Cuidados com a agenda superlotada



Nas atividades em que os mais experientes notam que seus resultados estão envoltos numa esfera de excelência, elas certamente são pautadas na disciplina e no controle rígido de seus instintos e necessidades. Pode-se interpretar isso em todas as áreas de atividades, e na área cristã não só não é diferente como também é mais complexa e intricada.

O exercício da atividade cristã é permeado de desafios, persistência, obstinação, controle e dedicação. Não há como deixar de lado ou postergar uma assistência que grita por atenção, que se desespera por uma solução, uma providência e, muitas vezes, por um milagre, algo sobrenatural que abrande o coração aflito.

O rebanho tem fome, tem sede e necessidade de atenção e carinho. Atender às suas necessidades em todas as áreas e realizá-las em tempo hábil requer uma força hercúlea e um controle e domínio do fator tempo, traduzido em objetividade, revelação e conteúdo que muitas vezes podem trazer dúvidas ou ser de difícil obtenção.

O líder tem a impressão de que sempre está às voltas com um cobertor curto: se cobrir uma atividade, certamente descobrirá outra. Nessa tarefa, a tendência é dar prioridade ao que clama mais alto e deixar para depois as áreas que acabaram por se acostumar a ficar em segundo plano, ou terceiro, ou quarto...

Contentar a todos pode ser uma utopia, pensando-se em atender aos chamados e compromissos com todo o tempo que se fizer necessário e com toda a profundidade e qualidade requerida. O doar-se sem limites, a inobservância de horários e prioridades, a dificuldade de avaliar-se como ser humano frágil e finito podem levar a consequências físicas, mentais e sociais de alto risco e periculosidade.

Afinal, tudo isso vale a pena? Esse investimento febril está correto, dentro dos planos de Deus para minha vida? Será que tudo isso não está me cegando, e não estou antevendo as consequências que certamente advirão ou até podem estar sucedendo e não estou conseguindo enxergar? Essa obsessão de atingir um patamar, um alto padrão de serviço e de vida, uma posição de destaque, uma folha corrida de atividades no Reino, de usar nossa capacidade, nosso tempo e esforço na meta de conquistas e de satisfação do nosso ego podem estar deixando em segundo plano preciosidades muito mais importantes, como nossa família, esposa e filhos, amigos, parentes, paz e, o que é pior, até Deus e a nossa saúde!

Ao nos determos para avaliar e repensar nossa vida, corremos o risco de culpar a escassez de tempo, reclamar que vinte e quatro horas é muito pouco e por isso dormir oito horas é um desperdício que deve ser forçosamente evitado. A pressão para abraçarmos o ativismo poderia ser atenuada se deixarmos de ter aquele dia de folga por semana. E aquelas férias que alguns cismam em me aconselhar são um luxo para este ano. Quem sabe, no próximo tirarei uma semana para contentar a família...

Esses pensamentos podem ser presença obrigatória na mente de muitos líderes e fiéis, mas tudo pode ter seu tempo e sua forma se atentarmos para alguns fatores.

Definindo prioridades Se não há como escaparmos de nossa estafante rotina diária, primeiramente devemos definir as nossas prioridades. Para isso, precisamos deixar claro qual é a nossa posição, nosso cargo e nossas funções. Em cada situação, quais são as características de cada função e em que periodicidade ocorrem. Temos de fazer ainda o mais difícil, perguntando-nos:

  • Será que isso que está tomando meu tempo faz parte de minha função ou a estou tomando de alguém mais capacitado e com mais disponibilidade para executá-la?

  • Será que devo treinar e formar alguém para assumi-la?

Muitas pessoas querem abraçar tudo, achando que somente elas farão aquela função da melhor maneira e forma, ou então têm insegurança e/ou receio de entregar aquela área em que outros possam se sobressair e lhes fazerem sombra... Enfim, proteger-se para perpetuar-se no cargo. Bem, voltemos às prioridades. Já que agora sei quais são efetivamente as minhas funções e que tenho de conviver com elas, preciso avaliar se não estou empregando meu precioso tempo com prioridades erradas. Uma forma de constatar isso é verificar se tenho dedicado tempo de qualidade à minha família, se tenho cumprido integralmente e a contento todas as tarefas a que me propus executar, se respondi a todos os e-mails e telefonemas recebidos, se terminei de ler todos os livros que comecei, se escrevi tudo que precisava escrever, se tomei todas as decisões que devia tomar em tempo hábil, se visitei todas as pessoas que necessitavam e, principalmente, se me dediquei ao meu devocional com excelência e constância necessária. Se nossa resposta for negativa a alguma questão, podemos estar mais preocupados com as coisas deste mundo do que com as necessárias e eternas.

Para agendarmos essas prioridades, também precisamos nos aprofundar em princípios, critérios e valores. Quais são aqueles que estabelecem nosso ritmo de vida? Princípios cristãos, critérios de real justiça e valores eternos devem nortear não só nossa mente, mas também nossas emoções, anseios, sentimentos, pretensões e ambições. Enfim, nada que um travesseiro e um silêncio não resolvam para dar a certeza da correta adequação do uso de nosso precioso tempo, estabelecendo-se uma agenda realista e tendo a revelação do Divino para as situações mais sensíveis e críticas.

Cuidando da família O Senhor nos deu o fôlego de vida, e quando ainda éramos uma massa informe, Ele já escrevia os nossos dias (Salmos 139.16). Nossa família é projeto d’Ele. Nosso ministério não é nosso nem é para nossa glória. É tudo d’Ele, por Ele e para Ele. Nossa família desarticulada gera um ministério desconjuntado, desprovido da graça e das bênçãos de Deus. Amar, tratar, cuidar e se dedicar a ela é o que Ele espera de nós (1Timóteo 3.4-5). Ela é a nossa prioridade, a primazia de nossas atenções. O ministério vem a seguir, nessa ordem. Descumprir essa sequência é ir contra o projeto primordial de Deus: o estabelecimento da família!

Cuidando da saúde O ativismo é primo-irmão do estresse, e este é sócio de consultórios, laboratórios, hospitais e clínicas, sendo seu objetivo principal a internação rápida e definitiva numa fria cova. A ansiedade, a angústia, o nervosismo, a preocupação excessiva, a irritação, o medo, a impaciência, a dificuldade de concentração, a falta de memória, a dificuldade de tomar decisões, os erros que teimam em serem habituais, os esquecimentos, a sensação de perda do controle e outros são sinais que o corpo está nos enviando de que algo não está bem.

No caso, nosso físico está sendo utilizado além de seu limite em determinadas áreas. As consequências físicas vão desde alergias, insônia, tensão muscular, mãos frias e suadas, dor de cabeça, até acidentes cardiovasculares e vascular cerebral.

Evita-se o estresse balanceando-se as atividades e o desgaste mental por meio de uma agenda factível e com o saudável, benéfico, reconfortante e terapêutico convívio familiar. A prática de atividade física regular, como academia, corrida, bicicleta, natação e outras, libera endorfinas na corrente sanguínea, levando ao bem-estar, sobrepujando as inevitáveis tensões do dia a dia. Enfim, família, agenda e exercícios físicos podem nos proporcionar as condições necessárias para dedicarmo-nos com qualidade à obra do Senhor.

#Tempo #Prioridades

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