Semelhante a uma esponja



A importância dos referenciais na formação do indivíduo tem caráter decisivo. Desde a infância o ser humano recebe milhares de informações que farão parte da grande pintura que comporá sua existência.

É comum se lembrar daquele professor ou professora que deixou sua marca e trouxe inspiração. Esses mestres souberam ultrapassar os conhecimentos acadêmicos e com sua sabedoria agregaram valores importantes aos alunos que os ajudaram em toda sua vida.

Lembro-me com carinho de meu professor da terceira série primária, ‘seu’ Mário. Homem de caráter, havia escolhido a profissão de professor como vocação, o que, aliás, fazia com maestria. Naquela época, 1973, era designado apenas um professor para cada classe, portanto ele ministrava todas as matérias que compunham o currículo. Passávamos quatro horas diárias sob a sua tutela.

Somente com o passar dos anos é que pude compreender a influência dessa pessoa na minha vida. Seu capricho, sua lucidez, sua postura como mestre, sua paciência em ministrar assuntos que nos eram difíceis de compreender. Os anos se passaram, mas trago com carinho em minha memória a marca indelével de seu modelo como mestre.

Este é apenas um pequeno exemplo da importância dos referenciais na formação dos indivíduos. As fases da vida em que os referenciais mais influenciam o comportamento humano, sem dúvida, são a adolescência e a juventude. Nessas fases as opiniões dos amigos de escola são levadas em conta dezenas de vezes mais do que as dos pais. O tipo de roupa, grife, corte do cabelo, estilo de música, palavreado começam a fazer parte da própria identidade do adolescente e do jovem.

Neste sentido, a influência de referenciais positivos é de grande valor, pois na ausência destes certamente os referenciais negativos ocuparão seu espaço.

Como exemplo podemos citar a febre do High School Music, banda formada por adolescentes americanos que invadiu os lares brasileiros nos últimos anos. Se for perguntado a um adolescente o nome dos participantes desse grupo musical, a resposta certamente estará na ponta da língua. Apesar da dificuldade do idioma, os adolescentes cantam como se fosse sua própria língua materna.

Agregado ao som e ao visual ‘descolado’, o conjunto de informações vai muito além dos acordes musicais. Vestimentas, comportamento, mensagem das letras, várias coisas são transmitidas aos fãs dessa banda.

Este é um exemplo moderno da capacidade de influência no comportamento a que os adolescentes e jovens são submetidos diariamente na sociedade em que vivemos. Apesar de ser um exemplo leve e de fácil compreensão, o que desejo enfatizar é o princípio que rege o comportamento da juventude hoje.

Os adolescentes e jovens são semelhantes às esponjas: absorvem todo tipo de informação. É uma fase da vida em que estão ávidos por novidades; tudo que é novo é mais atrativo, e esta é uma das coisas mais belas da juventude – o ânimo e a disposição para novas jornadas. O que ocorre, entretanto, é que esta preciosidade pode se tornar uma porta aberta para coisas indesejáveis.

Um exemplo mais drástico é o uso de drogas nos ambientes de escola e condomínios. Sem querer fazer terrorismo, saiba que, em algum momento, seus filhos se depararam com colegas que já experimentaram algum tipo de droga ou fazem uso de drogas nos ambientes que frequentam. O que fazer para defendê-los, já que os pais não podem estar presentes durante as 24 horas do dia? O grande desafio dos pais é saber como ajudar nas fases de adolescência e juventude sem tolher os jovens de suas experiências pessoais, mas não os entregando à sua própria sorte. Este equilíbrio precisa ser buscado com diligência tendo em vista que todo esforço será recompensado por um futuro seguro debaixo dos princípios de Deus.

Como os jovens tratarão com a sexualidade antes do casamento? Como conduzirão sua área financeira? Como manter uma postura adequada diante das drogas e programas liberais adotados por seus colegas? Essas são questões que ocupam a mente dos pais.

A pergunta que se faz é: como preparar os filhos para se defenderem de influências nocivas e terem a convicção de que estão tomando a atitude certa?

Algumas práticas simples ajudarão neste processo de preparo:

1. Diálogo A melhor forma de perceber se algo está saindo da normalidade é uma conversa franca e aberta sobre as várias situações do dia a dia. É claro que deve ser uma conversa em que os pais se coloquem no mesmo nível dos filhos, pois se estes perceberem um tom ameaçador na conversa tomarão uma postura de calar-se. É importante que seja um procedimento feito com certa frequência. Saiba que os filhos sempre compartilharão suas experiências com alguém, e se não for com os pais, por terem dificuldades e barreiras na comunicação, eles o farão com os colegas e amigos de escola. Compartilhar experiências pessoais – algo que sensibiliza os filhos – ocorre quando eles têm conhecimento de experiências vividas pelos pais nas quais tirem lições de vida. A admiração pelos pais aumenta e cria-se uma ponte de comunicação. Cabe aos pais criar situações agradáveis, como um passeio com apenas um dos filhos em que possa compartilhar situações como estas.

2. Filtros Outra estratégia que pode ser utilizada pelos pais é o que chamo de filtro, que significa a capacidade de analisar as situações, não absorver nada, sem antes analisar o que está sendo proposto. É importante lembrar, a esta altura, que os jovens são abertos às novidades; em outras palavras, devido à idade, eles têm a pré-disposição para aceitar e acreditar nas coisas com maior facilidade. Assim, quando alguém os convida para experimentar algo novo, é bastante provável que eles concordem, não por ser mau ou bom, mas por ser novidade, e para o jovem tudo que é novo exerce um fascínio. Portanto, desde cedo ensine seus filhos a pensarem e analisarem o que está sendo oferecido e qual consequência trará.

3. Modelos positivos Algo que poderá ajudar na formação do caráter dos jovens é o conhecimento de modelos que influenciem positivamente. Por exemplo, se o garoto gosta de futebol, procure trazer exemplos de pessoas que estão tendo sucesso e influência nesta área, mas que têm um procedimento exemplar. Procure comprar revistas e ler artigos que remetam a esses exemplos positivos. Depois comente com os filhos e extraia as lições aplicáveis em sua própria vida.

4. Estudando a Bíblia Procure criar situações de estudo dirigido a porções da Palavra que tragam exemplos de pessoas que passaram por experiências semelhantes às deles hoje. A Bíblia contém vários exemplos de jovens que tiveram sucesso em suas carreiras e mantiveram-se firmes em seus testemunhos, como Daniel. Estude as características encontradas nesses jovens que são aplicáveis nos dias atuais. No caso de Daniel, ele estava numa cultura diferente, mas decidiu não se contaminar com os alimentos do rei para manter-se fiel aos seus princípios. Como o jovem deve aplicar isso nos dias atuais? Ele foi o mais competente profissional entre todo o grupo de 120 sátrapas, uma espécie de administrador regional. É um exemplo do que se alcança com a competência profissional. Que passos o jovem hoje deve tomar para progredir profissionalmente? Daniel manteve-se fiel a Deus. Mesmo quando proclamaram uma lei injusta, continuou a orar como de costume, não negou sua fé diante da adversidade. Como, nos dias de hoje, o jovem pode manter-se fiel a Deus mesmo diante de tantas adversidades e sendo diferente dos demais colegas?

5. Amizades saudáveis Apesar do fato de os pais não terem ingerência sobre as amizades dos filhos, é aconselhável que conheçam melhor essas amizades. Sabedores que as maiores influências estão nas amizades, devem procurar incentivar amizades saudáveis, com pessoas de bom testemunho e que comunguem dos valores baseados na Palavra de Deus. Os pais devem participar de programas em conjunto com os filhos, quando estes permitirem, e criarem situações convidando os amigos para virem frequentar suas próprias casas, assim poderão conhecer melhor as atitudes e hábitos das pessoas que andam com seus filhos. Quando chegar a fase de namoro, os pais devem conhecer a família dos pretendentes, observando o estilo de vida e os valores adotados por aquela família. Esta é uma postura de sabedoria e proteção. A fase do namoro é uma das mais belas e também uma das mais tumultuadas caso não haja um monitoramento por parte dos pais. Estar sempre presente acompanhando a evolução do relacionamento certamente contribuirá para evitar problemas futuros.

Como se vê, os pais sempre podem ajudar aos filhos, sem contudo roubar sua independência. É óbvio que há muitas outras práticas que ajudarão os filhos a se saírem bem diante das situações do dia a dia.

Alerto, entretanto, que a mais nociva postura que pode ser adotada pelos pais, ainda que eventualmente, é a negação de sua responsabilidade no papel de conselheiros e mentores. Essa responsabilidade deve ser encarada com fé, tendo ciência de que, como pais, estarão contribuindo para que seus filhos encontrem referências positivas que os ajudem a vencer e construir famílias estruturadas e saudáveis no futuro.

#Paternidade #Filhos #Educação

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