com a esperança que o senhor possa me ajudar. Sou casada há 23 anos, mas as coisas entre meu marido e eu não andam nada bem. Nosso casamento ficou enfadonho. Nosso diálogo, quase inexistente. Um não sabe o que o outro pensa. Conversamos apenas o necessário para duas pessoas que vivem na mesma casa. O romance, a cumplicidade e a diversão acabaram. Nós costumávamos trocar ideias, compartilhar experiências, rir e nos divertir juntos, mas agora... não há mais encantamento em vivermos juntos.

É triste perceber que muitos casais não desfrutam de companheirismo e camaradagem, quanto mais de identificação de alma. São pessoas que vivem juntas carregando sozinhas suas próprias incertezas, tristezas, fracassos, alegrias e realizações sem ter com quem falar sobre eles mesmos, ninguém para vibrar ou chorar ao seu lado.

O que aconteceu com aqueles apaixonados, cujos corações batiam mais forte quando um estava perto do outro, inebriados pelo amor e o romantismo? Será que aqueles que se apaixonam ainda jovens estão fadados a, quando bem mais velhos, verem seu amor reduzido a uma tênue chama? A ilustração pode ser repetitiva, “batida”, mas é bem assim: “o amor é como uma planta: precisa ser regado todo o dia”. O tempo não pode ser um inimigo no casamento, mas um aliado que o ajuda a se tornar cada dia mais sólido e valioso.

É preciso considerar o cônjuge como seu melhor amigo. Judith e eu somos ótimos amigos. Gostamos de estar juntos. A companhia de um é agradável e gratificante ao outro. Isto, para qualquer atividade: conversar, passear, namorar, orar, estudar a Palavra de Deus.

Para haver esse tipo de amizade no casamento, é preciso comprometimento e, certamente, investir tempo para desenvolvê-la e promovê-la. Também é necessário protegê-la das interferências das inúmeras atividades exteriores, que se revelam cada vez mais opressoras.

Depois de décadas de meu casamento, ainda há romantismo entre Judith e eu. Mas nós trabalhamos para que isso aconteça. Uma surpresa, um jantar à luz de velas, uma flor acompanhada de um sorriso no final da tarde, um beijo todas as manhãs, longas conversas, um passeio, uma rápida viagem para um final de semana especial. Não deixamos até de aproveitar as oportunidades de rirmos quando um ou outro faz uma tolice. Tudo isso e mais – dependendo da criatividade de cada um – aumenta a chama para que o romantismo permaneça vivo.

Há uma velha premissa que defende: “Nenhum sucesso justifica o fracasso do lar”. Muitas pessoas têm conquistado o clímax do sucesso, mas quando não têm mais como progredir, percebem que ainda não chegaram onde queriam. O sábio Salomão disse: “Melhor é a mão cheia de descanso do que ambas as mãos cheias com trabalho, e aflição de espírito” (Eclesiastes 4.6).

Para você é difícil puxar o freio de mão e parar um pouco? Sua família, e até mesmo Deus, fica apenas com as migalhas de seu tempo? Você acha que esse tipo de atitude é positiva para o seu relacionamento com seu cônjuge e um bom exemplo para os seus filhos? Você dedica tempo para eles? Você está feliz com a forma com que tem conduzido a sua vida?

Dedicar tempo a Deus, ao cônjuge e aos filhos é um grande investimento, que produz lucros eternos. O tempo corre rapidamente e é muito triste permitir que a concentração no trabalho ou em atividades externas nos distancie de nosso cônjuge, extinguindo aquele companheirismo de antigamente, aquele romantismo dos anos iniciais, que passam a não existir mais.

Deus idealizou a família para ser a base da nossa felicidade e realização pessoal. Tudo faz parte dela e, portanto, nosso maior investimento deve ser em relação a ela.

Em Eclesiastes 3.1 lemos: “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu”. Infelizmente, somos muito comprometidos com nossas atividades e descomprometidos com as prioridades de Deus. Na verdade, também nos submetemos a esse turbilhão vivencial porque o nosso ego, sempre faminto por um estilo de vida imediatista, por sucesso profissional, financeiro e social, rouba o tempo que poderia ser dedicado ao cônjuge, aos filhos e ao nosso crescimento espiritual, empurrando-nos para uma armadilha da qual é preciso lutar muito para escapar.

Compreendo perfeitamente toda problemática que envolve a responsabilidade de manter uma família nos dias atuais. As pressões são variadas, vêm de diversos segmentos e resultam em muitas exigências. Mas é possível alterar a qualidade de nossa vida conjugal e familiar. É possível reacender a chama que está se apagando e dar-lhe a vitalidade e qualidade de um relacionamento significativo com o cônjuge, filhos, apesar do distanciamento emocional.

Porém, há um preço a ser pago. É preciso haver disposição para mudar o acelerado estilo de vida. É necessário fazer uma reavaliação rigorosa da agenda bem como cortes e ajustes para encaixar, entre os compromissos, tempo para dedicar ao cônjuge e filhos.

“Já tenho entendido que não há coisa melhor para eles do que alegrar-se e fazer bem na sua vida…” (Eclesiastes 3.12). Acho que, sem dúvida, você deseja ser feliz e viver o melhor que puder com sua esposa/seu marido, então quero destacar alguns princípios que o(a) ajudarão a alcançar essa felicidade e também manter a ternura do romantismo no seu casamento.

Comunicação Certa vez, estava dando uma palestra e sugeri que todos os maridos e noivos olhassem para suas esposas e noivas com um sorriso e dissessem: “Querida, eu te amo!”. Houve um burburinho na plateia e vi vários homens levantando e indo para o outro lado. Pensei: “Puxa, eles nem ao menos estão sentados com suas esposas e noivas?!”. No final, um casal veio falar comigo. Eram casados havia mais de trinta anos, e o marido confessou, encabulado, que aquela tinha sido a primeira vez que ele havia dito essa frase à sua esposa, e completou: “Acho que com isso conseguimos começar a quebrar o gelo em que temos vivido”. Comunique-se, fale de seu amor pela pessoa, elogie.

Atenção Às vezes o amor morre por não fazermos nada. Mas o amor é dinâmico, não é estático. O amor se expressa de maneiras práticas e, muitas vezes, simples: um olhar, um toque, um elogio, um sorriso, um abraço. Sem essas simples demonstrações de atenção cotidianas, o relacionamento vai murchando.

Participação Como alguns sabem, sou torcedor do tradicional e glorioso Palmeiras. Quando é possível, gosto de sentar no sofá e assistir ao jogo do meu time. Judith quase sempre fica ao meu lado e torce junto comigo, mas também sabe que é melhor não fazer muitos comentários quando o time perde. Da mesma maneira, eu procuro acompanhá-la em atividades que ela gosta. Marido que é marido, esposa que é esposa têm de participar.

Compreensão Cada um de nós necessita de alguém extremamente confiável e compreensivo com quem possa ser autêntico, com quem tenha a liberdade de “tirar a máscara” e mostrar quem realmente é. Qual é a pessoa mais adequada para oferecer essa compreensão e liberdade do que nosso cônjuge? Certamente, o fator emocional jamais pode ser negligenciado no casamento. No mundo atual, quando os relacionamentos estão cada vez mais enveredando para o individualismo, os casais devem lutar para se conscientizar de que precisam cuidar desse importante aspecto do seu casamento.

  • Dedique um dia por semana para seu cônjuge.

  • Façam um passeio juntos, sozinhos ou com seus filhos.

  • Façam caminhadas.

  • Reúnam-se para brincar com jogos de mesa interessantes para toda a família.

  • Vão ao cinema, ao teatro, a shows.

  • Andem de bicicleta.

  • Acampem um final de semana no verão.

  • Programem uma viagem, seja para um destino longínquo ou para uma cidade próxima, mesmo que seja por um dia.

Não permita, de jeito nenhum, que seu casamento se torne monótono e cansativo. Não admita um distanciamento emocional entre você e seu cônjuge. Exercite sua criatividade. Um tempo de lazer e romantismo não depende necessariamente de dinheiro. O importante é ter força de vontade para construir, dia após dia, como se fosse um magnífico edifício, um relacionamento conjugal e familiar que sirva de exemplo para as próximas famílias que se formarão a partir do seu núcleo. Que seus filhos também possam respirar o mesmo ar de amor, romantismo, comprometimento com Deus e a família que exala do seu relacionamento com seu cônjuge.

Seria maravilhoso se pudéssemos amar pura e perfeitamente, mas a realidade é que somos humanos, fracos e pecadores. No entanto, isso não significa que não devemos nos esforçar ao máximo, tentar e conseguir. Temos de ir além do superficial, compreender que o amor entre cônjuges é um compromisso de amor incondicional, uma amizade crescente e um romantismo genuíno.

#Romance #Tempo #Casamento

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