Seu filho precisa de aceitação



Eu li algumas vezes o livro Crescendo com o seu filho adolescente, do grande escritor, professor e pastor Eugene Peterson. Acredito que é um livro rico e que nos dá muitas dicas importantes para entender melhor os nossos filhos e tentar entrar um pouco mais no mundo deles.

Ele diz que, durante “a infância, a criança aceita os pais sem críticas. É verdade que as crianças se rebelam contra regras e desafiam ordens. Desobedecem e ignoram os pais. Mas, não costumam envolver nisso nada pessoal. Não avaliam as palavras dos pais nem questionam a autoridade deles. E, de repente, com a chegada da adolescência, começam a questionar. Deve ser um grande choque acordar um dia e perceber que os pais não são onipotentes nem oniscientes. Os adolescentes começam a enxergar um mundo de moralidade mais amplo. Conquistam a liberdade de conceber princípios morais. A moralidade, que para a criança é uma coleção desorganizada de sim e não, começa a se encaixar num padrão. Por exemplo, para a criança, honestidade significa não colar na prova, já para o adolescente, é um princípio a ser aplicado em qualquer situação. Logo, os pais se tornam uma dessas situações. Os pais percebem que o filho ou a filha examinam o comportamento deles com uma lente de aumento moral que eles mesmos lhe deram. Os jovens fazem julgamento moral com base nos princípios que os pais lhes ensinaram do governo, escola, colegas e não excluem os pais do escrutínio”.

Na formação e relacionamento com os nossos filhos, vivemos todas essas tensões. E hoje, como pais do século 21, vivemos um tempo caótico em que os modelos pessoais que eram encontrados primeiramente em casa foram trocados pelos da mídia e da internet. Nossos filhos, bem cedo, começam a navegar na internet e veem mais as imagens e seguem todos os estilos de gente, que acabam se confundindo na formação do caráter e do comportamento como pessoa em termos de relacionamentos, bem como na formação como ser humano.

Como pais, muitas vezes nos sentimos pequenos, frágeis e inábeis para lidar com todas as mudanças que ocorreram na nossa sociedade. Os meninos e as meninas nos acham fora do ritmo e sem noção por não estarmos tão antenados como eles. Minha filha de sete anos às vezes dá risada de mim e diz: “Pai, deixa eu ensinar você a mexer nisso!”.

Diante de tanta velocidade e mudanças na criação dos nossos filhos, como contribuir para aceitá-los e conviver com a individualidade deles? Como ajudá-los na formação como pessoa no campo espiritual, emocional e profissional?

Andemos com os nossos filhos em todo tempo Sempre olho para os modelos bíblicos e, nesse aspecto, percebo claramente que os dezessete anos que Jacó andou com seu filho foram absolutamente produtivos e benéficos para todos os processos da vida dele. Quando embarcamos na história desse moço, percebemos um diferencial na vida e no caráter.

Fico pensando como Jacó, mesmo com suas falhas, que a Bíblia não esconde, influenciou a vida desse menino. Jacó entendeu as crises do seu filho do coração. Aprendeu a conviver com ele no seu estilo. Muitas vezes, criticamos Jacó na educação de José, mas de alguma maneira José é o confidente de Jacó, é aquele em quem o pai confia em várias situações.

Imagino Jacó ensinando José na vida emocional, espiritual e na carreira profissional. Stephen Covey, em seu livro Os sete hábitos das pessoas altamente eficazes, afirma que a literatura antiga era focalizada no que se poderia chamar de ética do caráter – coisas como a integridade, humildade, fidelidade, persistência, coragem, justiça, paciência, diligência, modéstia e a regra de ouro (fazer aos outros aquilo que desejamos que nos façam).

Penso que foram esses valores profundos que Jacó ensinou na caminhada com seu filho José. Então, a dica para nós é que devemos tentar entender nossos filhos e aceitá-los nas suas formas de ser, buscando todos os dias, pela graça e sabedoria divinas, ensinar a eles sobre ética, justiça e integridade.

Precisamos saber o que eles estão pensando não pela força, mas pela companhia, ouvindo seus dramas, as suas dores e conflitos da alma. A grande crise é que temos outra cabeça, outro jeito de lidar com as demandas da vida. Mas eles não têm a mesma ideia e estilo da gente, por isso precisamos entrar no universo deles.

Pais, vão ao cinema de vez em quando com seus filhos. Tomem um sorvete com eles. Perguntem quais são os dilemas deles, o que eles gostam de fazer, o que estão estudando na escola, quais são os amigos prediletos. Peguem uma bicicleta e pedalem com seus filhos para terem um tempo de lazer ao lado deles. Permitam que eles vejam o que vocês têm para oferecer por meio da companhia. Os filhos aprendem mais vendo do que ouvindo.

Sejamos modelos de vida para eles Acredito seriamente que, como seres humanos falhos, passamos pela crise de não sermos o modelo ideal para os nossos filhos. Por isso, o nosso grande desafio é sermos cada vez mais semelhantes a Jesus Cristo. Porque sempre as nossas vozes, atitudes e posturas refletirão, de alguma maneira, Deus para os nossos filhos. Saibamos que em algum momento, quando conhecerem e aprenderem mais sobre Deus, eles dirão: “Nossos pais sempre falaram acerca disso”.

O fato é que para todos os processos de amadurecimento dos nossos filhos, seja no intelecto, na formação espiritual, vocacional e no geral como ser humano, eles olharão para o jeito como procedemos. Eu penso que não precisamos colocar na cabeça deles, na fase da adolescência, qual faculdade devem seguir, quais cursos devem fazer. Há pais que querem que seus filhos sejam médicos, dentistas e economistas, mas de acordo com a direção divina eles serão outros profissionais. Entendo que nossa tarefa é sermos mentores espirituais, amigos que conduzem nossos filhos para dependerem de Deus em todos os processos da vida. Precisamos ensiná-los a partir de nós mesmos a orarem, a buscarem a direção para o namoro, para o casamento, para a vida e vocação.

Só que a grande percepção é o nosso jeito de ser na vida, como andamos com a ética, com a justiça, com a nossa palavra. Com o modo como tratamos a mãe dos nossos filhos. Não tem jeito, somos os espelhos para o coração dos nossos filhos. Eles nos imitam desde pequenos. Por isso, precisamos pedir sabedoria ao Senhor Deus para encaminhá-los na graça do evangelho, para que eles dependam de Deus em todo tempo para conviver com todas as demandas da vida no que diz respeito à vocação, espiritualidade e nas emoções.

Que o Eterno Deus nos dê graça para sermos pais que influenciam os filhos com a sabedoria divina!

#Paternidade #Filhos

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