• Admin

Ser pai: uma missão muito além de especial



Deus chama de filho todo aquele que aceita Jesus Cristo como Salvador. Ao nos aceitar em sua família, Ele passa a nos dispensar atenção contínua, amor, dedicação e cuidado de Pai. Deus leva a paternidade muito a sério. Ser pai é uma missão muito além de especial para ser celebrada somente um dia durante o ano. A paternidade não foi instituída para satisfazer a insistência comercial gananciosa de uma breve comemoração.

Deus acompanha diária e cuidadosamente a vida de cada um de seus filhos. Assim como Ele nos acompanha, é responsabilidade do pai cuidar do desenvolvimento do filho com amor, zelo, respeito e compreensão.

Hoje muitos valores foram deixados de lado. Não são todos os pais que optam por aceitar o altruísmo intrínseco na missão sublime da paternidade. As intermináveis exigências profissionais, financeiras, sociais e pessoais têm desviado muitos de suas verdadeiras prioridades. O egocentrismo abraçado pela modernidade incentiva a própria felicidade como alvo supremo, mesmo que isso custe colocar em perigo ou levar ao naufrágio o casamento, a estabilidade presente e futura dos filhos e da família. A negligência paterna castiga e fere muitos corações de crianças, adolescentes e jovens.

Não existe papai sabe-tudo Ninguém é dono de toda a verdade. Assim como cada pessoa, todo pai depende primeira e principalmente da sabedoria e da orientação de Deus. A comunhão plena com o Senhor e o conhecimento de sua Palavra são indispensáveis nos momentos de tomada de decisões. Isso é muito sério, pois algumas delas poderão causar profundas e irreversíveis marcas na vida dos filhos. O que significa ser pai? Sei que essa pergunta pode causar desconforto ao avaliarmos o pai que temos sido com o pai que poderíamos ser. Porém tenho consciência das pressões que um pai enfrenta diariamente na batalha para manter a família, mas é impossível ser desatento diante da dimensão vital do papel do pai na vida de seus filhos.

Tenho me esforçado para ser um bom pai para minhas três filhas, contudo sei que muitas vezes “piso na bola”. Embora nenhuma delas more mais conosco, sinto que ainda não finalizei minha tarefa como pai. Portanto, quero dizer, queridos pais, que sempre é tempo de renovar nosso empenho e dedicação, para dar o melhor de nós nessa missão que Deus nos deu. E é por isso que quero encorajá-los e motivá-los a analisar alguns aspectos dessa incumbência divina.

Dedicar-se à responsabilidade e ao privilégio de ser pai O salmista afirma: “Os filhos são um presente do Deus Eterno; eles são uma verdadeira bênção. Os filhos que o homem tem na sua mocidade são como flechas nas mãos de um soldado. Feliz o homem que tem muitas dessas flechas!” (Salmos 127.3-5a – NTLH). Quando paramos para pensar que Deus nos confiou o sublime trabalho de formar e preparar pessoas para se tornarem cidadãos responsáveis, realizados e tementes ao Senhor, essa concessão passa a ter significado eterno.

Lembrar-se constantemente de que Deus quer nos ensinar por meio da vida de nossos filhos Assim como podemos e devemos influenciar positivamente nossos filhos, também aprendemos com eles. Os filhos muitas vezes são instrumentos nas mãos do Senhor. Ele usa situações de conflito e dor para nos ensinar a ser humildes, a depender dele e receber sua misericórdia em cada passo do caminho.

Não cair na armadilha da culpa Somos seres humanos, portanto falhamos. Todos nós temos algo a lamentar, mas não podemos voltar atrás e desfazer o erro nem eliminar as consequências. No entanto, precisamos realizar um esforço consciente para redirecionar toda insatisfação pessoal e agir no sentido de reconhecer o erro e assimilar o aprendizado e as lições recebidas.

Somos seres frágeis a quem foi confiado um trabalho sagrado e eterno que só pode ser levado a bom termo sob a dependência daquele que nos considerou dignos dele.

As dicas de Deus aos pais

Presença – O afastamento do pai do cotidiano familiar é um fenômeno característico da sociedade atual. Existe a tendência de nivelar o valor individual ao profissional, isto é, não somos avaliados pelo que somos, mas pelo que fazemos. Esse tipo de pressão leva os homens (e muitas mulheres) a exceder seus limites na dedicação à vida profissional em detrimento da qualidade dos relacionamentos familiares, principalmente com a esposa e os filhos. A desculpa “eu me sacrifico para dar o melhor para a minha família” é uma tentativa de aliviar a consciência. Investir tempo com a família é fundamental para os filhos, para desenvolver neles o sentimento de união familiar, de amor e zelo. O pai precisa demonstrar para a família que gosta de estar com ela, que isso é importante para ele. Dessa forma, talvez os filhos consigam entender melhor a ausência do pai, às vezes prolongada devido a compromissos profissionais, e lidar com isso de modo menos traumático. A esposa e os filhos entenderão que o marido/o pai os ama e gostaria de estar com eles, se pudesse.

Atitude – A atitude machista, exacerbada e mesmo rude que alguns homens desenvolvem desde a infância chega à beira do abuso, no que diz respeito ao relacionamento com as esposas. Essa distorção da figura masculina causa sérios problemas não apenas à mulher, mas também aos filhos. Infelizmente, muitas vezes os filhos homens incorporam esse exemplo nocivo. As filhas, por sua vez, se rebelam ou se submetem passivamente em seus relacionamentos futuros. A atitude de um pai é mais importante do que ele muitas vezes pensa. Os filhos estão sempre atentos às reações do pai e à maneira como ele trata a mãe deles. Se no lar houver amor, respeito, dignidade e tolerância, os filhos aprendem o valor dessas qualidades.

Intimidade – A intimidade é costumeiramente associada a romances eróticos, a sexo. Isso provoca nos filhos a ideia equivocada, que depois se transforma em convicção, de que a intimidade só pode ser alcançada na relação sexual. Entretanto, ser íntimo significa estar ligado a alguém por laços de confiança e carinho. Os filhos precisam e desejam que o pai seja íntimo e autêntico com eles e com a mãe; afinal, como eles poderão desenvolver uma relação íntima, inclusive com Deus, se desconhecem o verdadeiro significado da palavra intimidade?

Ambiente seguro – O lar, além de servir de espelho para os filhos, também deve ser um refúgio para eles se abrigarem e se fortalecerem para enfrentar grandes instabilidades emocionais que ocorrem desde a infância até a vida adulta.

O pai que não demonstra seu amor pela esposa planta uma semente de insegurança no coração dos filhos. Novamente, sua ausência frequente também contribui para isso, pois eles não podem experimentar a provisão emocional, o ensino, a transmissão dos valores paternos e de seus conselhos. Em muitos lares tal responsabilidade recai sobre a mulher, trazendo uma sobrecarga quase insustentável para ela. Quando os filhos percebem a participação ativa do pai ao lado da mãe na divisão de tarefas, que vão desde a sua criação e educação até deveres domésticos diários, a tendência é que também se sintam desafiados a se envolverem no cotidiano da vida familiar.

Os filhos precisam se sentir amados. Este é um fator essencial para que a criança adquira confiança e seja um adulto equilibrado. O mundo é altamente competitivo, crítico e não economiza pressões e abusos. No entanto, um lar que possui um ambiente tranquilo, onde eles podem sentir carinho, amor, respeito e compreensão, os fortalecerá para enfrentarem e combaterem as pressões externas que atacam sua autoestima.

Dignidade – Acredito que dignidade seja uma questão de respeito. O pai não pode ser um ditador, um mandão, mas um amigo sempre acessível, que sabe ouvir, encorajar, estimular e consolar. Os filhos só têm a ganhar quando percebem, o mais cedo possível, que são amados incondicionalmente e aceitos, seja qual for seu desempenho e mesmo ao cometer erros. Quando os pais demonstram possuir um compromisso sólido em relação ao enfoque sagrado da vida (Gênesis 1.26; Salmos 139.14), o senso de valor cresce na vida dos filhos. Eles se sentem seguros, valorizados e reúnem condições de contribuir significativamente para que a vida seja melhor. Reconhecer o potencial dos filhos, seus dons, talentos, capacidades e habilidades os ajuda a direcionar todo seu potencial para o desenvolvimento pessoal.

Solidariedade e civilidade – Os filhos precisam enxergar o pai como alguém compassivo dentro e fora do lar. Atitudes educadas, solidárias, gentis e respeitosas, de consideração ao semelhante, ensinam a respeitar, servir e ajudar as pessoas, a valorizar o ser humano como alguém que, como ele mesmo, também merece respeito e consideração.

Qual será a sua contribuição à vida de seus filhos? Este deve ser o objetivo fundamental de um pai: levar os filhos ao conhecimento de Deus por meio de Jesus Cristo. Segundo Deuteronômio 6.6, para ajudá-los a alcançar esse conhecimento é necessário submeter-se à vontade de Deus. Se pretendemos ver nossos filhos crescendo espiritualmente pelo estudo e meditação da Palavra, precisamos servir de exemplo e fazer o mesmo, ensinar-lhes a importância de uma vida com Deus. Deuteronômio 6.8-9 ressalta a necessidade de uma constante aplicação da Palavra de Deus.

Pai, seu filho precisa ser testemunha de que a Palavra de Deus é aplicada sem reservas em sua família, no calor do cotidiano. Volto a perguntar: qual será a herança que você deixará para seus filhos? Seja nas situações felizes, de alegria e paz, ou quando ocorrerem acidentes e vierem dores irreversíveis, esteja certo de que aquilo que você transmitiu a eles, somado às suas reações, atitudes, palavras, seu comportamento, os marcará para a eternidade.

#Paternidade #Filhos

  • Twitter Clean
  • w-facebook